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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg031372
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neonatologia
Um recém‑nascido prematuro extremo evoluiu, após o nascimento, com desconforto respiratório, gemência e cianose. Foi realizada, então, uma radiografia de tórax, que evidenciou aspecto reticulogranular difuso com broncogramas aéreos. Não foi realizado corticoide antenatal.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto e a respectiva conduta.
  1. Asíndrome do desconforto respiratório; e realizar corticoide
  2. Bcardiopatia congênita cianótica; e realizar surfactante exógeno
  3. Csíndrome de aspiração de mecônio; e realizar corticoide
  4. Dtaquipneia transitória do recém‑nascido; e iniciar antibióticos
  5. Esíndrome do desconforto respiratório; e realizar surfactante exógeno
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GabaritoE — síndrome do desconforto respiratório; e realizar surfactante exógeno

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-Nascido (SDR) — Diagnóstico e Conduta

Gabarito: letra E. O quadro clínico (prematuridade, desconforto respiratório, gemência, cianose) associado à radiografia de tórax com aspecto reticulogranular difuso e broncogramas aéreos é clássico da síndrome do desconforto respiratório (SDR) do recém-nascido, também chamada de doença da membrana hialina. A conduta de primeira linha, nesse cenário, é a reposição de surfactante exógeno — e não o corticoide, que é uma medida antenatal (profilática, antes do nascimento) e não tem papel no tratamento do quadro já instalado.

A SDR é a principal causa de desconforto respiratório no prematuro. Ela ocorre pela deficiência quantitativa e qualitativa de surfactante pulmonar, substância produzida pelos pneumócitos tipo II que reduz a tensão superficial alveolar. Sem surfactante, os alvéolos colapsam ao final da expiração (atelectasia progressiva), gerando hipoxemia, trabalho respiratório aumentado e o padrão radiológico típico. O diagnóstico é essencialmente clínico-radiológico: o recém-nascido prematuro apresenta, nas primeiras horas de vida, taquipneia, gemência (expiração contra glote fechada, tentativa de gerar pressão positiva ao final da expiração), retrações intercostais, batimento de asa nasal e cianose. Na radiografia, o padrão reticulogranular difuso ("vidro moído") com broncogramas aéreos reflete a atelectasia alveolar difusa com ar nos brônquios, que permanecem pérvios.

A conduta na SDR envolve, além do suporte respiratório (oxigenoterapia, CPAP nasal ou ventilação mecânica conforme a gravidade), a administração de surfactante exógeno — via endotraqueal, preferencialmente de forma precoce (nas primeiras 2 horas de vida, ou mesmo profilaticamente em prematuros extremos). O corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) é indicado para acelerar a maturação pulmonar fetal quando há risco de parto prematuro iminente — ou seja, é uma medida preventiva, administrada à mãe antes do nascimento, e não uma conduta terapêutica após o diagnóstico. Por isso, a alternativa que associa "SDR + corticoide" como conduta está errada: o corticoide não trata a SDR já instalada.

É importante distinguir a SDR das outras causas de desconforto respiratório neonatal, pois a conduta muda radicalmente. A taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN) é um quadro benigno e autolimitado, causado por retardo na reabsorção do líquido pulmonar fetal, mais comum em recém-nascidos a termo ou próximos do termo, com radiografia mostrando congestão hilar e hiperinsuflação — não o padrão reticulogranular. A síndrome de aspiração de mecônio (SAM) ocorre em recém-nascidos que aspiraram mecônio intraútero, tipicamente a termo ou pós-termo, com radiografia mostrando opacidades grosseiras e irregulares, hiperinsuflação e atelectasias — não o padrão reticulogranular difuso. A cardiopatia congênita cianótica pode cursar com cianose, mas a radiografia não mostra o padrão reticulogranular com broncogramas aéreos, e a conduta não é surfactante. A pneumonia congênita/sepsemia pode mimetizar a SDR, mas o tratamento é antibiótico — e a radiografia costuma mostrar infiltrados assimétricos, não o padrão reticulogranular difuso típico.

