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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
qg031337
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Intensivista Rotineiro
Em relação à hemorragia digestiva alta, assinale a alternativa correta.
  1. ANa vigência de choque como apresentação clínica inicial, a taxa de hemoglobina deve ser utilizada para guiar a terapia transfusional.
  2. BNos quadros com hipotensão e taquicardia, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada na emergência, antes mesmo da estabilização clínica.
  3. CA terapia farmacológica, como, por exemplo, com terlipressina, na hemorragia digestiva alta por varizes de esôfago, deve ser iniciada no momento da suspeita clínica.
  4. DPelo risco de ressangramento aumentado da hemorragia digestiva alta por varizes de esôfago, deve‑se manter a hemoglobina entre 9 e 10 g/dL.
  5. ENo tratamento da hemorragia digestiva alta varicosa, os métodos endoscópicos, como injeção local de fármaco e método mecânico, possuem eficácia semelhante.
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GabaritoC — A terapia farmacológica, como, por exemplo, com terlipressina, na hemorragia digestiva alta por varizes de esôfago, deve ser iniciada no momento da suspeita clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia Digestiva Alta: Manejo Inicial e Terapia Farmacológica

Gabarito: letra C. Na hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes de esôfago, a terapia farmacológica com vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina, octreotida, somatostatina) deve ser iniciada imediatamente na suspeita clínica, antes mesmo da confirmação endoscópica, pois reduz a pressão portal e o sangramento ativo. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre transfusão, timing da endoscopia e alvo de hemoglobina.

A hemorragia digestiva alta é definida como sangramento intraluminal proximal ao ligamento de Treitz, envolvendo esôfago, estômago ou duodeno. Sua apresentação clássica inclui hematêmese, melena e, em casos graves, hematoquezia. O manejo inicial segue uma abordagem sistemática — o mnemônico PRAT: Priorizar, Reanimar, Avaliar e Tratar. A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica e, se necessário, transfusão de hemocomponentes, antes de qualquer procedimento diagnóstico ou terapêutico invasivo.

Na suspeita de HDA varicosa, a terapia farmacológica com vasoativos (terlipressina, octreotida ou somatostatina) deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente no momento da admissão, antes da endoscopia. Essa conduta reduz a pressão portal, diminui o sangramento ativo e facilita o tratamento endoscópico. A endoscopia digestiva alta, por sua vez, é o exame de escolha e deve ser realizada precocemente — nas primeiras 24 horas, ou em até 12 horas em pacientes instáveis — mas nunca antes da estabilização clínica.

A transfusão de hemácias na HDA deve seguir uma estratégia restritiva, com alvo de hemoglobina entre 7 e 9 g/dL. Essa recomendação é particularmente importante na HDA varicosa, pois a transfusão liberal (Hb > 9 g/dL) está associada a aumento da pressão portal, maior risco de ressangramento e piores desfechos. A decisão transfusional deve ser guiada por parâmetros clínicos e hemodinâmicos, e não apenas pelo valor isolado de hemoglobina, especialmente em pacientes com choque.

A distinção central que separa as alternativas é o momento de cada intervenção: a terapia farmacológica é iniciada na suspeita clínica (antes da endoscopia), enquanto a endoscopia exige estabilização prévia, e a transfusão segue alvo restritivo. Guarde essa sequência: suspeita → droga vasoativa → estabilização → endoscopia precoce → terapia endoscópica + manutenção da droga por 3 dias se etiologia confirmada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, na vigência de choque, a taxa de hemoglobina deve guiar a terapia transfusional. Isso está errado: em pacientes com choque hipovolêmico, a hemoglobina inicial pode estar falsamente normal devido à hemoconcentração, não refletindo a real perda sanguínea. A decisão transfusional deve ser guiada por parâmetros clínicos e hemodinâmicos (frequência cardíaca, pressão arterial, perfusão periférica, diurese), e não pelo valor isolado de hemoglobina. A hemoglobina é útil para monitorar a resposta após a reposição volêmica inicial, mas não para guiar a transfusão no momento do choque.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa propõe que a endoscopia digestiva alta seja realizada na emergência, antes da estabilização clínica, em quadros de hipotensão e taquicardia. Isso é incorreto e perigoso: a prioridade absoluta é a reanimação e estabilização hemodinâmica antes de qualquer procedimento invasivo. A endoscopia em paciente instável aumenta o risco de complicações (hipotensão, aspiração, parada cardiorrespiratória). A conduta correta é estabilizar o paciente (reposição volêmica, transfusão se necessário) e então realizar a endoscopia precocemente — em até 12 horas nos instáveis, ou 24 horas nos estáveis.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta: na suspeita de HDA por varizes de esôfago, a terapia farmacológica com vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina, octreotida, somatostatina) deve ser iniciada imediatamente, no momento da suspeita clínica, antes da confirmação endoscópica. Essa conduta reduz a pressão portal, diminui o sangramento ativo e melhora os desfechos. Os medicamentos vasoativos devem ser mantidos por 3 dias se a etiologia varicosa for confirmada na endoscopia. A terlipressina é um análogo da vasopressina com menos efeitos colaterais, e a octreotida é um análogo da somatostatina — ambos eficazes na redução da pressão portal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, pelo risco de ressangramento, deve-se manter a hemoglobina entre 9 e 10 g/dL na HDA varicosa. Isso é incorreto: a transfusão liberal (Hb > 9 g/dL) está associada a piores desfechos e maior risco de ressangramento na HDA varicosa, pois aumenta a pressão portal e retroalimenta o mecanismo do sangramento. O alvo correto é restritivo, mantendo a hemoglobina entre 7 e 9 g/dL. A transfusão liberal é justamente o que se deve evitar nesses pacientes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os métodos endoscópicos (injeção local de fármaco e método mecânico) possuem eficácia semelhante no tratamento da HDA varicosa. Isso é incorreto: a ligadura elástica (método mecânico) é superior à escleroterapia (injeção de fármaco) no tratamento das varizes esofágicas, com menores taxas de ressangramento, complicações e mortalidade. A escleroterapia endoscópica, inclusive, não é recomendada na profilaxia primária, pois está associada a aumento do risco de sangramento varicoso. A ligadura elástica é o método de escolha.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o momento de cada intervenção na HDA. O candidato tende a achar que a endoscopia deve ser feita "o quanto antes", mesmo sem estabilização (alternativa B), ou que a transfusão liberal protege contra o ressangramento (alternativa D). Na verdade, a sequência correta é: suspeita clínica → droga vasoativa imediata → estabilização hemodinâmica → endoscopia precoce (12-24h) → terapia endoscópica + manutenção da droga por 3 dias. E a transfusão é restritiva (Hb 7-9 g/dL), não liberal. Com esse raciocínio, você elimina as alternativas A, B, D e E de uma vez.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar o manejo da HDA varicosa, memorize a sequência "droga → estabiliza → endoscopia" e o alvo transfusional "7 a 9". Na prova, desconfie de alternativas que proponham transfusão liberal (Hb > 9) ou endoscopia antes da estabilização — ambas são erros clássicos. E lembre: a ligadura elástica é superior à escleroterapia, que caiu em desuso.

Gabarito: letra C

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