Mulher de 35 anos de idade, asmática, já em acompanhamento há cinco anos em ambulatório especializado, apresentando nos últimos dois anos crises de asma com necessidade de idas ao pronto‑socorro em duas oportunidades, sendo que, no último ano, precisou fazer três cursos de corticoide sistêmico. Apresenta quadro de rinite alérgica. Suas medicações de uso regular: formoterol/ budesonida 12/400 mcg 1 jato a cada oito horas; tiotrópio 5 mcg ao dia; salbutamol 2 jatos de 12/12 horas; montelucaste sódico 10 mg uma vez ao dia; budesonida nasal 100 mcg a cada doze horas, após irrigação nasal com soro fisiológico. Trazia exames realizados fora do período de crise, há mais de sessenta dias sem uso de corticoide sistêmico, com hemograma normal, e dosagem de IgE de 453 UI/ml. Feita investigação residencial e do trabalho, foi dada como negativa para contato com antígenos. Descartada a hipótese de doença do refluxo gastroesofágico e apneia do sono.Com base nessa situação hipotética, a respeito da conduta que visa ao controle da doença dessa paciente, assinale a alternativa correta.
Amanter medicações, adicionando omalizumabe
Bmanter medicações, acrescentando benralizumabe
Csuspender tiotrópio e iniciar dupilumabe
Dmanter medicações e acrescentar prednisona 5mg por dia, perene
Esuspender todas as medicações inalatórias e iniciar tripla terapia inalada em um único dispositivo
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Asma grave não controlada: escalonamento com imunobiológicos
Gabarito: letra A. A paciente apresenta asma grave não controlada apesar de terapia combinada de alta intensidade (CI+LABA em dose alta, tiotrópio, montelucaste), com exacerbações frequentes e necessidade de corticoide sistêmico, além de rinite alérgica e IgE elevada (453 UI/mL) — fenótipo alérgico T2-alto. Nesse cenário, a conduta indicada é manter as medicações atuais e adicionar omalizumabe (anti-IgE), conforme as diretrizes da GINA e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo. O tratamento é escalonado por etapas (GINA), e o objetivo é alcançar o controle dos sintomas e reduzir riscos futuros (exacerbações, declínio de função pulmonar). Quando o paciente permanece não controlado apesar da terapia otimizada com corticoide inalatório (CI) em dose alta associado a β2-agonista de longa duração (LABA), e após verificação da adesão, técnica inalatória e exclusão de diagnósticos diferenciais, considera-se asma grave. Nessa fase, a conduta é fenotipar o paciente para decidir a terapia adicional, incluindo imunobiológicos.
A paciente do caso já está em uso de formoterol/budesonida 12/400 mcg a cada 8 horas (dose alta de CI+LABA), tiotrópio 5 mcg/dia (adicionado na etapa IV), montelucaste e salbutamol de resgate. Apesar disso, teve 2 idas ao pronto-socorro nos últimos 2 anos e 3 cursos de corticoide sistêmico no último ano — critérios de asma não controlada e de risco. A investigação descartou causas contribuintes (refluxo, apneia, exposição a antígenos). A IgE total elevada (453 UI/mL) e a rinite alérgica apontam para fenótipo alérgico (T2-alto), o que torna o omalizumabe (anticorpo monoclonal anti-IgE) a escolha preferencial. O omalizumabe é indicado para asma alérgica grave não controlada, com IgE elevada e exacerbações frequentes, reduzindo exacerbações e uso de corticoide oral.
As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de indicação. O benralizumabe (anti-IL-5Rα) é opção para asma eosinofílica grave, mas a paciente não tem eosinofilia documentada (hemograma normal) e o fenótipo é alérgico. O dupilumabe (anti-IL-4Rα) é alternativa para asma T2-alto, mas não é a primeira escolha quando há fenótipo alérgico claro com IgE elevada, e a alternativa C propõe suspender o tiotrópio, o que não é recomendado. A prednisona oral crônica (alternativa D) é último recurso, reservada para casos refratários após falha de imunobiológicos, devido aos efeitos adversos. A alternativa E propõe suspender todas as medicações inalatórias, o que é absurdo e perigoso.