A pegadinha central desta questão está em não confundir o corticoide antenatal (profilático) com o surfactante exógeno (terapêutico). O enunciado informa que "não foi realizado corticoide antenatal" — isso apenas reforça o risco de SDR, mas não muda a conduta após o diagnóstico: o surfactante é o tratamento. Guarde a fronteira: corticoide = antes do nascimento (prevenção); surfactante = depois do nascimento (tratamento). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

1SDR (prematuro)
Radiografia: reticulogranular difuso
Conduta: surfactante exógeno
2TTRN (termo)
Radiografia: congestão hilar
Conduta: suporte
3SAM (mecônio)
Radiografia: opacidades grosseiras
Conduta: suporte
4Pneumonia/sepsemia
Radiografia: infiltrados assimétricos
Conduta: antibióticos
5Cardiopatia cianótica
Radiografia: fluxo pulmonar diminuído
Conduta: prostaglandina E1
Desconforto respiratório neonatal
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Desconforto respiratório neonatal: SDR (prematuro) (Radiografia: reticulogranular difuso, Conduta: surfactante exógeno); TTRN (termo) (Radiografia: congestão hilar, Conduta: suporte); SAM (mecônio) (Radiografia: opacidades grosseiras, Conduta: suporte); Pneumonia/sepsemia (Radiografia: infiltrados assimétricos, Conduta: antibióticos); Cardiopatia cianótica (Radiografia: fluxo pulmonar diminuído, Conduta: prostaglandina E1)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O diagnóstico está correto (SDR), mas a conduta está errada: corticoide não é tratamento para a SDR já instalada. O corticoide antenatal é uma medida profilática, administrada à mãe antes do parto prematuro para acelerar a maturação pulmonar fetal. Após o nascimento, com o quadro instalado, a conduta é o surfactante exógeno.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O diagnóstico está errado: o quadro clínico-radiológico descrito (prematuridade + padrão reticulogranular difuso com broncogramas aéreos) é típico de SDR, não de cardiopatia congênita cianótica. Além disso, a conduta (surfactante) não se aplica à cardiopatia, cujo manejo envolve estabilização hemodinâmica, prostaglandina E1 (para manter o canal arterial pérvio) e correção cirúrgica, conforme o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O diagnóstico está errado: a síndrome de aspiração de mecônio (SAM) ocorre em recém-nascidos que aspiraram mecônio, tipicamente a termo ou pós-termo, e a radiografia mostra opacidades grosseiras, hiperinsuflação e atelectasias — não o padrão reticulogranular difuso. Além disso, a conduta (corticoide) não se aplica à SAM, cujo manejo envolve suporte respiratório e, em casos graves, surfactante (em alguns protocolos) — mas não corticoide.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O diagnóstico está errado: a taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN) é um quadro benigno e autolimitado, mais comum em recém-nascidos a termo ou próximos do termo, com radiografia mostrando congestão hilar e hiperinsuflação — não o padrão reticulogranular difuso com broncogramas aéreos. A conduta (antibióticos) não se aplica à TTRN, que é tratada com suporte respiratório e observação; antibióticos são indicados quando há suspeita de pneumonia/sepsemia.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diagnóstico está correto: o quadro clínico (prematuridade, desconforto respiratório, gemência, cianose) associado à radiografia com padrão reticulogranular difuso e broncogramas aéreos é clássico da síndrome do desconforto respiratório (SDR) do recém-nascido. A conduta está correta: administração de surfactante exógeno via endotraqueal, que é o tratamento específico para a deficiência de surfactante. O corticoide antenatal, que não foi realizado, seria uma medida profilática — mas não é a conduta terapêutica após o diagnóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre corticoide antenatal (profilático, antes do nascimento) e surfactante exógeno (terapêutico, após o nascimento). O enunciado diz que "não foi realizado corticoide antenatal" — isso apenas aumenta o risco de SDR, mas não muda a conduta após o diagnóstico. O candidato que associa "prematuro + SDR" a "corticoide" cai na alternativa A. Lembre-se: corticoide é para a mãe, antes do parto; surfactante é para o recém-nascido, depois do nascimento. 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental das causas de desconforto respiratório neonatal e seus achados radiológicos:

Causa

Perfil do RN

Radiografia

Conduta

SDR

Prematuro

Reticulogranular difuso + broncogramas aéreos

Surfactante exógeno

TTRN

Termo/próximo do termo

Congestão hilar, hiperinsuflação

Suporte, observação

SAM

Termo/pós-termo, mecônio

Opacidades grosseiras, hiperinsuflação

Suporte, surfactante em casos graves

Pneumonia/sepsemia

Qualquer

Infiltrados assimétricos

Antibióticos

Cardiopatia cianótica

Termo

Cardiomegalia, fluxo pulmonar diminuído

Prostaglandina E1, cirurgia

Gabarito: letra E

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