Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031375
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neonatologia
Em relação às cardiopatias congênitas, assinale a alternativa correta.
ANas cardiopatias com fluxo pulmonar dependente de canal arterial, o quadro clínico principal é de cianose em repouso ou às mamadas. Um exemplo de doença desse grupo é a interrupção do arco aórtico.
BUma das ferramentas utilizadas para o diagnóstico de cardiopatias congênitas dependentes de canal arterial é a oximetria de pulso na triagem neonatal, já que o diagnóstico por meio do ecocardiograma fetal é possível apenas em uma minoria dos casos.
CA oxigenioterapia deve, sempre, ser evitada nas cardiopatias congênitas, independentemente da presença de hipoxemia acentuada e se for uma cardiopatia com fluxo pulmonar dependente de canal arterial.
DNas cardiopatias com fluxo sistêmico dependente de canal arterial, o quadro clínico principal é a taquidispneia associada a sinais de baixo débito sistêmico (má perfusão periférica, taquicardia, palidez cutânea, redução da amplitude dos pulsos arteriais e hipotensão).
ENos recém‑nascidos com cardiopatia congênita dependente de canal arterial, indica‑se o uso de prostaglandina E1, medicação essa que apresenta a hipotermia como um dos efeitos colaterais mais frequentes.
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GabaritoD — Nas cardiopatias com fluxo sistêmico dependente de canal arterial, o quadro clínico principal é a taquidispneia associada a sinais de baixo débito sistêmico (má perfusão periférica, taquicardia, palidez cutânea, redução da amplitude dos pulsos arteriais e hipotensão).
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Cardiopatias Congênitas Dependentes de Canal Arterial
Gabarito: letra D. Nas cardiopatias com fluxo sistêmico dependente do canal arterial, o quadro clínico é dominado por taquidispneia e sinais de baixo débito sistêmico (má perfusão periférica, taquicardia, palidez, pulsos arteriais diminuídos e hipotensão), pois o canal arterial é a única via de suprimento sanguíneo para a circulação sistêmica. As demais alternativas contêm erros conceituais: a interrupção do arco aórtico é exemplo de cardiopatia com fluxo sistêmico (não pulmonar) dependente do canal; o ecocardiograma fetal é capaz de diagnosticar a maioria dos casos; a oxigenioterapia é indicada em hipoxemia acentuada; e a hipotermia não é efeito colateral frequente da prostaglandina E1.
As cardiopatias congênitas críticas são divididas em dois grandes grupos conforme a dependência do canal arterial para a manutenção da vida: as que dependem do canal para o fluxo pulmonar e as que dependem para o fluxo sistêmico. Essa distinção é fundamental porque define o quadro clínico, o diagnóstico e a conduta imediata.
No primeiro grupo (fluxo pulmonar dependente), o canal arterial é a via que permite a chegada de sangue aos pulmões. Quando o canal se fecha, o fluxo pulmonar cai drasticamente, levando a cianose intensa e progressiva. Exemplos clássicos: atresia pulmonar com septo íntegro, atresia tricúspide e estenose pulmonar crítica. O quadro clínico é de cianose em repouso ou às mamadas, que piora com o fechamento do canal.
No segundo grupo (fluxo sistêmico dependente), o canal arterial é a via que permite a chegada de sangue à circulação sistêmica (aorta). Quando o canal se fecha, o débito sistêmico colapsa, levando a choque cardiogênico com sinais de má perfusão. Exemplos clássicos: síndrome do coração esquerdo hipoplásico, interrupção do arco aórtico, coarctação de aorta crítica e estenose aórtica crítica. O quadro clínico é de taquidispneia, taquicardia, palidez, pulsos arteriais diminuídos, hipotensão e, eventualmente, acidose metabólica.
A prostaglandina E1 (PGE1) é a medicação de emergência que mantém o canal arterial aberto, sendo indicada em ambos os grupos até a correção cirúrgica. Seus efeitos colaterais mais frequentes incluem apneia, febre, rubor cutâneo e hipotensão — não hipotermia. A apneia é particularmente relevante, exigindo monitorização respiratória contínua durante a infusão.
