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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2023

MedicinaPneumologia
Código
qg031448
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia
Paciente de 62 anos de idade, sexo masculino, procura atendimento médico devido a queixa de dispneia aos moderados esforços, com tosse seca eventual. Ele fazia uso de salbutamol 2 jatos duas vezes ao dia. Negava idas a pronto‑socorro devido aos sintomas respiratórios. Tabagista, fumava uma média de trinta maços/ano. Portador de hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana 50 mg/dia. No exame físico, chamava a atenção a saturação periférica de pulso de 91% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com redução difusa do murmúrio vesicular, sem ruídos adventícios. Hemograma, glicemia, função renal, eletrólitos e transaminases estão normais. A radiografia de tórax evidenciava sinais de hiperinsuflação pulmonar. Trazia espirometria com laudo de distúrbio ventilatório obstrutivo leve, com redução leve da CVF.Com base nessa situação hipotética, a respeito da indicação de oxigênio suplementar para esse paciente, assinale a alternativa correta.
  1. AIndicada, devido à comorbidades associadas.
  2. BContraindicada, devido aos riscos de exposição de oxigênio a paciente com risco de retenção de O2.
  3. CDependente de avaliação de teste da caminhada ou polissonografia noturna, indicando hipoxemia de exercício ou durante sono, respectivamente.
  4. DIndicada na dependência de realização de medida da difusão do monóxido de carbono.
  5. EApesar de já haver indicação inequívoca de uso de oxigênio, o paciente deve realizar tomografia de tórax para avaliação de diagnósticos diferenciais para enfisema pulmonar.
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GabaritoC — Dependente de avaliação de teste da caminhada ou polissonografia noturna, indicando hipoxemia de exercício ou durante sono, respectivamente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oxigenoterapia domiciliar na DPOC: critérios de indicação

Gabarito: letra C. A indicação de oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) em paciente com DPOC não se baseia apenas na saturação de repouso, mas sim em critérios objetivos que incluem a avaliação de hipoxemia durante o exercício (teste da caminhada) ou durante o sono (polissonografia noturna), conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e do GOLD. A alternativa C reflete exatamente essa necessidade de avaliação complementar.

A oxigenoterapia domiciliar prolongada é um dos pilares do tratamento da DPOC avançada, com benefício comprovado em sobrevida quando há hipoxemia crônica. No entanto, a simples presença de dispneia, tosse, tabagismo ou comorbidades não é suficiente para indicar o oxigênio. O que define a indicação é a hipoxemia documentada, seja em repouso, durante o exercício ou durante o sono. No caso apresentado, o paciente tem saturação de 91% em repouso, o que está no limite, mas a espirometria mostra apenas distúrbio obstrutivo leve. Nesse cenário, a conduta correta é investigar se há dessaturação significativa em situações específicas, como no esforço ou no sono, antes de prescrever oxigênio de forma contínua.

A avaliação da necessidade de oxigênio deve ser individualizada. O teste da caminhada de seis minutos (TC6) é utilizado para detectar hipoxemia induzida pelo exercício, enquanto a polissonografia ou a oximetria noturna avaliam a dessaturação durante o sono. Esses exames são fundamentais porque a hipoxemia pode ocorrer apenas nessas circunstâncias, mesmo com saturação de repouso relativamente preservada. A alternativa C captura essa lógica: a indicação de oxigênio fica dependente da confirmação de hipoxemia nesses contextos.

É importante destacar que a alternativa B menciona um risco de "retenção de O2", o que é um erro conceitual. O risco real em pacientes com DPOC e hipercapnia é a retenção de CO2 (hipercapnia) quando se administra oxigênio em altas concentrações, não a retenção de oxigênio. Além disso, a alternativa A sugere que comorbidades indicariam oxigênio, o que não é correto — a indicação é baseada em hipoxemia, não em comorbidades. A alternativa D menciona a difusão do monóxido de carbono (DLCO), que é um exame para avaliar troca gasosa, mas não é o critério para indicar oxigenoterapia. A alternativa E afirma que já há indicação inequívoca, o que é falso, pois a saturação de 91% não é, por si só, critério absoluto, e a tomografia não é necessária para essa decisão.

A pegadinha central desta questão é a tentação de indicar oxigênio imediatamente pela saturação de 91%, mas a banca explora o conhecimento de que a ODP exige critérios mais refinados, incluindo a avaliação de hipoxemia de exercício e noturna. O aluno que decora apenas o valor de SpO2 < 88% como corte pode errar, pois aqui o paciente está no limite e a espirometria é leve, exigindo investigação adicional.

  1. 1Hipoxemia em repouso (SpO2 ≤ 88%)
  2. 2Hipoxemia ao exercício (TC6)
  3. 3Hipoxemia ao sono (polissonografia)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A presença de comorbidades (hipertensão arterial) não é critério para indicação de oxigenoterapia. A ODP é indicada com base na hipoxemia documentada, não na presença de outras doenças. A alternativa confunde fatores de risco com indicação terapêutica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O risco em pacientes com DPOC é de retenção de CO2 (hipercapnia) quando há administração de oxigênio em altas concentrações, não "retenção de O2". Além disso, a oxigenoterapia não é contraindicada nesse paciente; ela deve ser avaliada com critérios objetivos. A alternativa inverte o conceito fisiopatológico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A indicação de oxigenoterapia domiciliar prolongada depende da confirmação de hipoxemia, que pode ocorrer em repouso, durante o exercício (teste da caminhada) ou durante o sono (polissonografia noturna). No paciente com DPOC leve e SpO2 de 91%, é necessário avaliar essas situações antes de prescrever oxigênio. A alternativa está correta ao afirmar que a indicação é dependente dessas avaliações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A medida da difusão do monóxido de carbono (DLCO) avalia a capacidade de troca gasosa e é útil no diagnóstico de enfisema, mas não é o critério para indicar oxigenoterapia. A indicação de ODP é baseada em hipoxemia (PaO2 ou SpO2), não em DLCO.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não há indicação inequívoca de oxigênio neste paciente, pois a SpO2 de 91% não é, isoladamente, critério absoluto, e a espirometria mostra obstrução leve. Além disso, a tomografia de tórax não é necessária para a decisão de oxigenoterapia; ela é útil para avaliação de enfisema, mas não define a indicação de oxigênio.

Gabarito: letra C

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