Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg031415
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
Paciente tratando câncer pulmonar com queixa de perda auditiva após terceira sessão de quimioterapia.Com base nessa situação hipotética, ao considerar o conceito de ototoxicidade, é correto afirmar que a perda auditiva causada por essas substâncias é do tipo
Acondutiva, entre 10 e 25 decibéis.
Bneurossensorial, acima de 25 decibéis.
Ccondutiva, acima de 25 decibéis.
Dmista, entre 10 e 25 decibéis.
Eneurossensorial, entre 10 e 25 decibéis.
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GabaritoB — neurossensorial, acima de 25 decibéis.
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Ototoxicidade por quimioterápicos: tipo de perda auditiva
Gabarito: letra B. A perda auditiva causada por substâncias ototóxicas, como os quimioterápicos, é do tipo neurossensorial, pois lesa as células ciliadas da cóclea ou o nervo auditivo, e não as estruturas condutoras do som (orelha externa/média). O limiar de 25 decibéis é o marco clássico que separa a audição normal da perda auditiva — perdas acima desse valor configuram déficit auditivo, enquanto valores entre 10 e 25 dB permanecem dentro da faixa de normalidade. A alternativa B é a única que combina corretamente o tipo (neurossensorial) com a intensidade (acima de 25 dB).
A ototoxicidade é o dano às estruturas do ouvido interno — cóclea, vestíbulo ou nervo auditivo — causado por exposição a determinadas substâncias químicas. Os quimioterápicos, especialmente os derivados da platina (cisplatina, carboplatina) e os aminoglicosídeos, são os agentes mais conhecidos por esse efeito. O mecanismo é a lesão direta das células ciliadas externas da cóclea, que são responsáveis pela amplificação e transdução do som em impulso nervoso. Como essas células não se regeneram, a perda auditiva resultante é tipicamente permanente e irreversível, podendo ser bilateral e afetar inicialmente as frequências altas.
A classificação da perda auditiva em condutiva ou neurossensorial depende da localização da lesão, não da intensidade. A perda condutiva ocorre quando há obstrução ou dano na orelha externa ou média (cerume, otite média, otosclerose com fixação do estribo), impedindo a transmissão mecânica do som até a cóclea. A perda neurossensorial, por sua vez, decorre de lesão na cóclea (células ciliadas) ou nas vias neurais auditivas — exatamente o que acontece na ototoxicidade. A perda mista combina os dois componentes.
O limiar de 25 dB é o ponto de corte universalmente aceito para definir audição normal: limiares até 25 dB são considerados normais, e valores acima indicam perda auditiva. A perda auditiva induzida por ototóxicos, quando clinicamente significativa, ultrapassa esse limiar — daí a alternativa correta mencionar "acima de 25 decibéis". A faixa de 10 a 25 dB, citada nos distratores, representa apenas uma perda leve que ainda não configura déficit auditivo, sendo incompatível com o quadro de ototoxicidade clinicamente manifesta.
Na prática clínica, o paciente em quimioterapia com queixa de perda auditiva deve ser submetido a avaliação audiológica completa, incluindo audiometria tonal e vocal. A documentação da perda é essencial, pois a ototoxicidade é geralmente irreversível — a conduta é suspender o agente ototóxico quando possível e substituí-lo por alternativa menos lesiva. O exame com diapasão (Rinne e Weber) ajuda a diferenciar o tipo de perda: na neurossensorial, o teste de Rinne permanece positivo (via aérea > via óssea) e o de Weber lateraliza para o lado são.
A pegadinha central desta questão está em associar a ototoxicidade a um tipo de perda e a uma intensidade. O candidato que sabe que quimioterápicos causam perda neurossensorial pode hesitar entre as alternativas B e E, mas o limiar de 25 dB resolve: perda auditiva verdadeira é acima de 25 dB, não entre 10 e 25 dB. Guarde a tríade: ototóxico → lesão coclear → perda neurossensorial → acima de 25 dB.
Perda auditiva
1Quanto ao tipo
Condutiva (orelha externa/média)
Neurossensorial (cóclea/nervo)
Ototoxicidade por quimioterápicos
Mista (combina os dois)
2Quanto à intensidade
Até 25 dB: audição normal
Acima de 25 dB: perda auditiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra no tipo e na intensidade. A perda condutiva resulta de alterações na orelha externa ou média (como otite média ou otosclerose), não da ação de quimioterápicos. Além disso, a faixa de 10 a 25 dB está dentro da normalidade auditiva, não configurando perda auditiva clinicamente relevante.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ototoxicidade por quimioterápicos lesa as células ciliadas da cóclea, produzindo perda auditiva neurossensorial. O limiar de 25 dB é o marco que separa audição normal de perda auditiva — perdas acima desse valor são consideradas déficit auditivo. A combinação tipo + intensidade está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acerta na intensidade (acima de 25 dB), mas erra no tipo. A perda condutiva não é causada por quimioterápicos; ela decorre de problemas na condução do som pela orelha externa/média. O erro está em classificar como condutiva uma lesão que é coclear.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra no tipo e na intensidade. A perda mista combina componentes condutivo e neurossensorial, o que não é o padrão da ototoxicidade pura. A faixa de 10 a 25 dB, além disso, está dentro da normalidade, não caracterizando perda auditiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Acerta no tipo (neurossensorial), mas erra na intensidade. A faixa de 10 a 25 dB representa audição normal ou perda muito leve, não configurando o déficit auditivo clinicamente significativo que a ototoxicidade produz. O limiar de 25 dB é o divisor: perda auditiva é acima dele.
Gabarito: letra B — perda auditiva neurossensorial acima de 25 decibéis.