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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2023

MedicinaPneumologia
Código
qg031445
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia
Paciente de 42 anos de idade, mulher, acometida por esclerose múltipla, faz uso de micofenolato de mofetila e prednisona 10 mg/dia. Tem histórico de doença pulmonar intersticial secundária à doença do colágeno, com padrão de pneumonia intersticial não específica fibrosante. Histórico de falha de uso prévio de azatioprina devido à progressão de doença pulmonar. Um pneumologista recebe solicitação de avaliação dessa paciente devido a queixas de piora da tosse seca e dispneia. Avaliação comparativa de espirometria evidencia queda de capacidade vital forçada de 210 ml em relação ao exame realizado seis meses antes. Tomografia de tórax mostra aumento do espessamento intersticial, bem como das áreas de faveolamento, também quando comparado com exames seis meses antes. O hemograma, velocidade de hemosedimentação de proteína C reativa está normal. Não há evidência de vidro fosco novo na tomografia atual.Com base nessa situação hipotética, a melhor indicação de conduta é
  1. Afazer novo controle em seis meses devido ao tempo inadequado para avaliação.
  2. Bsugerir troca de micofenolato de mofetil por rituximabe.
  3. Csugerir torça de micofenolato de mofetil por pulsoterapia com ciclofosfamida.
  4. Dmanter esquema de tratamento e iniciar nintendanibe.
  5. Esolicitar revisão de diagnóstico por parte do reumatologista assistente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — manter esquema de tratamento e iniciar nintendanibe.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença Pulmonar Intersticial na Esclerose Sistêmica: Conduta com Nintedanibe

Gabarito: letra D. A paciente apresenta progressão da doença pulmonar intersticial (DPI) associada à esclerose sistêmica, evidenciada por queda da capacidade vital forçada (CVF) de 210 mL em seis meses e piora tomográfica, mesmo em uso de micofenolato. Nesse cenário, a conduta mais adequada é manter o esquema imunossupressor e adicionar nintedanibe, antifibrótico que demonstrou reduzir o declínio da CVF nessa população, conforme diretrizes atuais.

A esclerose sistêmica (ES) é uma doença autoimune do colágeno que pode cursar com acometimento pulmonar, sendo a doença pulmonar intersticial (DPI) uma das principais causas de morbimortalidade. O padrão de pneumonia intersticial não específica (NSIP) fibrosante é o mais comum. O tratamento de base envolve imunossupressão, sendo o micofenolato de mofetila (MMF) uma opção com bom perfil de tolerabilidade e eficácia, especialmente quando iniciado precocemente. A azatioprina, por sua vez, pode ser alternativa, mas a paciente já apresentou falha terapêutica com progressão da doença.

O nintedanibe é um inibidor de tirosina quinase com ação antifibrótica, aprovado para DPI associada à esclerose sistêmica. O estudo SENSCIS, um ensaio clínico randomizado, demonstrou que o nintedanibe reduziu a taxa anual de declínio da CVF em pacientes com DPI-ES, mesmo naqueles em uso concomitante de micofenolato. Dessa forma, a adição do antifibrótico ao imunossupressor é a conduta recomendada quando há progressão da doença, como no caso descrito.

A decisão de manter o MMF e adicionar nintedanibe se baseia na evidência de que a combinação é segura e eficaz. A troca por rituximabe ou ciclofosfamida não é a primeira escolha nesse contexto, pois o nintedanibe tem indicação específica para DPI-ES e a paciente já está em uso de imunossupressor. A conduta de apenas reavaliar em seis meses seria inadequada, pois há clara progressão funcional e tomográfica. A revisão diagnóstica pelo reumatologista não é necessária, pois o diagnóstico de DPI-ES está bem estabelecido.

A pegadinha da questão está em reconhecer que a progressão da DPI, mesmo em uso de imunossupressor, não indica necessariamente troca da terapia imunossupressora, mas sim a adição de um antifibrótico. O nintedanibe atua na via fibrótica, complementando a ação imunossupressora do MMF. Essa é a abordagem moderna e baseada em evidências para o manejo da DPI-ES progressiva.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Fazer novo controle em seis meses seria inadequado, pois a paciente já apresenta critérios de progressão da doença: queda de CVF > 5% (210 mL) e piora tomográfica em seis meses. Aguardar mais seis meses sem intervenção permitiria maior progressão da fibrose, com piora funcional irreversível. A conduta correta é iniciar tratamento antifibrótico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Trocar micofenolato por rituximabe não é a conduta de primeira linha para DPI-ES progressiva. Embora o rituximabe tenha mostrado resultados promissores em alguns estudos, a evidência mais robusta para DPI-ES é com nintedanibe, que tem indicação aprovada. Além disso, a paciente já está em uso de MMF, e a adição de antifibrótico é a estratégia preferencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Trocar micofenolato por pulsoterapia com ciclofosfamida não é a melhor opção. A ciclofosfamida é uma alternativa imunossupressora, mas com perfil de toxicidade maior e sem evidência de superioridade sobre o MMF. O nintedanibe, por sua vez, tem ação antifibrótica específica e é a escolha mais adequada para DPI-ES progressiva.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Manter o esquema de tratamento (micofenolato) e iniciar nintedanibe é a conduta correta. O nintedanibe é um antifibrótico aprovado para DPI associada à esclerose sistêmica, com evidência de redução do declínio da CVF. A combinação com MMF é segura e eficaz, sendo a abordagem recomendada para pacientes com progressão da doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar revisão de diagnóstico pelo reumatologista não é necessário, pois o diagnóstico de DPI-ES está bem estabelecido, com padrão NSIP fibrosante e progressão documentada. A conduta deve ser terapêutica, com adição de antifibrótico, e não diagnóstica.

Gabarito: letra D

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