Tratamento das Síndromes Demenciais: Farmacologia dos Anticolinesterásicos
Gabarito: letra E. A donepezila, um dos inibidores da acetilcolinesterase (AChEIs) mais utilizados no tratamento da doença de Alzheimer, apresenta-se comercialmente em comprimidos de 5 mg e 10 mg, conforme confirmado pelo contexto e pela prática clínica. As demais alternativas contêm erros factuais sobre as apresentações farmacêuticas, a eficácia dos fármacos ou o papel das abordagens não farmacológicas.
O tratamento das síndromes demenciais, em especial da doença de Alzheimer (DA), baseia-se em duas classes principais de fármacos: os inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina e galantamina) e a memantina, um antagonista do receptor NMDA. Os AChEIs atuam aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, compensando parcialmente a degeneração colinérgica característica da DA. Eles são indicados para demência leve a moderada, com a donepezila tendo evidência também para casos graves. A memantina, por sua vez, é utilizada em estágios moderados a graves, podendo ser combinada aos AChEIs.
A eficácia desses fármacos é modesta, mas real, principalmente nos domínios cognitivo e funcional. As revisões sistemáticas com meta-análises indicam que os AChEIs podem melhorar os sintomas cognitivos e a função global em pacientes com DA leve a moderada. A memantina, embora com efeito de pequena magnitude, mostrou benefício significativo em cognição, comportamento e qualidade de vida. É importante destacar que esses medicamentos não curam a doença, apenas estabilizam ou retardam a progressão dos sintomas.
As apresentações farmacêuticas são um ponto de cobrança frequente em provas. A donepezila está disponível em comprimidos de 5 mg e 10 mg. A galantamina, em cápsulas de liberação prolongada de 8 mg, 16 mg e 24 mg (e não 6, 12 e 18 mg). A rivastigmina, em cápsulas de 1,5 mg, 3 mg, 4,5 mg e 6 mg, solução oral 2 mg/mL e adesivos transdérmicos de 9 mg e 18 mg. A memantina, em comprimidos de 10 mg. Esses dados são essenciais para diferenciar as alternativas corretas das incorretas.
A abordagem não farmacológica, ao contrário do que afirma uma das alternativas, tem ganhado cada vez mais espaço no tratamento das demências. Intervenções como estimulação cognitiva, atividade física, controle de fatores de risco vascular e suporte psicossocial são fundamentais e complementam o tratamento medicamentoso. O estudo FINGER, por exemplo, demonstrou que uma intervenção multidisciplinar pode melhorar ou evitar o declínio cognitivo em idosos de risco.
A pegadinha central desta questão está na apresentação farmacêutica da galantamina. O candidato que memorizou as doses da donepezila (5 e 10 mg) pode facilmente confundir com as da galantamina, que são 8, 16 e 24 mg. A banca explora exatamente essa troca sutil de números entre fármacos da mesma classe. Além disso, a alternativa sobre a memantina no transtorno cognitivo leve (TCL) é uma armadilha, pois as evidências não suportam seu uso nessa condição, sendo reservada para demência estabelecida.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A galantamina não possui apresentação em comprimidos de 6, 12 e 18 mg. Essas doses correspondem, na verdade, às cápsulas de rivastigmina (1,5 mg, 3 mg, 4,5 mg e 6 mg) e aos adesivos transdérmicos de rivastigmina (9 mg e 18 mg). A galantamina está disponível em cápsulas de liberação prolongada de 8 mg, 16 mg e 24 mg, conforme o contexto. A banca trocou as apresentações de fármacos diferentes da mesma classe, uma armadilha clássica.
Alternativa B — ✅ Correta
Os inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina e galantamina) têm eficácia comprovada no tratamento dos distúrbios da cognição, especialmente na doença de Alzheimer leve a moderada. As revisões sistemáticas com meta-análises mostram melhora nos campos cognitivo e funcional. Embora o efeito seja modesto, é estatisticamente significativo e clinicamente relevante. Esta alternativa está correta, mas não é o gabarito porque a questão pede a afirmação correta e a letra E é mais específica e factual.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A associação de memantina no transtorno cognitivo leve (TCL) não mostrou ótimos resultados. A memantina é indicada para demência moderada a grave, e não para TCL. As evidências não suportam seu uso nessa fase pré-demencial, e a recomendação atual é de que não há benefício comprovado. A banca tenta induzir o candidato a acreditar que um fármaco eficaz na demência também seria no TCL, o que não é verdade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A abordagem não farmacológica tem ganhado espaço, e não perdido, no tratamento das síndromes demenciais. Intervenções como estimulação cognitiva, atividade física, controle de fatores de risco e suporte psicossocial são fundamentais e complementam o tratamento medicamentoso. O estudo FINGER demonstrou benefício significativo de uma intervenção multidisciplinar na cognição de idosos de risco. A alternativa inverte completamente a tendência atual da prática clínica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A donepezila tem formas de apresentação em comprimidos de 5 mg e 10 mg. Esta é a informação correta e específica, confirmada pelo contexto que menciona "comprimidos de donepezila de 5 mg e 10 mg" e pela prática clínica. A donepezila é o AChEI mais utilizado, com evidência de eficácia na DA leve a grave. Esta alternativa é a única que apresenta um dado factual preciso e correto, sendo o gabarito da questão.
Gabarito: letra E