Em um caso de hemorragia volumosa, assinale a alternativa que apresenta o comportamento esperado entre a pressão arterial sistêmica e o tempo de enchimento capilar.
AO tempo de enchimento capilar é prolongado somente após uma hipotensão grave e prolongada.
BA hipotensão arterial não tem grande relação com o tempo de enchimento capilar prolongado nesse mecanismo de doença.
CO tempo de enchimento capilar prolongado pode estar presente, mesmo quando a hipotensão ainda não se manifestou.
DO tempo de enchimento capilar prolongado é um sinal mais específico de choque que a hipotensão arterial.
EO tempo de enchimento capilar prolongado e a hipotensão surgem quando aproximadamente 10% da volemia foi perdida.
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GabaritoC — O tempo de enchimento capilar prolongado pode estar presente, mesmo quando a hipotensão ainda não se manifestou.
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Choque hemorrágico: tempo de enchimento capilar e hipotensão
Gabarito: letra C. Em uma hemorragia volumosa, o tempo de enchimento capilar prolongado é um sinal precoce de hipoperfusão tecidual e pode estar presente antes da queda da pressão arterial, pois a hipotensão é um achado tardio no choque. Essa relação é clássica na fisiopatologia do choque hemorrágico e está alinhada com a classificação do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que demonstra que a pressão arterial só cai em classes mais avançadas de perda volêmica.
O choque hemorrágico é uma forma de choque hipovolêmico em que a perda de sangue reduz a volemia e a pré-carga, comprometendo a perfusão tecidual. O organismo lança mão de mecanismos compensatórios, como taquicardia e vasoconstrição periférica, para manter a pressão arterial em níveis relativamente normais nas fases iniciais. O tempo de enchimento capilar (TEC) é um marcador clínico de perfusão periférica: quando prolongado (> 2 segundos), indica vasoconstrição e hipoperfusão, que ocorrem precocemente, antes que a hipotensão se instale. A hipotensão, por sua vez, é um sinal de falência dos mecanismos compensatórios e representa um estágio mais avançado e grave da hipovolemia.
A classificação do choque hemorrágico pelo ATLS divide a perda volêmica em quatro classes, correlacionando-a com sinais clínicos. Na Classe I (perda de até 15% da volemia), a pressão arterial permanece normal. Na Classe II (15-30%), a pressão arterial ainda é normal, mas o paciente já apresenta taquicardia e sinais de hipoperfusão, como o TEC prolongado. A hipotensão só se manifesta na Classe III (30-40% de perda), quando os mecanismos compensatórios se esgotam. Isso evidencia que o TEC prolongado é um sinal mais precoce que a hipotensão.
A alternativa C captura exatamente essa sequência fisiopatológica: o TEC prolongado pode estar presente mesmo quando a hipotensão ainda não se manifestou. As demais alternativas distorcem essa relação, seja invertendo a ordem dos eventos, seja minimizando a importância do TEC ou atribuindo valores incorretos de perda volêmica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da cronologia dos sinais de choque. O candidato pode pensar que a hipotensão é o primeiro sinal, mas ela é tardia. O TEC prolongado é um marcador precoce de hipoperfusão, aparecendo antes da queda da pressão arterial. Lembre-se: no choque hemorrágico, a hipotensão é um sinal de estágio avançado, não inicial.
1Perda de até 15% (Classe I)
2Perda de 15-30% (Classe II)
3Perda de 30-40% (Classe III)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o TEC prolongado só ocorre após hipotensão grave e prolongada. Isso inverte a ordem fisiopatológica: o TEC prolongado é um sinal precoce de hipoperfusão, presente antes da hipotensão. A hipotensão é que é tardia, representando um estágio mais avançado do choque.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a hipotensão não tem grande relação com o TEC prolongado. Na verdade, ambos são manifestações do mesmo processo de hipoperfusão, mas em momentos diferentes. O TEC prolongado reflete a vasoconstrição compensatória inicial, enquanto a hipotensão surge quando essa compensação falha. Há relação direta, apenas com cronologia distinta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O TEC prolongado pode estar presente mesmo sem hipotensão, pois é um sinal precoce de hipoperfusão tecidual. Na classificação do ATLS, o TEC prolongado aparece já na Classe II (perda de 15-30%), enquanto a hipotensão só ocorre na Classe III (perda de 30-40%). Isso confirma que o TEC é um marcador mais sensível e precoce que a pressão arterial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o TEC prolongado é mais específico que a hipotensão para choque. A hipotensão é um sinal mais específico de choque, embora menos sensível. O TEC prolongado é mais sensível, mas menos específico, pois pode ocorrer em outras condições, como hipotermia ou doença vascular periférica. A relação de especificidade está invertida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que TEC prolongado e hipotensão surgem com perda de aproximadamente 10% da volemia. Na verdade, com 10% de perda (Classe I), o paciente geralmente é assintomático, com TEC normal e pressão arterial preservada. O TEC prolongado surge na Classe II (15-30%) e a hipotensão apenas na Classe III (30-40%). O valor de 10% não corresponde a nenhum marco clínico relevante.