Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2023
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg031454
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Preceptor em Rotina Clínica
Esplenomegalia é uma condição incomum, mas presente em uma ampla gama de patologias. Diagnosticar esplenomegalia pode ser desafiador durante uma avaliação clínica. Assinale a alternativa que apresenta o porquê dessa dificuldade de diagnóstico.
AA percussão do espaço de traube é uma manobra pouco específica e muito sensível.
BA palpação, apesar de ter alta sensibilidade e especificidade, é muito difícil em pacientes obesos.
CEm pacientes eutróficos e em jejum, a sensibilidade da percussão do espaço de traube chega a 98%.
DUma limitada sensibilidade do exame à beira leito e a necessidade de exame de imagem para excluir o diagnóstico.
EO fato de precisar palpar antes de se percutir, pois a sensibilidade da palpação é maior que da percussão e, assim, caso a palpação seja negativa, exclui-se a esplenomegalia.
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GabaritoD — Uma limitada sensibilidade do exame à beira leito e a necessidade de exame de imagem para excluir o diagnóstico.
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Esplenomegalia: dificuldade diagnóstica ao exame clínico
Gabarito: letra D. A dificuldade de diagnosticar esplenomegalia à beira do leito decorre da limitada sensibilidade do exame físico (palpação e percussão) e da necessidade de exames de imagem (como ultrassonografia) para confirmar ou excluir o diagnóstico. Essa é a explicação fisiopatológica e semiológica correta, conforme a propedêutica médica padrão.
A esplenomegalia é o aumento do volume do baço, um órgão que normalmente não é palpável e que, quando aumentado, pode passar despercebido ao exame físico. O baço localiza-se no quadrante superior esquerdo do abdome, protegido pelo gradil costal, o que dificulta sua palpação e percussão. A palpação só é possível quando o baço está significativamente aumentado, e a percussão do espaço de Traube (região semilunar delimitada pelo rebordo costal esquerdo, 6º espaço intercostal e linha axilar anterior esquerda) é uma manobra de baixa sensibilidade, ou seja, um baço aumentado pode não ser detectado por essa técnica. Por isso, a suspeita clínica de esplenomegalia frequentemente exige confirmação por imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada, que são mais sensíveis e específicas.
A dificuldade diagnóstica é um tema clássico em semiologia médica: o exame físico do baço tem limitações inerentes, e a literatura médica destaca que a palpação e a percussão têm sensibilidade limitada, especialmente em pacientes obesos ou com baço pouco aumentado. A ultrassonografia é o exame de imagem mais acessível e sensível para avaliar o tamanho do baço, sendo frequentemente necessária para confirmar ou excluir a esplenomegalia quando há suspeita clínica.
A banca explora a confusão entre sensibilidade e especificidade das manobras semiológicas, além de inverter a lógica de qual exame é mais fidedigno. A alternativa correta reconhece que o exame físico tem limitações e que a imagem é necessária para o diagnóstico definitivo.
Esplenomegalia: dificuldade diagnóstica
1Exame físico limitado
Palpação: baixa sensibilidade
Percussão (espaço de Traube)
baixa sensibilidade e especificidade
2Fatores que dificultam
Baço protegido pelo gradil costal
Obesidade
Aumento discreto do órgão
3Necessidade de imagem
Ultrassonografia
Tomografia computadorizada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A percussão do espaço de Traube é uma manobra pouco específica e pouco sensível, não "pouco específica e muito sensível". A banca inverte os atributos: a percussão tem baixa sensibilidade (pode não detectar um baço aumentado) e baixa especificidade (pode indicar esplenomegalia quando não há). O erro está em afirmar que é "muito sensível", quando na verdade é pouco sensível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A palpação do baço não tem alta sensibilidade e especificidade; pelo contrário, tem sensibilidade limitada, especialmente em pacientes obesos. A palpação só é possível quando o baço está consideravelmente aumentado, e a obesidade dificulta ainda mais a técnica. A alternativa erra ao atribuir alta sensibilidade e especificidade à palpação, quando a literatura mostra que essas características são limitadas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirmar que "em pacientes eutróficos e em jejum, a sensibilidade da percussão do espaço de Traube chega a 98%" é um dado fabricado e sem respaldo na literatura. A percussão do espaço de Traube tem sensibilidade baixa, muito inferior a 98%, mesmo em condições ideais. Não há evidência que sustente esse número, e a banca o utiliza como distrator para confundir o candidato.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta resume exatamente o porquê da dificuldade diagnóstica: limitada sensibilidade do exame à beira do leito (palpação e percussão) e necessidade de exame de imagem (como ultrassonografia) para excluir o diagnóstico. Essa é a explicação aceita na prática clínica: o exame físico do baço tem limitações inerentes, e a imagem é frequentemente necessária para confirmar ou descartar a esplenomegalia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E inverte a lógica semiológica: não se deve palpar antes de percutir como regra, e a palpação negativa não exclui esplenomegalia. A palpação tem baixa sensibilidade, ou seja, um baço aumentado pode não ser palpável, especialmente se o aumento for discreto. Portanto, palpação negativa não exclui o diagnóstico, e a ordem das manobras não é determinante para a acurácia.