Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031377
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neonatologia
Um recém‑nascido de trinta e nove semanas de vida nasceu de parto vaginal com bom tônus, respiração espontânea e chorando. Optou‑se por mantê‑lo em contato pele a pele com a mãe e por realizar clampeamento tardio de cordão umbilical. Acerca do clampeamento tardio de cordão, é correto afirmar que esse procedimento
Areduz a concentração de hemoglobina nas primeiras 24 horas de vida.
Bpode aumentar o risco de icterícia nos primeiros dias de vida.
Cdificulta a transição cardiorrespiratória do recém‑nascido.
Ddiminui a concentração de ferritina nos primeiros três a seis meses de vida.
Ereduz a frequência de polictemia.
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GabaritoB — pode aumentar o risco de icterícia nos primeiros dias de vida.
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Clampeamento tardio do cordão umbilical: benefícios e riscos
Gabarito: letra B. O clampeamento tardio do cordão umbilical (realizado após pelo menos 1 minuto do nascimento) aumenta a volemia e a oferta de hemácias ao recém-nascido, o que eleva a concentração de hemoglobina nas primeiras 24 a 48 horas de vida e, consequentemente, pode aumentar o risco de icterícia (hiperbilirrubinemia) nos primeiros dias de vida. Esse é um efeito esperado e bem documentado na literatura, sendo a alternativa B a correta.
O clampeamento tardio do cordão é uma prática recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por diretrizes de neonatologia, pois traz benefícios importantes, como maior aporte de ferro e redução da anemia na infância. No entanto, como todo procedimento, apresenta riscos potenciais, sendo o principal deles o aumento da incidência de icterícia neonatal, devido à maior carga de hemácias que serão destruídas nos primeiros dias de vida, liberando bilirrubina.
Para entender a questão, é preciso conhecer a fisiologia da transição fetal-neonatal. Durante o parto, o sangue placentário é transferido para o recém-nascido de forma gradual. Cerca de um quarto dessa transferência ocorre nos primeiros 15 a 20 segundos após a contração uterina; entre 50% e 78% ocorre nos 60 segundos seguintes; e o restante, até 3 minutos. Em média, são transfundidos cerca de 40 mL/kg de sangue placentário quando se espera pelo menos 3 minutos para pinçar o cordão, o que representa um aumento de 50% no volume sanguíneo total do recém-nascido. Esse volume extra de sangue contém hemácias ricas em hemoglobina e ferro, o que explica os benefícios e os riscos.
Benefícios do clampeamento tardio:
Aumento da concentração de hemoglobina nas primeiras 24 a 48 horas de vida;
Aumento dos níveis de ferritina e das reservas de ferro aos 3 e 6 meses de vida;
Redução do risco de anemia na infância, especialmente em recém-nascidos com peso < 3.000 g ou filhos de mães com deficiência de ferro;
Melhora da transição cardiorrespiratória, pois o sangue placentário auxilia na expansão dos vasos pulmonares e na adaptação circulatória.
Riscos do clampeamento tardio:
Aumento do risco de icterícia neonatal (hiperbilirrubinemia), devido à maior massa de hemácias que sofre hemólise fisiológica;
Aumento da frequência de polictemia (hematócrito elevado), que pode estar associada a complicações como hipoglicemia e desconforto respiratório.
A alternativa B está correta porque o clampeamento tardio aumenta a volemia e a oferta de hemácias, elevando a bilirrubina indireta nos primeiros dias de vida. As demais alternativas apresentam efeitos contrários ou incorretos, como veremos a seguir.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os efeitos do clampeamento tardio e os do clampeamento imediato. O clampeamento tardio aumenta a hemoglobina e a ferritina, e aumenta o risco de icterícia e polictemia. As alternativas A, D e E invertem esses efeitos, afirmando que ele reduz a hemoglobina, diminui a ferritina e reduz a polictemia — exatamente o oposto do que ocorre. Fique atento: o clampeamento tardio é benéfico para o ferro, mas pode aumentar a icterícia.
Clampeamento tardio do cordão
1Benefícios
Aumenta hemoglobina (24-48h)
Aumenta ferritina e ferro (3-6 meses)
Reduz anemia na infância
Facilita transição cardiorrespiratória
2Riscos
Aumenta risco de icterícia
Aumenta frequência de polictemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o clampeamento tardio reduz a concentração de hemoglobina nas primeiras 24 horas de vida. Na verdade, ocorre o oposto: o clampeamento tardio aumenta a concentração de hemoglobina nas primeiras 24 a 48 horas, pois transfere um volume adicional de sangue placentário rico em hemácias. Essa alternativa inverte o efeito real do procedimento.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O clampeamento tardio pode aumentar o risco de icterícia nos primeiros dias de vida. Isso ocorre porque o recém-nascido recebe um volume maior de hemácias, que, ao serem destruídas no processo fisiológico de hemólise, liberam maior quantidade de bilirrubina indireta. Esse é um risco reconhecido e descrito na literatura, sendo a alternativa correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o clampeamento tardio dificulta a transição cardiorrespiratória do recém-nascido. Na verdade, o clampeamento tardio facilita a transição, pois o sangue placentário auxilia na expansão dos vasos pulmonares e na adaptação circulatória, contribuindo para uma melhor oxigenação. Não há evidência de que dificulte a transição; pelo contrário, é um dos benefícios do procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o clampeamento tardio diminui a concentração de ferritina nos primeiros três a seis meses de vida. Na verdade, o clampeamento tardio aumenta os níveis de ferritina e as reservas de ferro nesse período, pois o sangue placentário é rico em ferro. Essa alternativa inverte o efeito benéfico do procedimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o clampeamento tardio reduz a frequência de polictemia. Na verdade, o clampeamento tardio aumenta a frequência de polictemia, pois o recém-nascido recebe um volume adicional de hemácias, elevando o hematócrito. A polictemia é um risco potencial do procedimento, não um benefício.