Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg031418
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
Paciente de dezessete anos de idade apresenta quadro de amigdalite há cinco dias, com abaulamento peritonsilar e desvio de úvula.Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que
Aé um quadro de abscesso periamigdaliano e a paciente tem indicação absoluta de amigdalectomia, pois tem grande chance de recidiva.
Bserá considerada indicação absoluta de amigdalectomia, se houver presença de caseum.
Cepisódios de cinco amigdalites em dois anos consecutivos são considerados como amigdalite de repetição e têm indicação absoluta de amigdalectomia.
Dhiperplasia de amígdalas com apneia do sono e alteração do desenvolvimento da face na infância têm indicação relativa de adenotonsilectomia
Ecasos de formação de abscesso periamigdaliano são considerados como indicações relativas de amigdalectomia.
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GabaritoE — casos de formação de abscesso periamigdaliano são considerados como indicações relativas de amigdalectomia.
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Abscesso periamigdaliano e indicações de amigdalectomia
Gabarito: letra E. O abscesso periamigdaliano é uma complicação da amigdalite aguda e, segundo as diretrizes de otorrinolaringologia, sua ocorrência configura indicação relativa de amigdalectomia — não absoluta. A alternativa E está correta ao afirmar exatamente isso, enquanto as demais ou superestimam a indicação (absoluta) ou trazem critérios incorretos.
O abscesso periamigdaliano é uma coleção purulenta que se forma no espaço entre a cápsula da amígdala palatina e o músculo constritor superior da faringe. O quadro clínico clássico é o do paciente jovem com amigdalite há alguns dias que evolui com dor de garganta intensa e unilateral, trismo, voz abafada ("batata quente na boca"), sialorreia e, ao exame, abaulamento do pilar amigdaliano anterior com desvio da úvula para o lado contralateral — exatamente o que o enunciado descreve. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento de primeira linha consiste em punção aspirativa ou incisão e drenagem do abscesso, associado a antibioticoterapia. A amigdalectomia nesse contexto pode ser realizada de forma aguda (quando há complicações ou falha da drenagem) ou, mais comumente, de forma eletiva, após a resolução do processo agudo.
A distinção central que a questão explora é entre indicação absoluta e indicação relativa de amigdalectomia. As indicações absolutas são aquelas em que a cirurgia é claramente benéfica e necessária, como: obstrução grave das vias aéreas superiores por hipertrofia amigdaliana (com apneia obstrutiva do sono, cor pulmonale ou dificuldade de deglutição), suspeita de neoplasia maligna, abscesso periamigdaliano que não responde ao tratamento clínico/drenagem, e hemorragia recorrente de origem amigdaliana. Já as indicações relativas envolvem situações em que a cirurgia pode ser considerada, mas a decisão é individualizada, pesando-se riscos e benefícios: amigdalites de repetição (geralmente definidas como 7 ou mais episódios em um ano, 5 ou mais por ano em dois anos consecutivos, ou 3 ou mais por ano em três anos consecutivos), abscesso periamigdaliano prévio (após resolução), halitose ou caseum persistente que não melhora com medidas clínicas, e portadores de febre reumática que não toleram a profilaxia antibiótica.
A pegadinha da banca está em inverter essa classificação: as alternativas A, B e C tratam situações que são, na verdade, indicações relativas como se fossem absolutas, e a alternativa D inverte o grau de indicação da apneia obstrutiva do sono (que é indicação absoluta, não relativa). O candidato que decora a lista sem entender o raciocínio clínico cai facilmente nessas armadilhas. Guarde o critério: indicação absoluta = risco de vida, malignidade ou complicação grave não controlada; indicação relativa = impacto na qualidade de vida ou recorrência, com decisão compartilhada.
Critério
Indicação Absoluta
Indicação Relativa
Abscesso periamigdaliano
Não (tratamento inicial: drenagem + antibióticos)
Sim (após resolução do quadro agudo, decisão individualizada)
Amigdalite de repetição
Não
Sim (≥7 episódios/1 ano; ≥5/ano em 2 anos; ≥3/ano em 3 anos)
Caseum persistente
Não
Sim (quando refratário a medidas clínicas)
Apneia obstrutiva do sono (hiperplasia amigdaliana)
Sim (obstrução grave com repercussão sistêmica)
Não
Indicações de amigdalectomia
1Absolutas
Obstrução grave (apneia, cor pulmonale)
Suspeita de neoplasia
Abscesso refratário à drenagem
Hemorragia recorrente
2Relativas
Amigdalites de repetição
Abscesso periamigdaliano prévio
Caseum/halitose persistente
Febre reumática sem profilaxia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O abscesso periamigdaliano não é indicação absoluta de amigdalectomia. O tratamento inicial é drenagem (punção ou incisão) + antibióticos. A amigdalectomia pode ser indicada após a resolução do quadro agudo, mas como indicação relativa, não absoluta. A afirmação de que "tem grande chance de recidiva" também é exagerada — a recidiva ocorre em parcela dos pacientes, mas não justifica cirurgia imediata e obrigatória.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A presença de caseum (material esbranquiçado nos criptas amigdalianos) é uma condição comum e, isoladamente, não configura indicação absoluta de amigdalectomia. O caseum pode causar halitose e desconforto, mas o tratamento inicial é clínico (higiene, gargarejos). A cirurgia só é considerada em casos sintomáticos persistentes e refratários, como indicação relativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O critério de amigdalite de repetição citado (5 episódios em 2 anos consecutivos) está incorreto. As diretrizes mais aceitas definem amigdalite de repetição como: ≥7 episódios em 1 ano, ≥5 episódios por ano em 2 anos consecutivos, ou ≥3 episódios por ano em 3 anos consecutivos. Além disso, mesmo quando o critério é preenchido, a indicação de amigdalectomia é relativa, não absoluta — a decisão deve considerar a gravidade dos episódios, a resposta ao tratamento clínico e o impacto na qualidade de vida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hiperplasia amigdaliana com apneia obstrutiva do sono e alteração do desenvolvimento facial na infância é uma das principais indicações absolutas de adenotonsilectomia, não relativa. A obstrução grave das vias aéreas superiores com repercussão sistêmica (apneia, hipoxemia, cor pulmonale, falência de crescimento) é situação em que a cirurgia é claramente indicada e necessária.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ocorrência de abscesso periamigdaliano é classicamente listada como indicação relativa de amigdalectomia. Após o tratamento do episódio agudo (drenagem + antibióticos), a decisão de operar é individualizada, considerando a recorrência de amigdalites, a gravidade do episódio e as comorbidades do paciente. A alternativa espelha exatamente essa classificação.