Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg031411
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
A respeito do tratamento da paralisia facial periférica, assinale a alternativa correta.
ADevem‑se incluir os corticoides na fase aguda da doença.
BDeve haver intervenção cirúrgica em todos os casos traumáticos.
CSerá sempre clínico.
DDeve, sempre, haver a indicação de antivirais.
EA fisioterapia da face deve ser indicada, em casos de insucesso no tratamento medicamentoso.
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GabaritoA — Devem‑se incluir os corticoides na fase aguda da doença.
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Paralisia Facial Periférica: Tratamento na Fase Aguda
Gabarito: letra A. Na paralisia facial periférica (paralisia de Bell), o tratamento da fase aguda baseia-se no uso de corticoides, que devem ser iniciados precocemente (idealmente nas primeiras 72 horas) para reduzir a inflamação e o edema do nervo facial, melhorando o prognóstico de recuperação. Essa é a conduta com maior nível de evidência, conforme as diretrizes da Academia Americana de Otorrinolaringologia.
A paralisia facial periférica é uma condição caracterizada pela fraqueza ou paralisia dos músculos da mímica facial, decorrente de lesão do nervo facial (VII par craniano) em seu trajeto periférico. A causa mais comum é a paralisia de Bell, de etiologia idiopática, mas também pode ser provocada por infecções (como herpes-zóster — síndrome de Ramsay Hunt), traumas, tumores e doenças autoimunes. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento varia conforme a etiologia e a gravidade.
O pilar do tratamento na fase aguda é a corticoterapia. Os corticoides (prednisona, por exemplo) atuam reduzindo o processo inflamatório e o edema do nervo, o que é crucial para evitar dano neural permanente. Estudos randomizados demonstraram que o uso de corticoides dentro de 72 horas do início dos sintomas aumenta significativamente a chance de recuperação completa. O antiviral (aciclovir ou valaciclovir) é adicionado apenas em casos de suspeita de etiologia viral (como na síndrome de Ramsay Hunt), não sendo indicado rotineiramente para todos os pacientes. A cirurgia é reservada para situações específicas, como traumas com lesão do nervo ou complicações, e não é indicada em todos os casos traumáticos. A fisioterapia facial, por sua vez, é uma ferramenta importante na reabilitação, mas não deve ser adiada até o insucesso do tratamento medicamentoso — ela pode ser iniciada precocemente para prevenir atrofia muscular e sincinesias.
A banca explora a generalização indevida: termos como "sempre", "todos" e "será sempre" tornam as alternativas incorretas, pois o tratamento da paralisia facial periférica é individualizado e depende da causa, da gravidade e do tempo de evolução. A alternativa correta é a única que reflete a conduta baseada em evidências, sem absolutizações.
Tratamento da paralisia facial periférica
1Fase aguda
Corticoides (base, até 72h)
Antivirais (só se etiologia viral)
2Cirurgia
Casos específicos (trauma grave, tumor)
Não em todos os traumáticos
3Fisioterapia facial
Pode iniciar precocemente
Não só após insucesso medicamentoso
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. Os corticoides são a base do tratamento da paralisia facial periférica na fase aguda, especialmente na paralisia de Bell. O uso precoce (idealmente nas primeiras 72 horas) reduz a inflamação e o edema do nervo facial, melhorando o prognóstico. Essa recomendação é sustentada por diretrizes internacionais e pela Academia Americana de Otorrinolaringologia, que indicam corticoterapia para todos os pacientes com paralisia de Bell, salvo contraindicações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que "deve haver intervenção cirúrgica em todos os casos traumáticos". A cirurgia é indicada apenas em situações específicas, como fraturas do osso temporal com compressão do nervo facial ou laceração do nervo, e mesmo assim a decisão é individualizada, considerando a extensão da lesão e o potencial de recuperação espontânea. Muitos casos traumáticos são manejados clinicamente, com corticoides e observação, reservando a cirurgia para os casos em que há evidência de lesão grave ou ausência de recuperação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que o tratamento "será sempre clínico". Embora o tratamento clínico seja a base, existem indicações cirúrgicas em casos específicos, como traumas com lesão do nervo, tumores que comprimem o nervo facial ou complicações como a síndrome de Ramsay Hunt refratária. Portanto, o tratamento não é exclusivamente clínico; a cirurgia pode ser necessária em situações selecionadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que "deve, sempre, haver a indicação de antivirais". Os antivirais (aciclovir ou valaciclovir) são indicados apenas quando há suspeita de etiologia viral, como na síndrome de Ramsay Hunt (herpes-zóster), e mesmo assim em associação com corticoides. Na paralisia de Bell idiopática, o uso rotineiro de antivirais não é recomendado, pois não demonstrou benefício adicional significativo em relação à corticoterapia isolada. A palavra "sempre" torna a afirmação incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que a fisioterapia "deve ser indicada, em casos de insucesso no tratamento medicamentoso". A fisioterapia facial é uma ferramenta importante na reabilitação e pode ser iniciada precocemente, não apenas após o insucesso do tratamento medicamentoso. Ela ajuda a prevenir atrofia muscular, sincinesias e a melhorar a função facial durante a recuperação. Adiar a fisioterapia até o insucesso do tratamento medicamentoso pode comprometer o resultado funcional.