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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg031327
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Paciente do sexo feminino, 18 anos de idade, dá entrada no pronto atendimento com queixa de febre de 38,0 o C há 3 dias, dor abdominal de localização difusa, intensidade 8 em 10 e persistente. Durante anamnese, a paciente referiu aumento do volume menstrual. Nega viagens nos últimos 3 meses ou a presença de animais em casa. Relata que outras pessoas, em sua rua, apresentaram quadros de febre e manchas no corpo na última semana. Nega contato com enchentes, embora esteja tempo chuvoso em um período de clima quente no local onde reside. No exame: PA: 100/78 mmHg; FC: 98 bpm; FR: 20 irpm; Afebril; sem alterações no exame cardiorrespiratório. Presença de dor abdominal à palpação superficial difusamente, sem dor à descompressão brusca e sem visceromegalias. Em investigação com US de abdome total, observado ascite laminar, com ausência de massas, coleções ou alterações ginecológicas. Hemograma com Hb: 10.2 g/dL, Ht: 49%, leucócitos: 4.000/mm³ , Plq: 82.000/mm³ .Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta diagnóstica e(ou) terapêutica para o caso.
  1. Asolicitar sorologia para arboviroses, com retorno precoce ao pronto atendimento
  2. Bindicar internação para investigação etiológica e observação clínica devido ao sangramento
  3. Crealizar teste NS1 e fazer a prova do laço para avaliação da gravidade do quadro
  4. Diniciar reposição volêmica com 10ml/kg na primeira hora, mesmo sem exames complementares
  5. Eorientar sobre forma correta de hidratação oral e retorno na presença de sinais de alarme
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — iniciar reposição volêmica com 10ml/kg na primeira hora, mesmo sem exames complementares

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dengue: conduta na suspeita de dengue com sinais de alarme

Gabarito: letra D. A paciente apresenta quadro compatível com dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, ascite, plaquetopenia e hemoconcentração), e a conduta imediata é iniciar reposição volêmica intravenosa com 10 mL/kg na primeira hora, mesmo antes de exames complementares, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A alternativa D é a única que aborda a urgência da reposição volêmica, essencial para prevenir o choque.

A dengue é uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, com amplo espectro clínico, desde formas oligossintomáticas até quadros graves com choque e óbito. A fisiopatologia da forma grave envolve aumento da permeabilidade vascular, levando a extravasamento de plasma para o terceiro espaço, o que explica a ascite, a hemoconcentração e a plaquetopenia. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é crucial para instituir a terapia de reidratação intravenosa oportuna e evitar a progressão para o choque.

Os sinais de alarme, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, incluem: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia maior que 2 cm e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais, em um paciente com suspeita de dengue, indica a necessidade de hidratação venosa imediata e internação para observação.

No caso apresentado, a paciente tem febre há 3 dias, dor abdominal intensa (8/10) e persistente, aumento do volume menstrual (possível sangramento), ascite laminar ao ultrassom, hemoconcentração (Ht 49% com Hb 10,2 g/dL) e plaquetopenia (82.000/mm³). Esses achados configuram a presença de sinais de alarme, especialmente a dor abdominal intensa e a ascite, tornando a reposição volêmica intravenosa a conduta imediata e prioritária.

A alternativa D está correta porque preconiza a reposição volêmica com 10 mL/kg na primeira hora, mesmo sem exames complementares, o que é exatamente a recomendação do protocolo para pacientes com sinais de alarme. As demais alternativas são inadequadas por não priorizarem a hidratação venosa imediata, que é a medida que pode salvar a vida do paciente nesse momento.

A distinção crucial é entre dengue sem sinais de alarme (grupo A e B), em que se orienta hidratação oral e acompanhamento ambulatorial, e dengue com sinais de alarme (grupo C), em que se indica hidratação venosa e internação. A presença de ascite e dor abdominal intensa coloca a paciente no grupo C, tornando a alternativa D a conduta correta.

A pegadinha da questão está em oferecer alternativas que parecem razoáveis, como solicitar sorologia ou realizar teste NS1, mas que não abordam a urgência da reposição volêmica. O candidato pode ser induzido a pensar que, antes de hidratar, é preciso confirmar o diagnóstico, mas no contexto de sinais de alarme, a conduta é imediata.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar sorologia para arboviroses é um passo diagnóstico, mas não é a conduta prioritária em um paciente com sinais de alarme. A confirmação sorológica não deve atrasar a reposição volêmica, que é a medida que previne o choque. Além disso, a sorologia pode ser negativa nos primeiros dias de doença, não devendo ser usada como critério para decisão terapêutica imediata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indicar internação para investigação etiológica e observação clínica é parcialmente correto, pois a paciente precisa de internação, mas a alternativa não menciona a reposição volêmica, que é a ação imediata e essencial. A internação por si só não trata a hipovolemia iminente; a hidratação venosa deve ser iniciada de imediato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Realizar teste NS1 e prova do laço são ferramentas diagnósticas e de avaliação, mas não são a conduta terapêutica imediata. O teste NS1 confirma a infecção, e a prova do laço avalia fragilidade capilar, mas nenhum dos dois substitui a reposição volêmica, que é a prioridade em paciente com sinais de alarme.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar reposição volêmica com 10 mL/kg na primeira hora, mesmo sem exames complementares, é a conduta correta. A paciente tem sinais de alarme (dor abdominal intensa, ascite, hemoconcentração, plaquetopenia), e o protocolo do Ministério da Saúde preconiza hidratação venosa imediata com cristaloide nessa situação, sem aguardar confirmação laboratorial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Orientar hidratação oral e retorno na presença de sinais de alarme é a conduta para pacientes sem sinais de alarme (grupo A/B). A paciente já apresenta sinais de alarme, portanto a hidratação oral não é suficiente; ela necessita de hidratação venosa e internação.

Gabarito: letra D

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