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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2023

MedicinaPneumologia
Código
qg031442
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia
Paciente de 23 anos de idade, masculino, previamente hígido, procura atendimento médico devido a sintomas agudos de tosse produtiva com expectoração esverdeada, calafrios e dor torácica pleurítica esquerda. Ele apresentava‑se prostrado, lúcido e orientado, com sinais vitais preservados, porém tinha desidratação leve e ausculta torácica com creptações em terço inferior de hemitórax esquerdo. O hemograma apontava leucocitose de 22.500 leucócitos, com 10% de bastões, com proteína C reativa (PCR) de 10,3 (valor de referência: 0,5). Função hepática, renal e eletrólitos estão normais. Realizou radiografia de tórax que evidenciou consolidação em base de pulmão direito, com pequeno componente de derrame pleural, obliterando o seio costofrênico esquerdo. Optou‑se por internação, com prescrição de ampicilina‑subactam associada à azitromicina por via endovenosa. O paciente persistiu nos três dias seguintes à internação com episódios febris e leucocitose com desvio, bem como PCR em piora (33,8). Realizou nova radiografia de tórax, sendo observado aumento de derrame pleural, agora ocupando todo o terço inferior a médio de hemitórax esquerdo.Com base nessa situação hipotética, a melhor conduta diante desse quadro clínico, laboratorial e radiológico do paciente seria
  1. Atroca de ampicilina‑subactam por piperacilina‑tazobactam, com manutenção de azitromicina.
  2. Btransferência do paciente para leito de terapia intensiva, pelo alto risco de piora nas próximas horas, com necessidade de intubação orotraqueal.
  3. Csolicitação de broncoscopia para investigação de germe resistente, com troca do regime antibiótico para meropenem.
  4. Dtoracocentese diagnóstica com vistas à confirmação de empiema.
  5. Emanutenção de esquema antibiótico, com nova reavaliação após 72 horas.
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GabaritoD — toracocentese diagnóstica com vistas à confirmação de empiema.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derrame Pleural Parapneumônico e Empiema: Conduta Diagnóstica

Gabarito: letra D. Diante de pneumonia com derrame pleural que aumenta de volume apesar de antibioticoterapia adequada, a melhor conduta é a toracocentese diagnóstica para confirmar a hipótese de empiema — a análise do líquido pleural (pH, glicose, LDH, citologia e cultura) é o passo essencial para diferenciar derrame parapneumônico simples de complicado/empiema, orientando a necessidade de drenagem. Essa conduta está alinhada às diretrizes de doenças pleurais e ao manejo da pneumonia complicada.

O caso descreve um paciente jovem, previamente hígido, com quadro clássico de pneumonia adquirida na comunidade (tosse produtiva com expectoração esverdeada, febre, calafrios, dor pleurítica, consolidação radiológica e leucocitose com desvio à esquerda). O tratamento inicial com ampicilina-sulbactam associada à azitromicina é adequado para a maioria dos casos de PAC em paciente internado. No entanto, a persistência de febre, a piora da PCR e, principalmente, o aumento do derrame pleural na radiografia de controle são sinais de alerta para uma complicação: o derrame parapneumônico complicado ou empiema.

O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, ocorrendo em até 40% dos casos. Ele se desenvolve em três estágios: exsudativo (líquido estéril, pH > 7,20), fibrinopurulento (líquido com pH < 7,20, glicose baixa, LDH elevado, podendo ter bactérias) e organizado (formação de fibrose e septações). O empiema é a presença de pus no espaço pleural ou cultura positiva do líquido. A progressão do derrame, como no caso, sugere que o processo está evoluindo para o estágio fibrinopurulento ou empiema, o que exige intervenção diagnóstica e, frequentemente, terapêutica.

A toracocentese diagnóstica é o procedimento de escolha nesse cenário. Ela permite:

  • Confirmar a natureza do derrame (exsudato vs. transudato) pelos critérios de Light;

  • Avaliar o pH, glicose e LDH, que são os marcadores que definem a necessidade de drenagem (pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL e LDH > 1.000 U/L indicam derrame complicado);

  • Realizar cultura e Gram do líquido para guiar a antibioticoterapia;

  • Diferenciar empiema (pus, cultura positiva) de derrame parapneumônico simples.

