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Questão de Medicina — Nefrologia — Quadrix 2023

MedicinaNefrologia
Código
qg031365
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
A administração de contraste iodado pode levar à injúria renal aguda potencialmente reversível e seu desenvolvimento está associado a fatores de risco. Em relação a isso, é correto afirmar que
  1. Aprocedimentos com infusão de contraste arterial ou venoso tem o mesmo risco de desencadear nefropatia do contraste.
  2. Ba quantidade de contraste e o tipo de contraste, não iônico e iônico, hiperosmolar, hiposmolar ou isosmolar não interfere na evolução da nefropaia.
  3. Ca expansão volêmica é mandatória para prevenir nefropatia do contraste, em pacientes com função renal preservada sem depleção de volume.
  4. Da presença de proteinúria aumenta o risco de desenvolvimento de nefropatia do contraste, em pacientes com redução da filtração glomerular (RFG < 60 ml/min).
  5. Epacientes com insuficiência cardíaca não são considerados de alto risco para nefropatia do contraste.
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GabaritoD — a presença de proteinúria aumenta o risco de desenvolvimento de nefropatia do contraste, em pacientes com redução da filtração glomerular (RFG < 60 ml/min).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefropatia por Contraste: Fatores de Risco e Prevenção

Gabarito: letra D. A presença de proteinúria é um fator de risco reconhecido para o desenvolvimento de nefropatia por contraste, especialmente em pacientes com doença renal crônica (RFG < 60 ml/min). As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a via de administração, o tipo de contraste, a expansão volêmica e a insuficiência cardíaca.

A nefropatia induzida por contraste (NIC) é uma forma de lesão renal aguda (LRA) que ocorre após a administração de meio de contraste iodado, geralmente em procedimentos diagnósticos ou terapêuticos. A fisiopatologia envolve vasoconstrição renal, hipóxia medular e toxicidade direta das células tubulares. A injúria é usualmente reversível, mas pode evoluir para necessidade de diálise em casos graves. O reconhecimento dos fatores de risco é essencial para a prevenção, pois permite identificar pacientes que se beneficiariam de medidas profiláticas.

Os principais fatores de risco para NIC incluem: doença renal crônica (creatinina > 1,5 mg/dL ou clearance < 60 mL/min), diabetes mellitus, idade avançada, proteinúria, insuficiência cardíaca congestiva, depleção de volume, mieloma múltiplo, uso concomitante de drogas nefrotóxicas e grande volume de contraste. A tabela de Mehran et al. (2004) quantifica esses riscos, atribuindo pontos a cada fator e correlacionando a pontuação total com a probabilidade de desenvolver NIC e de evoluir para diálise.

A prevenção da NIC baseia-se em três pilares: (1) usar o menor volume possível de contraste; (2) optar por contrastes de baixa ou iso-osmolaridade, especialmente em pacientes de risco; e (3) realizar expansão volêmica com solução isotônica ou bicarbonatada antes e após o procedimento. A hidratação é mandatória apenas em pacientes com depleção de volume ou função renal reduzida, não em todos os pacientes com função renal preservada. A insuficiência cardíaca, por sua vez, é um fator de risco clássico, pois a congestão e a baixa perfusão renal aumentam a vulnerabilidade à lesão.

A pegadinha desta questão está na alternativa C: a expansão volêmica é frequentemente citada como medida preventiva, mas a banca explora a nuance de que ela não é "mandatória" em pacientes com função renal preservada e sem depleção de volume. A alternativa D, por outro lado, está correta ao afirmar que a proteinúria aumenta o risco em pacientes com RFG < 60 ml/min, pois a proteinúria é um marcador de doença renal crônica e está associada a maior risco de progressão da lesão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que procedimentos com infusão de contraste arterial ou venoso têm o mesmo risco de desencadear nefropatia do contraste é incorreta. A via de administração influencia o risco: a infusão arterial (como em angiografias) expõe os rins a uma maior concentração de contraste diretamente na circulação sistêmica, enquanto a infusão venosa (como em tomografias) resulta em menor pico de concentração renal. Estudos mostram que o risco de NIC é maior com a administração arterial, especialmente em procedimentos cardíacos, devido ao maior volume e à maior concentração do agente que chega aos rins.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que a quantidade e o tipo de contraste não interferem na evolução da nefropatia, o que é falso. O volume de contraste é um fator de risco diretamente proporcional: quanto maior o volume, maior o risco. Além disso, o tipo de contraste é crucial: contrastes iônicos e hiperosmolares (1.400-1.800 mOsm/kg) são mais nefrotóxicos, enquanto contrastes não iônicos, iso-osmolares (até 320 mOsm/kg) ou de baixa osmolaridade (até 645 mOsm/kg) apresentam menor risco. A tabela de prevenção do material de apoio recomenda explicitamente "usar o menor volume possível de contraste iodado" e "optar pelo uso de contraste isosmolar ou de baixa osmolaridade" em pacientes de risco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a expansão volêmica é mandatória para prevenir nefropatia do contraste em pacientes com função renal preservada sem depleção de volume. Isso é incorreto. A expansão volêmica é indicada principalmente em pacientes com depleção de volume ou com função renal reduzida, pois nesses casos a hidratação ajuda a manter a perfusão renal e a diluir o contraste. Em pacientes com função renal preservada e sem depleção de volume, a hidratação não é mandatória, pois o risco de NIC é baixo e a expansão volêmica desnecessária pode causar sobrecarga de volume, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D está correta ao afirmar que a presença de proteinúria aumenta o risco de desenvolvimento de nefropatia do contraste em pacientes com redução da filtração glomerular (RFG < 60 ml/min). A proteinúria é um marcador de doença renal crônica e está associada a maior risco de progressão da lesão renal. No contexto da NIC, a proteinúria indica lesão glomerular preexistente, o que torna o rim mais vulnerável à toxicidade do contraste. A tabela de fatores de risco do material de apoio lista a proteinúria como um fator de risco para evolução de nefropatia por contraste, e a redução da RFG (< 60 ml/min) é um dos principais preditores de risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que pacientes com insuficiência cardíaca não são considerados de alto risco para nefropatia do contraste, o que é falso. A insuficiência cardíaca congestiva é um fator de risco clássico e bem documentado para NIC. A tabela de Mehran et al. (2004) atribui 5 pontos para insuficiência cardíaca congestiva classe III ou IV ou história de edema agudo de pulmão, o que contribui significativamente para a pontuação total de risco. A insuficiência cardíaca reduz a perfusão renal e aumenta a congestão venosa, tornando os rins mais suscetíveis à lesão por contraste.

Gabarito: letra D

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