Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031378
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neonatologia
O programa de nacional de triagem neonatal foi criado em 2001 e tem como objetivo identificar os distúrbios e as doenças no recém‑nascido precocemente, reduzindo, assim, a morbimortalidade. Em relação ao teste do pezinho, assinale a alternativa correta.
AÉ realizado apenas nos recém‑nascidos acima de trinta e sete semanas de vida.
BSuponha‑se que um recém‑nascido necessite de uma transfusão de hemácias. Nesse caso, é correto afirmar que a coleta deverá ser feita apenas no período ideal, entre o 3o e o 5o dia de vida, sem a necessidade de ser realizada coleta de nova amostra posteriormente.
CA fenilcetonúria é um erro inato do metabolismo investigado na triagem neonatal. Mas o ideal é que a coleta da amostra seja feita somente após 48 horas de vida, pois, para que seja detectado o aumento de fenilalanina, o bebê já deve ter ingerido uma quantidade suficiente de proteína.
DSuponha‑se que um paciente apresente resultado positivo para hipotireoidismo congênito na triagem neonatal. Nesse caso, é correto afirmar que o diagnóstico já está confirmado e, assim, outros exames para a investigação não mais serão indicados.
EA fibrose cística é uma das doenças investigadas no teste do pezinho, por meio da análise dos níveis de tripsina imunorreativa (IRT). Sendo assim, o caso de triagem alterada, não é necessária a dosagem de cloretos no suor para confirmação.
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GabaritoC — A fenilcetonúria é um erro inato do metabolismo investigado na triagem neonatal. Mas o ideal é que a coleta da amostra seja feita somente após 48 horas de vida, pois, para que seja detectado o aumento de fenilalanina, o bebê já deve ter ingerido uma quantidade suficiente de proteína.
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Triagem Neonatal e o Teste do Pezinho
Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que afirma que a fenilcetonúria é um erro inato do metabolismo investigado na triagem neonatal e que a coleta ideal deve ser feita após 48 horas de vida, pois o bebê precisa ter ingerido proteína suficiente para que o aumento de fenilalanina seja detectado. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a coleta, o diagnóstico e a confirmação das doenças triadas.
O teste do pezinho, oficialmente denominado Triagem Neonatal, é um exame realizado em recém-nascidos com o objetivo de identificar precocemente doenças que, se não tratadas, podem causar graves sequelas, como deficiência intelectual e outras morbidades. O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), criado em 2001, padroniza a coleta, os exames e o fluxo de acompanhamento. A coleta é feita com sangue do calcanhar do bebê, e o momento ideal é entre o 2º e o 5º dia de vida, após 48 horas de vida, pois nesse período já houve a ingestão de leite materno ou fórmula, o que é essencial para a detecção de algumas doenças, como a fenilcetonúria. A lógica por trás desse intervalo é dupla: por um lado, espera-se a queda do pico fisiológico do TSH (hormônio tireoestimulante) que ocorre nas primeiras horas de vida, evitando falsos positivos para hipotireoidismo congênito; por outro, garante-se que o bebê já tenha se alimentado, permitindo a detecção de erros inatos do metabolismo que dependem da ingestão de proteínas, como a fenilcetonúria.
A fenilcetonúria é um erro inato do metabolismo causado pela deficiência da enzima fenilalanina hidroxilase, que converte o aminoácido fenilalanina em tirosina. Sem essa enzima, a fenilalanina se acumula no sangue e pode causar danos cerebrais irreversíveis. Por isso, a triagem neonatal é fundamental. No entanto, para que o teste seja eficaz, o recém-nascido precisa ter ingerido proteína suficiente para que os níveis de fenilalanina se elevem no sangue. Se a coleta for feita antes de 48 horas de vida, o bebê pode ainda não ter se alimentado adequadamente, resultando em um falso negativo. Essa é a razão pela qual a coleta ideal é após 48 horas de vida, como afirma a alternativa C.
É importante distinguir a triagem neonatal do diagnóstico confirmatório. A triagem é um exame de rastreamento, que identifica suspeitas, mas não confirma o diagnóstico. Resultados alterados na triagem exigem exames complementares para confirmação. Por exemplo, no caso do hipotireoidismo congênito, um TSH elevado na triagem não confirma o diagnóstico; é necessário realizar dosagem sérica de TSH e T4 livre para confirmar. Da mesma forma, na fibrose cística, um nível elevado de tripsina imunorreativa (IRT) na triagem não confirma a doença; é necessário realizar o teste do suor (dosagem de cloretos) para confirmação. A triagem é, portanto, o primeiro passo de um fluxo que inclui confirmação diagnóstica, tratamento e acompanhamento.
