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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2023

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg031393
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia
Assinale a alternativa que apresenta uma das opções cirúrgicas no tratamento da nevralgia do trigêmeo.
  1. Adescompressão microvascular na fossa posterior
  2. Bneurectomia do nervo occipital
  3. Ctermocoagulação percutânea da articulação zigoapofiseal
  4. Drizotomia percutânea da raiz C1
  5. Erizotomia intradural das raízes posteriores de C1C2C3
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GabaritoA — descompressão microvascular na fossa posterior

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nevralgia do trigêmeo: opções cirúrgicas

Gabarito: letra A. A descompressão microvascular na fossa posterior é uma das opções cirúrgicas consagradas no tratamento da nevralgia do trigêmeo refratária ao tratamento clínico, pois atua diretamente na causa mais comum da doença — a compressão da raiz do nervo trigêmeo por uma alça arterial aberrante na região da ponte (fossa posterior). As demais alternativas descrevem procedimentos em estruturas anatômicas incorretas (nervo occipital, articulação zigoapofiseal, raiz C1 e raízes posteriores de C1C2C3), que não têm relação com o território do nervo trigêmeo.

A nevralgia do trigêmeo (tic douloureux) é a mais frequente das neuralgias cranianas, caracterizada por dor lancinante, espasmódica e unilateral em uma das divisões do nervo trigêmeo (V1, V2 ou V3). A dor tem duração de segundos a poucos minutos, é intensa e pode ser desencadeada por estímulos leves na face, como tocar os lábios, escovar os dentes ou mastigar. Acredita-se que a causa mais comum seja a compressão da raiz do nervo trigêmeo na ponte por uma alça arterial aberrante, o que leva à desmielinização e à cronicidade da dor. Uma pequena minoria dos casos é causada por esclerose múltipla, tumores do ângulo pontocerebelar, aneurismas ou malformações arteriovenosas — nesses casos, há habitualmente sinais objetivos de déficit neurológico.

O tratamento inicial é clínico, com anticonvulsivantes como carbamazepina (200 a 1.200 mg/dia) e oxcarbazepina (600 a 1.800 mg/dia), além de gabapentina, pregabalina e baclofeno. Quando o tratamento clínico não é bem-sucedido, ou há efeitos adversos intoleráveis ou contraindicações, o tratamento cirúrgico pode ser considerado. As principais opções cirúrgicas são: a descompressão microvascular (procedimento aberto na fossa posterior que afasta a alça arterial compressora da raiz do trigêmeo) e a lesão por radiofrequência da parte sensitiva do nervo trigêmeo (procedimento percutâneo que provoca lesão térmica seletiva). A descompressão microvascular é o procedimento que trata a causa da doença, enquanto a radiofrequência é um procedimento ablativos que interrompe a via da dor.

A banca explora a confusão entre estruturas anatômicas: o candidato que não domina a anatomia do nervo trigêmeo e das estruturas vizinhas pode ser induzido a escolher procedimentos que existem na prática neurocirúrgica, mas que são indicados para outras condições (neuralgia occipital, dor facetária, dor cervical). O critério decisivo é o território do nervo trigêmeo: qualquer procedimento que não atue sobre o V par craniano ou suas vias centrais está incorreto. Guarde essa fronteira: a questão testa se você sabe que a nevralgia do trigêmeo é tratada cirurgicamente na fossa posterior (descompressão microvascular) ou por lesão percutânea do gânglio de Gasser — nunca em nervos occipitais, articulações vertebrais ou raízes cervicais.