A conduta correta não é simplesmente trocar o antibiótico (alternativa A), pois a falha terapêutica aqui não é primariamente por resistência bacteriana, mas sim pela formação de um foco purulento no espaço pleural que não é acessível ao antibiótico sistêmico. Também não é indicar broncoscopia (alternativa C) — esse exame é reservado para suspeita de corpo estranho, neoplasia ou atelectasia persistente, não para investigação de germe resistente em derrame pleural. A transferência para UTI (alternativa B) não se justifica, pois o paciente está estável hemodinamicamente, sem sinais de insuficiência respiratória ou sepse grave. E a manutenção do esquema com reavaliação em 72 horas (alternativa E) seria uma conduta perigosa, pois ignora a progressão radiológica e o risco de complicações.

A distinção crucial que o médico deve fazer é entre derrame parapneumônico simples (que pode ser tratado apenas com antibióticos) e derrame complicado/empiema (que requer drenagem). A toracocentese é o divisor de águas: é ela que fornece os dados objetivos (pH, glicose, LDH, cultura) para decidir se o paciente precisa de dreno de tórax. Essa é a pegadinha da questão: muitos candidatos optariam por trocar o antibiótico ou manter a conduta, mas a progressão do derrame é o sinal de que a abordagem precisa ser mais invasiva.

  1. 1Exsudativo (pH > 7,20)
  2. 2Fibrinopurulento (pH < 7,20)
  3. 3Organizado (fibrose/septações)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A troca de ampicilina-sulbactam por piperacilina-tazobactam não é a conduta mais adequada. O problema não é a resistência bacteriana ao esquema inicial, mas sim a formação de um derrame pleural complicado/empiema, que não responde apenas à antibioticoterapia sistêmica. A piperacilina-tazobactam é um antibiótico de espectro mais amplo, mas não trata o foco purulento no espaço pleural. A conduta correta é a toracocentese diagnóstica para avaliar a necessidade de drenagem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A transferência para UTI não é indicada neste momento. O paciente está lúcido, orientado, com sinais vitais preservados e sem sinais de insuficiência respiratória ou instabilidade hemodinâmica. A presença de derrame pleural aumentando não é, por si só, critério de UTI. A prioridade é o diagnóstico do derrame (toracocentese), não a mudança de nível de cuidado. A intubação orotraqueal não é uma necessidade iminente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A broncoscopia não é o exame indicado para investigar germe resistente em um paciente com derrame pleural. A broncoscopia é útil para diagnóstico de lesões endobrônquicas, corpo estranho, ou para coleta de amostras do trato respiratório inferior em casos específicos. No contexto de derrame pleural parapneumônico, o exame que fornece o diagnóstico é a toracocentese com análise do líquido pleural. A troca do antibiótico para meropenem também não é justificada sem dados microbiológicos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A toracocentese diagnóstica é a conduta correta. O paciente apresenta pneumonia com derrame pleural que aumentou de volume apesar de antibioticoterapia adequada, sugerindo evolução para derrame parapneumônico complicado ou empiema. A toracocentese permite analisar o líquido pleural (pH, glicose, LDH, citologia, cultura) e confirmar o diagnóstico, orientando a necessidade de drenagem torácica. É o passo fundamental para decidir a conduta terapêutica definitiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter o esquema antibiótico e reavaliar em 72 horas é uma conduta inadequada diante da progressão do derrame pleural. A piora clínica (febre persistente), laboratorial (PCR aumentando) e radiológica (aumento do derrame) indica que o tratamento atual não está sendo eficaz e que há uma complicação que precisa ser investigada. Aguardar mais 72 horas sem intervenção diagnóstica pode permitir a progressão para empiema organizado, com maior morbidade e necessidade de procedimentos mais invasivos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "falha do antibiótico" e "complicação do derrame". O candidato pode pensar em trocar o antibiótico (A) ou manter e reavaliar (E), mas o aumento do derrame pleural é o sinal de que o problema é mecânico (pus no espaço pleural), não apenas bacteriano. A toracocentese é o passo que separa o derrame simples do complicado.

PEGA ESSA DICA!

Na prática, diante de pneumonia com derrame pleural, lembre-se da regra: todo derrame parapneumônico deve ser considerado para toracocentese diagnóstica, especialmente se for volumoso, se o paciente não melhorar com antibióticos ou se houver sinais de empiema. Os critérios de Light e o pH do líquido pleural são as ferramentas para decidir a drenagem.

Gabarito: letra D

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