A respeito do uso de hemoderivados no paciente grave, é correto afirmar que
Aas recomendações fundamentadas em pacientes hematológicos são para transfundir plaquetas de forma profilática, para manter níveis acima de 20.000, apesar de poucos estudos realizados em unidades de emergência.
Bo uso de plasma fresco, diferentemente dos demais hemocomponentes, não precisa ser compatível com o sistema ABO.
Co tempo de tromboplastina parcial e a razão normalizada internacional (RNI) são preditores de sangramento e ajudam na decisão de transfusão profilática de plasma fresco.
Dsão recomendados a suspensão imediata da transfusão e o início de corticoide, diante da suspeita de reação hemolítica transfusional aguda.
Eevitar o uso de hemoderivados (principalmente plasma) doados por mulheres multíparas é uma estratégia para reduzir a lesão pulmonar aguda induzida por transfusão (TRALI).
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GabaritoE — evitar o uso de hemoderivados (principalmente plasma) doados por mulheres multíparas é uma estratégia para reduzir a lesão pulmonar aguda induzida por transfusão (TRALI).
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Hemoderivados no Paciente Grave: Transfusão, Reações e Estratégias de Prevenção
Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que afirma que evitar o uso de hemoderivados (principalmente plasma) doados por mulheres multíparas é uma estratégia para reduzir a lesão pulmonar aguda induzida por transfusão (TRALI). Essa é uma medida reconhecida para diminuir a exposição a anticorpos anti-HLA e anti-granulócitos, presentes com maior frequência no plasma de mulheres que já tiveram múltiplas gestações, e que estão implicados na patogênese da TRALI. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre indicações de transfusão, compatibilidade ABO e manejo de reações transfusionais.
A transfusão de hemoderivados é uma terapia de suporte essencial no paciente grave, mas cada hemocomponente tem indicações precisas, riscos específicos e estratégias para minimizar complicações. A questão aborda exatamente esses pontos, exigindo do candidato o domínio das boas práticas transfusionais. Vamos analisar cada aspecto.
Transfusão de Plaquetas: A transfusão profilática de plaquetas é indicada para prevenir sangramento em pacientes trombocitopênicos, mas o limiar varia conforme a situação clínica. Para pacientes hematológicos em quimioterapia, o limiar clássico é de 10.000/µL, podendo ser elevado para 20.000/µL em situações de risco (febre, sepse). Para procedimentos invasivos, o limiar é de 50.000/µL, e para cirurgias neurológicas ou oftalmológicas, 100.000/µL. A alternativa A generaliza o limiar de 20.000/µL para todos os pacientes hematológicos, o que é incorreto, pois o limiar padrão é 10.000/µL, e 20.000/µL é para casos complicados.
Plasma Fresco Congelado (PFC): O PFC é indicado para repor fatores de coagulação em pacientes com sangramento ativo e coagulopatia, ou antes de procedimentos invasivos em pacientes com deficiência de fatores. A compatibilidade ABO é obrigatória, pois o plasma contém anticorpos anti-A e anti-B que podem reagir com as hemácias do receptor. A alternativa B está errada ao afirmar que o plasma não precisa ser compatível com o sistema ABO. Além disso, o tempo de tromboplastina parcial (TTPa) e a razão normalizada internacional (RNI) não são preditores confiáveis de sangramento, e a transfusão profilática de plasma não é recomendada com base apenas nesses exames, como afirma a alternativa C.
Reações Transfusionais: A reação hemolítica transfusional aguda é uma emergência que exige a suspensão imediata da transfusão, mas o tratamento inicial não é o corticoide, e sim a manutenção da diurese e suporte hemodinâmico. A alternativa D está incorreta ao indicar corticoide como primeira medida.
TRALI: A lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI) é uma complicação grave, e uma das estratégias de prevenção é evitar o uso de hemoderivados de doadoras multíparas, pois o plasma dessas mulheres pode conter anticorpos anti-HLA e anti-granulócitos que ativam neutrófilos e lesam o endotélio pulmonar. A alternativa E está correta.
Hemoderivados no paciente grave
1Plaquetas
Limiar profilático: 10.000/µL
20.000/µL: risco (febre, sepse)
50.000/µL: procedimento invasivo
100.000/µL: neurocirurgia/oftalmo
2Plasma fresco congelado
Compatibilidade ABO obrigatória
TTPa/RNI não predizem sangramento
Sem transfusão profilática por exame
3Reação hemolítica aguda
Suspender transfusão
Hidratação + diurético
Corticoide não é 1ª linha
4TRALI
Evitar plasma de multíparas
Reduz anticorpos anti-HLA
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as recomendações para pacientes hematológicos são transfundir plaquetas profilaticamente para manter níveis acima de 20.000/µL. Isso está incorreto, pois o limiar padrão para transfusão profilática em pacientes hematológicos estáveis é de 10.000/µL, conforme estabelecido por ensaios clínicos. O limiar de 20.000/µL é reservado para pacientes com fatores de risco, como febre ou sepse, e não é a recomendação geral. A banca troca o limiar padrão pelo limiar de risco, uma pegadinha clássica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o plasma fresco não precisa ser compatível com o sistema ABO, diferentemente dos demais hemocomponentes. Isso é falso. O plasma fresco congelado contém anticorpos anti-A e anti-B, e a transfusão de plasma incompatível pode causar hemólise das hemácias do receptor. A compatibilidade ABO é obrigatória para todos os hemocomponentes, incluindo o plasma. A banca inverte a regra de compatibilidade, levando o candidato a acreditar que o plasma é uma exceção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o tempo de tromboplastina parcial (TTPa) e a razão normalizada internacional (RNI) são preditores de sangramento e ajudam na decisão de transfusão profilática de plasma fresco. Isso é incorreto. O TTPa e a RNI são testes de coagulação que avaliam a via intrínseca e extrínseca, respectivamente, mas não são preditores confiáveis de sangramento. A transfusão profilática de plasma não é recomendada com base apenas nesses exames, pois a correlação entre alterações laboratoriais e risco de sangramento é fraca. A banca confunde a utilidade dos testes de coagulação com a indicação de transfusão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, diante da suspeita de reação hemolítica transfusional aguda, são recomendados a suspensão imediata da transfusão e o início de corticoide. A suspensão imediata é correta, mas o início de corticoide não é a primeira medida. O manejo inicial da reação hemolítica aguda envolve a manutenção da diurese com hidratação e diuréticos, suporte hemodinâmico e monitorização. O corticoide não é indicado como tratamento de primeira linha. A banca troca a conduta correta por uma medida que não é a principal.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que evitar o uso de hemoderivados (principalmente plasma) doados por mulheres multíparas é uma estratégia para reduzir a lesão pulmonar aguda induzida por transfusão (TRALI). Isso está correto. A TRALI é causada pela ativação de neutrófilos no pulmão por anticorpos presentes no plasma do doador, especialmente anti-HLA e anti-granulócitos, que são mais comuns em mulheres que tiveram múltiplas gestações. Evitar o uso de plasma de doadoras multíparas reduz a exposição a esses anticorpos e, consequentemente, o risco de TRALI. Essa é uma medida de prevenção reconhecida.
Conclusão: A alternativa correta é a letra E, pois a prevenção da TRALI inclui evitar hemoderivados de doadoras multíparas. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre limiares de transfusão, compatibilidade ABO, preditores de sangramento e manejo de reações transfusionais.