Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031427
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pediatria Clínica - UPA
Recém‑nascido, 7 dias de vida, apresenta quadro de secreção ocular abundante, purulenta e bilateral. Nega febre. Nascido de parto vaginal, com mãe que fez três consultas de pré‑natal e teve diversas infecções do trato urinário.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta os principais agentes etiológicos e o tratamento empírico a ser realizado.
ANeisseria gonorrhoeae e Clamydia trachomatis, Cefalosporina 3a geração e macrolídeo.
BNeisseria gonorrhoeae e Clamydia trachomatis, Cefalosporina 1a geração e macrolídeo.
CNeisseria gonorrhoeae e Clamydia pneumoniae Cefalosporina 3a geração e macrolídeo
DNeisseria gonorrhoeae e Clamydia pneumoniae, Cefalosporina 1a geração e macrolídeo
EAdenovirus e Clamydia trachomatis, e macrolídeo.
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GabaritoA — Neisseria gonorrhoeae e Clamydia trachomatis, Cefalosporina 3a geração e macrolídeo.
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Conjuntivite neonatal: agentes etiológicos e tratamento empírico
Gabarito: letra A. O quadro de secreção ocular purulenta e bilateral em recém-nascido com 7 dias de vida, nascido de parto vaginal, é classicamente causado por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, e o tratamento empírico deve cobrir ambos com cefalosporina de 3ª geração (para gonococo) e macrolídeo (para clamídia). A alternativa A é a única que combina corretamente os dois agentes etiológicos e as duas classes de antibióticos.
A conjuntivite neonatal, também chamada de oftalmia neonatal, é uma conjuntivite purulenta que ocorre no primeiro mês de vida e representa uma emergência oftalmológica, pois pode levar à cegueira, especialmente quando causada pela N. gonorrhoeae. A transmissão ocorre verticalmente, durante o parto vaginal, quando o recém-nascido entra em contato com secreções genitais infectadas da mãe. O risco de transmissão vertical situa-se entre 30% e 50%, tanto para N. gonorrhoeae como para C. trachomatis. Por isso, a profilaxia ocular na primeira hora após o nascimento é efetiva contra o gonococo, mas frequentemente não é contra a clamídia.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a coleta de secreção para Gram e cultura é recomendada para confirmação etiológica. O tratamento, no entanto, deve ser iniciado imediatamente, de forma empírica, pois o atraso pode resultar em dano ocular irreversível. A escolha do esquema antibiótico deve cobrir os dois agentes mais comuns e graves: a N. gonorrhoeae (que causa quadro purulento grave, com risco de perfuração corneana) e a C. trachomatis (que causa quadro mucopurulento, frequentemente associado a pneumonite e otite média).
A distinção entre os agentes é importante para o manejo. A conjuntivite gonocócica costuma surgir entre 2 e 5 dias após o parto, com secreção serossanguinolenta inicial que se torna mucopurulenta e abundante. Já a conjuntivite por clamídia tem período de incubação mais longo, de 5 a 14 dias, e cursa com secreção mucopurulenta, hiperemia e edema conjuntival, podendo haver membranas na conjuntiva tarsal. No caso apresentado, o recém-nascido tem 7 dias de vida, o que se encaixa no período de incubação de ambos os agentes, reforçando a necessidade de cobertura dupla.
A pegadinha da banca está em trocar o agente etiológico C. trachomatis por C. pneumoniae (alternativas C e D) e em trocar a cefalosporina de 3ª geração pela de 1ª geração (alternativas B e D). A C. pneumoniae é um agente de infecção respiratória, não de conjuntivite neonatal, e a cefalosporina de 1ª geração não é eficaz contra N. gonorrhoeae com a mesma segurança da 3ª geração. A alternativa E, por sua vez, troca o agente bacteriano por um viral (Adenovírus), o que não se aplica ao quadro purulento bilateral típico de etiologia bacteriana.
Guarde a fronteira entre os agentes etiológicos e as classes de antibióticos: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A combinação correta é N. gonorrhoeae + C. trachomatis com cefalosporina de 3ª geração + macrolídeo.
Conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal)
1Agentes etiológicos
Neisseria gonorrhoeae
Período: 2–5 dias
Secreção purulenta abundante
Chlamydia trachomatis
Período: 5–14 dias
Secreção mucopurulenta
2Tratamento empírico
Cefalosporina 3ª geração (gonococo)
Macrolídeo (clamídia)
3Transmissão
Vertical (parto vaginal)
Risco: 30–50%
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa apresenta corretamente os principais agentes etiológicos da conjuntivite neonatal bacteriana: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. O tratamento empírico com cefalosporina de 3ª geração (como ceftriaxona) é a escolha para cobrir o gonococo, enquanto o macrolídeo (como eritromicina) é o tratamento para a clamídia. A combinação é a recomendada para o manejo empírico da oftalmia neonatal, pois cobre os dois agentes mais comuns e graves.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está na classe da cefalosporina. A alternativa troca a cefalosporina de 3ª geração pela de 1ª geração. A cefalosporina de 1ª geração (como cefazolina) não é a escolha recomendada para o tratamento da conjuntivite gonocócica neonatal, pois a N. gonorrhoeae pode apresentar resistência e a 3ª geração (ceftriaxona, cefotaxima) é a opção com eficácia comprovada e segura para o recém-nascido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está no segundo agente etiológico. A alternativa troca Chlamydia trachomatis por Chlamydia pneumoniae. A C. pneumoniae é um agente de infecção respiratória (como pneumonia atípica), não sendo um agente causal de conjuntivite neonatal. A conjuntivite de inclusão do recém-nascido é causada pela C. trachomatis, transmitida verticalmente durante o parto vaginal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa acumula dois erros: troca o agente etiológico C. trachomatis por C. pneumoniae e troca a cefalosporina de 3ª geração pela de 1ª geração. Ambos os erros já foram explicados nas alternativas B e C. A combinação correta exige C. trachomatis e cefalosporina de 3ª geração.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O erro está na troca do agente bacteriano por um viral. A alternativa apresenta Adenovírus como um dos principais agentes etiológicos, o que não se aplica ao quadro descrito. A conjuntivite neonatal purulenta e bilateral, com 7 dias de vida, é classicamente bacteriana, causada por N. gonorrhoeae e C. trachomatis. O Adenovírus causa conjuntivite viral, geralmente com secreção serosa, não purulenta, e não é o principal agente na faixa etária neonatal. Além disso, a alternativa não menciona a cobertura para gonococo, o que é essencial no tratamento empírico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os agentes etiológicos e as classes de antibióticos para confundir. Aqui, ela troca C. trachomatis por C. pneumoniae (que causa pneumonia, não conjuntivite neonatal) e a cefalosporina de 3ª geração pela de 1ª geração (que não é eficaz contra o gonococo). Fique atento: a conjuntivite neonatal bacteriana é causada por N. gonorrhoeae e C. trachomatis, e o tratamento empírico deve cobrir ambos com cefalosporina de 3ª geração e macrolídeo. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