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Questão de Medicina — Nefrologia — Quadrix 2023

MedicinaNefrologia
Código
qg031360
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
Assinale a alternativa que apresenta em qual situação clínica abaixo, na hipertensão renovascular, está indicada intervenção endovascular com angioplatia/stent ou revascularização cirúrgica.
  1. APacientes com conduta hipertensiva otimizada e bom controle pressórico.
  2. BPacientes com boa tolerância aos anti‑hipertensivos e mantendo função renal estável e bom controle pressórico.
  3. CPacientes com lesão estenótica unilateral e função renal preservada e bom controle pressórico.
  4. DPacientes com edema agudo de pulmão recorrente e insuficiência cardíaca refratária.
  5. EPacientes com elevação de pressão de longa data e, portanto, com preditor clínico de boa resposta com queda da pressão arterial após revascularização.
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GabaritoD — Pacientes com edema agudo de pulmão recorrente e insuficiência cardíaca refratária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão Renovascular: Indicações de Revascularização

Gabarito: letra D. Na hipertensão renovascular, a intervenção endovascular (angioplastia/stent) ou a revascularização cirúrgica está indicada em situações de alto risco ou refratariedade ao tratamento clínico, como no caso de edema agudo de pulmão recorrente e insuficiência cardíaca refratária. Essa indicação baseia-se nas diretrizes de hipertensão arterial, que listam o edema pulmonar como uma das principais pistas clínicas e situações em que a revascularização deve ser considerada.

A hipertensão renovascular é uma causa secundária e potencialmente reversível de hipertensão arterial, resultante da estenose (estreitamento) de uma ou ambas as artérias renais. As duas principais etiologias são a aterosclerose (mais comum em idosos, correspondendo a cerca de 85% dos casos) e a displasia fibromuscular (mais comum em mulheres jovens, cerca de 15% dos casos). A fisiopatologia envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) devido à redução do fluxo sanguíneo renal, levando à hipertensão renina-dependente na estenose unilateral, e à retenção de sódio e água, com hipertensão volume-dependente, na estenose bilateral ou em rim único.

O tratamento da hipertensão renovascular envolve, inicialmente, a otimização da terapia anti-hipertensiva e o controle dos fatores de risco cardiovascular. No entanto, a revascularização (por angioplastia com ou sem stent, ou cirurgia) é reservada para situações específicas em que o benefício supera os riscos do procedimento. As indicações clássicas para revascularização incluem: hipertensão refratária ao tratamento medicamentoso otimizado, insuficiência renal progressiva, estenose bilateral significativa ou estenose em rim único funcionante, e episódios recorrentes de edema agudo de pulmão (flash pulmonary edema) ou insuficiência cardíaca congestiva de difícil controle. Essas situações representam um alto risco cardiovascular e a correção da estenose pode melhorar o controle pressórico e a função renal, além de prevenir novos eventos.

A decisão de revascularizar deve ser individualizada, considerando a etiologia da estenose (displasia fibromuscular responde muito bem à angioplastia, enquanto na aterosclerose os resultados são mais variáveis), o grau de estenose, a função renal e a presença de comorbidades. É fundamental distinguir as situações em que a revascularização é claramente indicada daquelas em que o tratamento clínico otimizado é a conduta preferencial. Pacientes com bom controle pressórico, boa tolerância aos anti-hipertensivos e função renal estável, mesmo com estenose significativa, geralmente não se beneficiam da revascularização, pois o risco do procedimento pode superar o benefício potencial. A presença de edema agudo de pulmão recorrente, por outro lado, é uma indicação forte, pois representa uma complicação grave e potencialmente fatal da hipertensão renovascular, que pode ser revertida com a correção da estenose.

A banca explora a confusão entre os critérios de indicação e contraindicação da revascularização. O candidato pode ser induzido a escolher alternativas que descrevem pacientes estáveis e bem controlados, que na verdade são candidatos ao tratamento clínico, e não à intervenção. A chave é identificar a situação de maior gravidade e refratariedade, que é o edema agudo de pulmão recorrente, uma emergência hipertensiva que indica a necessidade de revascularização urgente.

Revascularização na hipertensão renovascular
  • 1Indicada (alto risco/refratariedade)
    • Edema agudo de pulmão recorrente
    • Insuficiência cardíaca refratária
    • Hipertensão refratária ao tratamento
    • Insuficiência renal progressiva
    • Estenose bilateral ou em rim único
  • 2Não indicada (tratamento clínico)
    • Bom controle pressórico
    • Boa tolerância aos anti-hipertensivos
    • Função renal estável
    • Estenose unilateral sem complicações
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Pacientes com conduta hipertensiva otimizada e bom controle pressórico não têm indicação de revascularização. Essa situação descreve um paciente estável, em que o tratamento clínico está sendo eficaz, e a intervenção não traria benefício adicional, apenas riscos. A revascularização é reservada para casos de refratariedade ou complicações, não para pacientes bem controlados.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pacientes com boa tolerância aos anti-hipertensivos, função renal estável e bom controle pressórico também não são candidatos à revascularização. A boa tolerância e o controle pressórico adequado indicam que o tratamento clínico é suficiente e bem-sucedido, não havendo justificativa para um procedimento invasivo. A estabilidade da função renal reforça que não há progressão da doença que exija intervenção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Pacientes com lesão estenótica unilateral e função renal preservada e bom controle pressórico não têm indicação de revascularização. A estenose unilateral, sem comprometimento da função renal e com bom controle pressórico, pode ser manejada clinicamente. A revascularização seria considerada se houvesse hipertensão refratária, piora da função renal ou outras complicações, o que não é o caso descrito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pacientes com edema agudo de pulmão recorrente e insuficiência cardíaca refratária têm indicação de revascularização. O edema agudo de pulmão é uma complicação grave da hipertensão renovascular, frequentemente desencadeado pela estenose de artéria renal, e sua recorrência indica um alto risco cardiovascular. A revascularização, nesse contexto, pode prevenir novos episódios e melhorar o controle da insuficiência cardíaca, sendo uma indicação clássica e bem estabelecida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Pacientes com elevação de pressão de longa data e, portanto, com preditor clínico de boa resposta com queda da pressão arterial após revascularização. Esta alternativa está incorreta por dois motivos: primeiro, a hipertensão de longa data não é um preditor de boa resposta à revascularização; na verdade, a resposta pressórica é melhor em pacientes com hipertensão de início recente ou com piora recente. Segundo, a simples elevação da pressão de longa data, sem outras indicações (como refratariedade ou complicações), não justifica a revascularização.

Gabarito: letra D

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