A banca explora a confusão entre triagem e diagnóstico, e entre o momento ideal de coleta e as condições especiais. A pegadinha está em alternativas que parecem plausíveis, mas contêm erros sutis, como a necessidade de coleta em recém-nascidos que receberam transfusão sanguínea ou a afirmação de que um resultado positivo na triagem já é diagnóstico. O candidato deve estar atento a esses detalhes para responder corretamente.
Teste do pezinho (Triagem Neonatal)
1Coleta ideal
2º ao 5º dia de vida
Após 48h de vida
Bebê já se alimentou
2Doenças triadas
Fenilcetonúria
Erro inato do metabolismo
Depende de ingestão de proteína
Hipotireoidismo congênito
TSH elevado = suspeita
Confirmação: TSH e T4 livre séricos
Fibrose cística
IRT elevada = suspeita
Confirmação: teste do suor (cloretos)
3Casos especiais
Transfusão de hemácias
Coletar antes, se possível
Repetir após intervalo (3 meses)
Prematuros
Não excluídos da triagem
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o teste do pezinho é realizado apenas em recém-nascidos acima de trinta e sete semanas de vida. Isso está incorreto, pois a triagem neonatal deve ser realizada em todos os recém-nascidos, independentemente da idade gestacional. O momento ideal de coleta é entre o 2º e o 5º dia de vida, mas isso não exclui prematuros ou recém-nascidos com menos de 37 semanas. Na verdade, a triagem é especialmente importante em prematuros, que podem ter maior risco de algumas doenças. A coleta pode ser feita em qualquer recém-nascido, desde que respeitadas as condições clínicas e o momento adequado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, em caso de transfusão de hemácias, a coleta deverá ser feita apenas no período ideal, entre o 3º e o 5º dia de vida, sem necessidade de nova coleta. Isso está incorreto. A transfusão sanguínea pode interferir nos resultados da triagem neonatal, pois o sangue transfundido pode conter células e metabólitos que alteram os níveis dos marcadores. Por isso, em recém-nascidos que receberam transfusão, a coleta deve ser feita antes da transfusão, se possível, ou, se não for possível, deve ser repetida após um intervalo adequado (geralmente 3 meses) para evitar resultados falso-negativos ou falso-positivos. A alternativa erra ao afirmar que não é necessária nova coleta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a fenilcetonúria é um erro inato do metabolismo investigado na triagem neonatal e que a coleta ideal deve ser feita somente após 48 horas de vida, pois o bebê precisa ter ingerido proteína suficiente para que o aumento de fenilalanina seja detectado. Isso está correto. A fenilcetonúria é uma das doenças triadas no teste do pezinho, e a detecção depende da elevação dos níveis de fenilalanina no sangue, que só ocorre após a ingestão de proteínas. Por isso, a coleta deve ser feita após 48 horas de vida, quando o recém-nascido já se alimentou. Essa é a recomendação do PNTN e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, em caso de resultado positivo para hipotireoidismo congênito na triagem neonatal, o diagnóstico já está confirmado e outros exames não são necessários. Isso está incorreto. A triagem neonatal é um exame de rastreamento, não um exame diagnóstico. Um resultado positivo na triagem indica a suspeita da doença, mas o diagnóstico deve ser confirmado por exames complementares, como a dosagem sérica de TSH e T4 livre. O fluxo do PNTN prevê que, em caso de TSH elevado na triagem, o recém-nascido deve ser convocado para avaliação médica e coleta de sangue venoso para confirmação diagnóstica. A alternativa erra ao afirmar que o diagnóstico já está confirmado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, na fibrose cística, um caso de triagem alterada não necessita de dosagem de cloretos no suor para confirmação. Isso está incorreto. A triagem neonatal para fibrose cística é feita pela dosagem de tripsina imunorreativa (IRT), mas um resultado alterado não confirma a doença. O diagnóstico de fibrose cística deve ser confirmado pelo teste do suor, que mede a concentração de cloretos no suor. O teste do suor é o padrão-ouro para o diagnóstico. A alternativa erra ao afirmar que a confirmação não é necessária.