Doença renal crônica avançada, estágio 5, pode evoluir com sinais e sintomas de necessidade de início de diálise. Existem sintomas que urgenciam o início da diálise e outros que indicam intoxicação crônica que requerem início de diálise não emergencial, mas que podem ser potencialmente resolvidos ou melhorados com diálise. Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta uma situação que pode ser conduzida sem diálise.
Apresença de pericardite ou pleurite.
Bsíndrome das pernas inquietas.
Csobrecarga volêmica com ou sem uso de diuréticos.
Dprurido persistente.
Eevidência de mal nutrição.
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GabaritoC — sobrecarga volêmica com ou sem uso de diuréticos.
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Indicações de diálise na doença renal crônica avançada
Gabarito: letra C. A sobrecarga volêmica, mesmo na doença renal crônica (DRC) estágio 5, pode ser conduzida inicialmente sem diálise, com uso de diuréticos de alça em altas doses e restrição hídrica e de sódio, reservando-se a diálise para os casos refratários. As demais alternativas (pericardite/pleurite, síndrome das pernas inquietas, prurido persistente e evidência de má nutrição) representam indicações clássicas de início de diálise, sejam elas urgentes ou não emergenciais, conforme as diretrizes de nefrologia.
A doença renal crônica é a perda progressiva e irreversível da função renal, classificada em estágios conforme a taxa de filtração glomerular (TFG). No estágio 5, a TFG é inferior a 15 mL/min/1,73m², e o paciente pode desenvolver a chamada síndrome urêmica, um conjunto de sinais e sintomas decorrentes do acúmulo de toxinas que normalmente seriam excretadas pelos rins. A diálise tem como objetivo substituir parcialmente essa função excretora, removendo essas toxinas e corrigindo distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos.
A decisão de iniciar a diálise não se baseia apenas no valor da TFG, mas principalmente na presença de sintomas e complicações da uremia. Algumas dessas complicações são consideradas indicações absolutas e urgentes para o início da diálise, como a pericardite urêmica, a encefalopatia urêmica, a hipercalemia refratária e o edema agudo de pulmão refratário. Outras, embora não sejam emergenciais, também indicam a necessidade de diálise por serem potencialmente reversíveis com a terapia, como a síndrome das pernas inquietas, o prurido persistente e a desnutrição.
A sobrecarga volêmica, por sua vez, ocupa uma posição particular. Ela é uma complicação comum da DRC avançada, resultante da redução da excreção de sódio e água. Em muitos casos, pode ser manejada clinicamente com restrição de sódio e líquidos, associada ao uso de diuréticos de alça em doses elevadas (como furosemida), que ainda podem ter algum efeito mesmo com TFG muito baixa. A diálise fica reservada para os casos em que essa abordagem clínica não é suficiente para controlar a volemia, como no edema agudo de pulmão refratário. Portanto, a simples presença de sobrecarga volêmica, sem refratariedade ao tratamento clínico, não é, por si só, uma indicação imediata de diálise.
A banca explora exatamente essa distinção: enquanto as outras alternativas listam condições que são indicações formais de diálise (urgentes ou não), a sobrecarga volêmica é a única que pode ser inicialmente conduzida sem o procedimento, desde que haja resposta ao tratamento clínico. O candidato que não conhece essa nuance pode marcar qualquer uma das outras opções, por considerá-las todas "graves" ou "sintomáticas".
NÃO CAIA NESSA!
A banca induz o candidato a escolher uma condição que parece "grave" e, portanto, indicativa de diálise. A sobrecarga volêmica é grave, mas a questão pergunta o que pode ser conduzido sem diálise — e ela pode, desde que haja resposta aos diuréticos. As demais (pericardite, prurido, pernas inquietas, desnutrição) são indicações clássicas de diálise, mesmo que não emergenciais.
Indicações de diálise na DRC estágio 5
1Urgentes/absolutas
Pericardite/pleurite urêmica
Encefalopatia urêmica
Hipercalemia refratária
Edema agudo de pulmão refratário
2Não emergenciais (melhoram com diálise)
Síndrome das pernas inquietas
Prurido persistente
Desnutrição
3Conduzíveis sem diálise
Sobrecarga volêmica
Diuréticos de alça em altas doses
Restrição de sódio e líquidos
Refratariedade → indica diálise
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A pericardite urêmica é uma complicação grave e uma indicação absoluta e urgente de diálise. O acúmulo de toxinas urêmicas causa inflamação do pericárdio, podendo evoluir para derrame pericárdico e tamponamento cardíaco, uma emergência médica. A pleurite urêmica, embora menos grave, também é uma indicação de diálise. Portanto, não pode ser conduzida sem diálise.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome das pernas inquietas é um sintoma comum na uremia, caracterizado por desconforto e necessidade irresistível de mover as pernas, principalmente em repouso. Embora não seja uma emergência, é uma indicação de diálise, pois o procedimento pode melhorar ou resolver o sintoma ao remover as toxinas responsáveis. Não é uma condição que possa ser conduzida sem diálise a longo prazo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sobrecarga volêmica, com ou sem uso de diuréticos, é a única alternativa que pode ser inicialmente conduzida sem diálise. O manejo clínico inclui restrição de sódio e líquidos, além do uso de diuréticos de alça em altas doses. A diálise é indicada apenas quando essa abordagem falha, resultando em edema agudo de pulmão ou hipertensão refratária. A questão pergunta o que pode ser conduzido sem diálise, e a sobrecarga volêmica se encaixa nesse critério.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O prurido persistente é um sintoma urêmico clássico, frequentemente intenso e refratário ao tratamento clínico. É uma indicação de diálise, pois a remoção das toxinas urêmicas pode aliviar o sintoma. Embora não seja uma emergência, não é uma condição que possa ser conduzida indefinidamente sem diálise.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A evidência de má nutrição (desnutrição) na DRC avançada é uma indicação de diálise. A uremia causa anorexia, alterações do paladar e estado catabólico, levando à perda de massa muscular e de peso. A diálise pode melhorar o estado nutricional ao remover toxinas que suprimem o apetite e promovem o catabolismo. Portanto, não é uma condição que possa ser conduzida sem diálise.