1Causa mais comum
Compressão vascular na ponte
Alça arterial aberrante
2Tratamento clínico
Carbamazepina
Oxcarbazepina
Gabapentina
3Opções cirúrgicas
Descompressão microvascular (fossa posterior)
Lesão por radiofrequência (gânglio de Gasser)
4Alvos incorretos
Nervo occipital
Articulação zigoapofiseal
Raízes cervicais (C1, C2, C3)
Nevralgia do trigêmeo
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Nevralgia do trigêmeo: Causa mais comum (Compressão vascular na ponte, Alça arterial aberrante); Tratamento clínico (Carbamazepina, Oxcarbazepina, Gabapentina); Opções cirúrgicas (Descompressão microvascular (fossa posterior), Lesão por radiofrequência (gânglio de Gasser)); Alvos incorretos (Nervo occipital, Articulação zigoapofiseal, Raízes cervicais (C1, C2, C3))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A descompressão microvascular na fossa posterior é uma das opções cirúrgicas clássicas no tratamento da nevralgia do trigêmeo. O procedimento consiste em abordar a fossa posterior, identificar a alça arterial que comprime a raiz do nervo trigêmeo na região da ponte e afastá-la, interpondo um material (geralmente Teflon) entre o vaso e o nervo. Essa técnica trata a causa mais comum da doença — a compressão vascular — e apresenta altas taxas de sucesso. O texto de apoio confirma: "Se o tratamento clínico não for bem-sucedido, pode-se indicar o tratamento cirúrgico: descompressão microvascular ou lesão por radiofrequência da parte sensitiva do nervo trigêmeo."

Alternativa B — ❌ Incorreta

A neurectomia do nervo occipital é um procedimento indicado para o tratamento da neuralgia occipital, condição que acomete o território do nervo occipital maior (região posterior do crânio e couro cabeludo), e não do nervo trigêmeo. O texto de apoio menciona as neurotomias periféricas como úteis "para o tratamento da neuralgia occipital, neuralgia gênito-femoral, ílio-inguinal, do nervo cutâneo-femoral, ciático menor e pudendo" — ou seja, são indicadas para neuralgias de outros nervos, não para a nevralgia do trigêmeo. A banca troca o nervo-alvo: o candidato que confunde "neuralgia" genérica com "nevralgia do trigêmeo" pode cair nessa armadilha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A termocoagulação percutânea da articulação zigoapofiseal é um procedimento usado no tratamento da dor facetária (dor originada nas articulações zigoapofiseais da coluna vertebral), não da nevralgia do trigêmeo. A articulação zigoapofiseal é uma articulação entre vértebras, localizada na coluna, e não tem relação com o nervo trigêmeo. A banca mistura um procedimento percutâneo real (termocoagulação por radiofrequência) com um alvo anatômico errado — a articulação zigoapofiseal em vez do gânglio de Gasser. A termocoagulação do gânglio de Gasser (ou do nervo trigêmeo) é uma opção cirúrgica válida, mas o alvo descrito na alternativa é incorreto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A rizotomia percutânea da raiz C1 é um procedimento que atua sobre a raiz cervical C1, que faz parte do plexo cervical e inerva a região posterior da cabeça e pescoço. Não há relação com o nervo trigêmeo, que é o V par craniano. A rizotomia é um procedimento neuroablativo que interrompe as vias da dor por lesão deliberada de raízes nervosas, mas a raiz C1 não é o alvo correto para a nevralgia do trigêmeo. A banca troca o nível anatômico: o candidato que sabe que a rizotomia é uma opção cirúrgica pode ser induzido a escolher uma raiz errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A rizotomia intradural das raízes posteriores de C1C2C3 é um procedimento que atua sobre as raízes posteriores cervicais altas (C1, C2 e C3), que inervam a região occipital e o pescoço. Esse procedimento é indicado para dores na região cervical alta e occipital, não para a nevralgia do trigêmeo. O texto de apoio menciona que as rizotomias "são indicadas no tratamento da dor decorrente de neuralgias paroxísticas ou decorrentes de neoplasias em áreas restritas do corpo, especialmente as localizadas na face, crânio, região cervical, torácica e perineal" — mas o alvo correto para a face inervada pelo trigêmeo seria o próprio nervo trigêmeo ou suas vias centrais, não as raízes cervicais. A banca troca o território: C1C2C3 é o território occipital, não o facial.

Gabarito: letra A — a descompressão microvascular na fossa posterior é a única alternativa que descreve corretamente uma opção cirúrgica para a nevralgia do trigêmeo.

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