Questão de Medicina — Neurologia — Quadrix 2023
- Código
- qg031379
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- FSNH - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurocirurgia
- AABCD1 e ATP7B
- BCOL6A2 e DES
- CTSC1 e TSC2
- DRYR1 e ACTA1
- ESCN4A e GAA
GabaritoC — TSC1 e TSC2
Gabarito: letra C. A esclerose tuberosa é causada por mutações nos genes supressores de tumor TSC1 (cromossomo 9, codifica a hamartina) e TSC2 (cromossomo 16, codifica a tuberina), que formam o complexo TSC1-TSC2, inibidor da via mTOR. As demais alternativas trazem genes associados a outras doenças (adrenoleucodistrofia, doença de Wilson, distrofias musculares congênitas, miopatias, glicogenose tipo II), nenhum deles relacionado à esclerose tuberosa.
A esclerose tuberosa (ou complexo da esclerose tuberosa — TSC) é uma síndrome neurocutânea autossômica dominante, caracterizada pelo desenvolvimento de hamartomas em múltiplos órgãos, incluindo cérebro, pele, rins e coração. Os dois genes envolvidos, TSC1 e TSC2, são genes supressores de tumor: suas proteínas, hamartina e tuberina, formam um complexo que regula negativamente a via de sinalização mTOR, controlando o crescimento e a proliferação celular. Mutações inativadoras nesses genes levam à hiperativação da via mTOR, resultando na formação dos tumores benignos típicos da doença, como os astrocitomas subependimários de células gigantes (SEGA) e os nódulos subependimários, mencionados no enunciado.
A banca explora o conhecimento específico da genética molecular da doença. O candidato precisa reconhecer que a esclerose tuberosa é uma das poucas síndromes neurocutâneas com causa genética bem definida e que os genes TSC1 e TSC2 são amplamente conhecidos na literatura médica. As alternativas incorretas trazem genes de outras condições, exigindo que o aluno diferencie as doenças associadas a cada par de genes.
Para fixar: a esclerose tuberosa é uma facomatose (síndrome neurocutânea) com herança autossômica dominante, e a tríade clássica inclui epilepsia, retardo mental e adenomas sebáceos (angiofibromas faciais). Os achados cerebrais típicos são os nódulos subependimários, os astrocitomas subependimários de células gigantes (SEGA) e as lesões corticais (tubers). O tratamento com inibidores de mTOR (como everolimo) é direcionado justamente à via hiperativada pela perda de função do complexo TSC1-TSC2.
Para questões de genética médica, monte uma tabela mental associando cada síndrome aos seus genes: esclerose tuberosa → TSC1/TSC2; neurofibromatose tipo 1 → NF1; neurofibromatose tipo 2 → NF2; doença de von Hippel-Lindau → VHL; adenomatose poliposa familiar → APC. Isso cobre a maioria das cobranças em neurologia e genética clínica.
Os genes ABCD1 e ATP7B estão associados, respectivamente, à adrenoleucodistrofia ligada ao X e à doença de Wilson (acúmulo de cobre). Nenhum deles tem relação com a esclerose tuberosa. A banca oferece genes de doenças neurodegenerativas/metabólicas para confundir o candidato que não domina a genética das facomatoses.
COL6A2 e DES são genes relacionados a miopatias congênitas e distrofias musculares (colágeno VI e desmina). Não há qualquer associação com a esclerose tuberosa. A alternativa mistura genes de doenças musculares, distante do contexto neurocutâneo da questão.
Os genes TSC1 e TSC2 são os dois genes supressores de tumor cujas mutações causam a esclerose tuberosa. O TSC1 (9q34) codifica a hamartina e o TSC2 (16p13.3) codifica a tuberina; juntos formam o complexo que inibe a via mTOR. A perda de função desses genes leva à formação dos hamartomas característicos, incluindo os astrocitomas subependimários de células gigantes e os nódulos subependimários citados no enunciado.
RYR1 e ACTA1 são genes associados a miopatias congênitas (receptor de rianodina e actina alfa 1, respectivamente). Não têm relação com a esclerose tuberosa. A alternativa tenta confundir com genes de doenças musculares, que não fazem parte do espectro da doença.
SCN4A e GAA estão relacionados a canalopatias musculares (canais de sódio) e à doença de Pompe (glicogenose tipo II, deficiência de alfa-glicosidase ácida). Nenhum deles participa da patogênese da esclerose tuberosa. A banca oferece genes de doenças neuromusculares e metabólicas para testar o conhecimento específico.
Gabarito: letra C — os genes TSC1 e TSC2 são os responsáveis pela esclerose tuberosa.
Link permanente: /questoes/qg031379