A pegadinha central é a distinção entre os imunobiológicos: todos são opções para asma grave, mas a escolha depende do fenótipo. O omalizumabe é para asma alérgica (IgE elevada), enquanto benralizumabe e mepolizumabe são para asma eosinofílica (eosinófilos elevados), e o dupilumabe é para asma T2-alto (podendo ser usado em alérgicos ou eosinofílicos). A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo biológicos de outros fenótipos como distratores.
Asma grave não controlada
1Confirmar diagnóstico e adesão
2Otimizar terapia inalatória
CI+LABA dose alta
Tiotrópio (LAMA)
3Fenotipar
Alérgico (IgE elevada)
Omalizumabe (anti-IgE)
Eosinofílico (eosinófilos ≥ 150/µL)
Mepolizumabe/Benralizumabe (anti-IL-5)
T2-alto (alérgico ou eosinofílico)
Dupilumabe (anti-IL-4Rα)
4Último recurso
Corticoide oral crônico
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta é manter as medicações atuais e adicionar omalizumabe. A paciente tem asma grave não controlada com fenótipo alérgico (IgE total de 453 UI/mL, rinite alérgica, sem eosinofilia). O omalizumabe é um anticorpo monoclonal anti-IgE, indicado para asma alérgica grave não controlada, com exacerbações frequentes apesar de terapia otimizada. Ele reduz exacerbações, hospitalizações e necessidade de corticoide sistêmico. A manutenção das medicações de base é essencial — o imunobiológico é adicionado, não substitui o tratamento inalatório.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O benralizumabe é um anticorpo monoclonal anti-IL-5Rα, indicado para asma eosinofílica grave. A paciente não apresenta eosinofilia (hemograma normal) e tem fenótipo alérgico com IgE elevada. Portanto, o benralizumabe não é a escolha preferencial. A alternativa erra ao indicar um biológico para fenótipo eosinofílico em uma paciente com fenótipo alérgico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O dupilumabe (anti-IL-4Rα) é uma opção para asma T2-alto, mas a alternativa erra ao propor suspender o tiotrópio. O tiotrópio é um broncodilatador de longa duração (LAMA) adicionado na etapa IV da GINA e deve ser mantido quando há benefício. Além disso, o dupilumabe não é a primeira escolha quando há fenótipo alérgico claro com IgE elevada — o omalizumabe é preferencial. A suspensão de medicação de controle sem justificativa é conduta inadequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A prednisona oral em dose baixa contínua (5 mg/dia) é considerada último recurso no tratamento da asma grave, apenas após falha de imunobiológicos e exclusão de causas contribuintes. O uso crônico de corticoide oral está associado a riscos importantes (supressão adrenal, osteoporose, diabetes, ganho de peso). A paciente ainda não tentou imunobiológicos, então a prednisona crônica não é indicada neste momento. A alternativa erra ao propor corticoide oral como primeira opção de escalonamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Suspender todas as medicações inalatórias é conduta absurda e perigosa. O tratamento de manutenção com CI+LABA é a base do controle da asma e nunca deve ser suspenso completamente. A alternativa confunde asma com DPOC, onde a tripla terapia inalada (CI+LABA+LAMA) em um único dispositivo pode ser usada. Na asma, a suspensão do CI aumenta o risco de exacerbações graves e morte. A conduta correta é manter as medicações e adicionar terapia biológica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece imunobiológicos de fenótipos diferentes para confundir. O omalizumabe é para asma alérgica (IgE elevada), enquanto benralizumabe e mepolizumabe são para asma eosinofílica (eosinófilos elevados). A paciente tem IgE de 453 UI/mL e rinite alérgica — fenótipo alérgico claro. Identifique o fenótipo antes de escolher o biológico: é o que separa a alternativa A das demais.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de asma grave, monte um fluxo mental: (1) confirmar diagnóstico e adesão; (2) otimizar terapia inalatória (CI+LABA, tiotrópio); (3) fenotipar (alérgico: IgE elevada → omalizumabe; eosinofílico: eosinófilos ≥ 150/µL → mepolizumabe/benralizumabe; T2-alto: ambos → dupilumabe); (4) corticoide oral crônico apenas como último recurso. Esse raciocínio resolve a maioria das questões sobre o tema.