Síndrome de Parsonage-Turner: Neurite do Plexo Braquial
Gabarito: letra D. A descrição apresentada — neurite aguda do plexo braquial com acometimento dos músculos torácico longo, supraescapular e axilar, além das raízes C5-C6, manifestando-se com dor no ombro seguida de paralisia amiotrófica da cintura escapular — corresponde exatamente à síndrome de Parsonage-Turner, também conhecida como neurite braquial aguda ou amiotrofia nevrálgica. Essa é uma condição inflamatória idiopática do plexo braquial, e o reconhecimento do quadro clínico é o que permite diferenciá-la das demais síndromes listadas.
A síndrome de Parsonage-Turner é uma neuropatia inflamatória aguda que afeta o plexo braquial, com predileção pelos troncos superior e médio, o que explica o acometimento das raízes C5-C6 e dos nervos deles derivados: o nervo torácico longo (que inerva o serrátil anterior), o nervo supraescapular (que inerva os músculos supraespinal e infraespinal) e o nervo axilar (que inerva o deltoide e o redondo menor). O quadro clássico inicia-se com dor intensa e aguda no ombro e na região cervical, frequentemente descrita como lancinante ou queimante, que dura de dias a algumas semanas. Após a fase dolorosa, instala-se um quadro de fraqueza muscular progressiva, com atrofia visível da musculatura da cintura escapular — daí o termo "amiotrofia nevrálgica". A recuperação é geralmente lenta e gradual, podendo levar meses a anos, e o tratamento é predominantemente sintomático, com analgesia, fisioterapia e, em alguns casos, corticosteroides na fase aguda.
A importância de conhecer essa síndrome reside na sua apresentação clínica característica, que a distingue de outras condições que afetam a cintura escapular. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de dor aguda seguida de fraqueza e atrofia, e pode ser complementado por eletroneuromiografia, que demonstra o padrão de denervação nos músculos afetados, e por ressonância magnética, que pode mostrar edema e realce do plexo braquial. A banca explora justamente a capacidade de reconhecer o quadro típico e diferenciá-lo de outras síndromes que também cursam com dor e fraqueza no ombro, mas com mecanismos fisiopatológicos distintos.
Para fixar o conceito, é útil comparar as principais características da síndrome de Parsonage-Turner com as outras condições listadas nas alternativas. A síndrome do desfiladeiro escalênico é uma síndrome compressiva neurovascular, a síndrome de Pancoast é causada por um tumor no ápice pulmonar, a síndrome de Duchenne-Erb é uma paralisia obstétrica do plexo braquial superior e a síndrome de Remak é uma paralisia do plexo lombossacral. Cada uma tem um mecanismo e uma apresentação próprios, e a chave para a questão é identificar qual delas se encaixa na descrição de neurite aguda idiopática com o padrão de acometimento muscular específico.
Guarde o tripé que define a síndrome de Parsonage-Turner: dor aguda no ombro + paralisia amiotrófica da cintura escapular + acometimento dos nervos torácico longo, supraescapular e axilar. É exatamente esse conjunto de características que a alternativa correta espelha e que as demais não apresentam.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome do desfiladeiro escalênico é uma condição compressiva do plexo braquial e dos vasos subclávios, geralmente causada por uma banda fibrosa ou por um músculo escaleno anômalo. O quadro é caracterizado por dor, parestesia e fraqueza no membro superior, frequentemente exacerbadas por movimentos do pescoço ou elevação do braço, mas não se apresenta como uma neurite aguda com o padrão de acometimento muscular descrito (torácico longo, supraescapular e axilar). A compressão vascular pode levar a fenômenos de Raynaud, palidez e até isquemia distal, o que não ocorre na neurite braquial. A banca troca o mecanismo inflamatório idiopático pela compressão neurovascular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome de Pancoast é causada por um tumor no sulco superior do pulmão, que invade o plexo braquial inferior (raízes C8-T1) e o gânglio estrelado. O quadro clássico inclui dor no ombro e no braço, atrofia dos músculos da mão, síndrome de Horner (miose, ptose e anidrose) e, por vezes, síndrome da veia cava superior. O acometimento das raízes C5-C6 e dos músculos da cintura escapular, bem como o caráter agudo e autolimitado da dor, não são características dessa síndrome, que tem etiologia neoplásica e curso progressivo. A banca troca a neurite inflamatória pela síndrome paraneoplásica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome de Duchenne-Erb é uma paralisia obstétrica do plexo braquial superior (raízes C5-C6), que ocorre durante o parto, geralmente por tração do pescoço do recém-nascido. O quadro é caracterizado por um membro superior em adução e rotação interna, com cotovelo estendido e mão em "gorjeta de garçom". Embora o acometimento das raízes C5-C6 seja semelhante, a etiologia é traumática e o quadro é congênito, não se manifestando como uma neurite aguda com dor seguida de paralisia amiotrófica em um adulto. A banca troca a etiologia inflamatória pela traumática e o contexto de apresentação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome de Parsonage-Turner, também chamada de neurite braquial aguda ou amiotrofia nevrálgica, é exatamente o que a descrição do enunciado apresenta: uma neurite aguda do plexo braquial, com acometimento frequente dos músculos torácico longo, supraescapular e axilar, além das raízes motoras C5-C6. O quadro clínico típico é a dor aguda no ombro, seguida de paralisia amiotrófica da cintura escapular. A etiologia é idiopática, embora possa haver associação com infecções virais, vacinação, cirurgias ou esforço físico. O diagnóstico é clínico, e o tratamento é sintomático, com analgesia e fisioterapia, sendo a recuperação geralmente lenta e incompleta em alguns casos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A síndrome de Remak é uma paralisia do plexo lombossacral, que afeta os membros inferiores, e não a cintura escapular. O nome Remak está associado a uma paralisia obstétrica do plexo lombossacral, que pode ocorrer em partos pélvicos ou com tração excessiva. A descrição do enunciado, com acometimento dos músculos torácico longo, supraescapular e axilar e das raízes C5-C6, é claramente de uma síndrome que afeta o plexo braquial, não o lombossacral. A banca troca a localização anatômica do plexo afetado.
Gabarito: letra D