Dengue: conduta na suspeita de dengue com sinais de alarme
Gabarito: letra D. A paciente apresenta quadro compatível com dengue com sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, ascite, plaquetopenia e hemoconcentração), e a conduta imediata é iniciar reposição volêmica intravenosa com 10 mL/kg na primeira hora, mesmo antes de exames complementares, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A alternativa D é a única que aborda a urgência da reposição volêmica, essencial para prevenir o choque.
A dengue é uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, com amplo espectro clínico, desde formas oligossintomáticas até quadros graves com choque e óbito. A fisiopatologia da forma grave envolve aumento da permeabilidade vascular, levando a extravasamento de plasma para o terceiro espaço, o que explica a ascite, a hemoconcentração e a plaquetopenia. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é crucial para instituir a terapia de reidratação intravenosa oportuna e evitar a progressão para o choque.
Os sinais de alarme, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, incluem: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural, hepatomegalia maior que 2 cm e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais, em um paciente com suspeita de dengue, indica a necessidade de hidratação venosa imediata e internação para observação.
No caso apresentado, a paciente tem febre há 3 dias, dor abdominal intensa (8/10) e persistente, aumento do volume menstrual (possível sangramento), ascite laminar ao ultrassom, hemoconcentração (Ht 49% com Hb 10,2 g/dL) e plaquetopenia (82.000/mm³). Esses achados configuram a presença de sinais de alarme, especialmente a dor abdominal intensa e a ascite, tornando a reposição volêmica intravenosa a conduta imediata e prioritária.
A alternativa D está correta porque preconiza a reposição volêmica com 10 mL/kg na primeira hora, mesmo sem exames complementares, o que é exatamente a recomendação do protocolo para pacientes com sinais de alarme. As demais alternativas são inadequadas por não priorizarem a hidratação venosa imediata, que é a medida que pode salvar a vida do paciente nesse momento.
A distinção crucial é entre dengue sem sinais de alarme (grupo A e B), em que se orienta hidratação oral e acompanhamento ambulatorial, e dengue com sinais de alarme (grupo C), em que se indica hidratação venosa e internação. A presença de ascite e dor abdominal intensa coloca a paciente no grupo C, tornando a alternativa D a conduta correta.
A pegadinha da questão está em oferecer alternativas que parecem razoáveis, como solicitar sorologia ou realizar teste NS1, mas que não abordam a urgência da reposição volêmica. O candidato pode ser induzido a pensar que, antes de hidratar, é preciso confirmar o diagnóstico, mas no contexto de sinais de alarme, a conduta é imediata.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar sorologia para arboviroses é um passo diagnóstico, mas não é a conduta prioritária em um paciente com sinais de alarme. A confirmação sorológica não deve atrasar a reposição volêmica, que é a medida que previne o choque. Além disso, a sorologia pode ser negativa nos primeiros dias de doença, não devendo ser usada como critério para decisão terapêutica imediata.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indicar internação para investigação etiológica e observação clínica é parcialmente correto, pois a paciente precisa de internação, mas a alternativa não menciona a reposição volêmica, que é a ação imediata e essencial. A internação por si só não trata a hipovolemia iminente; a hidratação venosa deve ser iniciada de imediato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Realizar teste NS1 e prova do laço são ferramentas diagnósticas e de avaliação, mas não são a conduta terapêutica imediata. O teste NS1 confirma a infecção, e a prova do laço avalia fragilidade capilar, mas nenhum dos dois substitui a reposição volêmica, que é a prioridade em paciente com sinais de alarme.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Iniciar reposição volêmica com 10 mL/kg na primeira hora, mesmo sem exames complementares, é a conduta correta. A paciente tem sinais de alarme (dor abdominal intensa, ascite, hemoconcentração, plaquetopenia), e o protocolo do Ministério da Saúde preconiza hidratação venosa imediata com cristaloide nessa situação, sem aguardar confirmação laboratorial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Orientar hidratação oral e retorno na presença de sinais de alarme é a conduta para pacientes sem sinais de alarme (grupo A/B). A paciente já apresenta sinais de alarme, portanto a hidratação oral não é suficiente; ela necessita de hidratação venosa e internação.
Gabarito: letra D