A triagem neonatal para cardiopatias críticas é feita pela oximetria de pulso (teste do coraçãozinho), que detecta hipoxemia em membros inferiores. O ecocardiograma fetal, por sua vez, é capaz de diagnosticar a maioria das cardiopatias congênitas graves ainda no pré-natal, especialmente quando realizado por profissional experiente e em serviço de referência. A alternativa B erra ao afirmar que o diagnóstico fetal é possível apenas em minoria dos casos.
A oxigenioterapia não deve ser evitada de forma absoluta. Em cardiopatias com fluxo pulmonar dependente de canal, a administração de oxigênio pode, na verdade, acelerar o fechamento do canal arterial (por reduzir as prostaglandinas), o que é prejudicial. Por isso, nesses casos, a oxigenioterapia deve ser usada com cautela e apenas se houver hipoxemia acentuada. A alternativa C erra ao generalizar que deve ser "sempre" evitada, independentemente da hipoxemia.
Guarde a fronteira entre os dois grupos: fluxo pulmonar dependente → cianose; fluxo sistêmico dependente → baixo débito/choque. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na classificação do exemplo. A interrupção do arco aórtico é uma cardiopatia com fluxo sistêmico dependente de canal arterial, não fluxo pulmonar. O quadro clínico descrito (cianose em repouso ou às mamadas) é típico das cardiopatias com fluxo pulmonar dependente, como atresia pulmonar com septo íntegro ou atresia tricúspide. A alternativa mistura o quadro clínico de um grupo com o exemplo do outro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A oximetria de pulso na triagem neonatal (teste do coraçãozinho) é, de fato, uma ferramenta importante para o diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas críticas, incluindo as dependentes de canal arterial. No entanto, a afirmação de que o diagnóstico por ecocardiograma fetal é possível apenas em uma minoria dos casos está incorreta. O ecocardiograma fetal, realizado por profissional capacitado, é capaz de diagnosticar a maioria das cardiopatias congênitas graves, especialmente as críticas, permitindo planejamento do parto e do tratamento neonatal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A oxigenioterapia não deve ser sempre evitada. Em cardiopatias com fluxo pulmonar dependente de canal arterial, a administração de oxigênio pode acelerar o fechamento do canal (por reduzir os níveis de prostaglandina), o que é prejudicial. Por isso, nesses casos, a oxigenioterapia deve ser usada com cautela e apenas se houver hipoxemia acentuada. A alternativa erra ao generalizar que deve ser "sempre" evitada, independentemente da presença de hipoxemia acentuada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente o quadro clínico das cardiopatias com fluxo sistêmico dependente de canal arterial. Quando o canal arterial se fecha, o fluxo sanguíneo para a circulação sistêmica colapsa, levando a taquidispneia (taquipneia + desconforto respiratório) e sinais de baixo débito sistêmico: má perfusão periférica, taquicardia, palidez cutânea, redução da amplitude dos pulsos arteriais e hipotensão. Esse é o quadro clássico de choque cardiogênico neonatal, que pode evoluir para acidose metabólica e falência de múltiplos órgãos se não tratado precocemente com prostaglandina E1.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A prostaglandina E1 é, de fato, indicada em recém-nascidos com cardiopatia congênita dependente de canal arterial, pois mantém o canal aberto até a correção cirúrgica. No entanto, a hipotermia não é um efeito colateral frequente dessa medicação. Os efeitos colaterais mais comuns da PGE1 incluem apneia, febre, rubor cutâneo, hipotensão e irritabilidade. A apneia é particularmente relevante, exigindo monitorização respiratória contínua durante a infusão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os dois grupos de cardiopatias dependentes de canal arterial. No grupo com fluxo pulmonar dependente, o quadro é de cianose (ex.: atresia pulmonar). No grupo com fluxo sistêmico dependente, o quadro é de baixo débito/choque (ex.: interrupção do arco aórtico, síndrome do coração esquerdo hipoplásico). Memorize: cianose = problema pulmonar; baixo débito = problema sistêmico. Além disso, lembre-se de que a PGE1 causa apneia e febre, não hipotermia.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental comparando os dois grupos:
Critério
Fluxo pulmonar dependente
Fluxo sistêmico dependente
Quadro clínico
Cianose em repouso/mamadas
Taquidispneia + baixo débito
Exemplos
Atresia pulmonar, atresia tricúspide
Interrupção do arco aórtico, coração esquerdo hipoplásico