Intussuscepção intestinal: características clínicas, diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que afirma que o local mais comum da intussuscepção é o íleo-ileal. Na verdade, o local mais comum é a junção ileocecal (íleo-cólica), correspondendo a cerca de 90% dos casos na faixa etária pediátrica. As demais alternativas estão corretas: a maioria dos casos ocorre em menores de 2 anos, a etiologia é idiopática na maioria das vezes, os sinais ultrassonográficos incluem o pseudorrim e o alvo, e a maioria dos casos resolve-se com enema (opaco ou com ar), sem necessidade de cirurgia.
A intussuscepção é uma condição em que um segmento proximal do intestino invagina ("dobra-se") para dentro do segmento distal, como um telescópio. Isso leva a obstrução intestinal e, se não tratada, a comprometimento vascular com isquemia e necrose. É a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças entre 3 meses e 6 anos, com pico de incidência entre 5 e 9 meses. A tríade clássica (dor abdominal em cólica, vômitos e fezes em geleia de framboesa) está presente em apenas cerca de 1/3 dos casos, sendo mais comum a apresentação com dor abdominal intermitente e irritabilidade.
A etiologia é idiopática em aproximadamente 90% dos casos, frequentemente associada à hipertrofia do tecido linfoide (placas de Peyer) após infecções virais ou bacterianas, que atuam como um "ponto de partida" (lead point) para a invaginação. Em crianças maiores e adultos, é mais comum a presença de um lead point patológico, como divertículo de Meckel, pólipo, tumor ou duplicação intestinal. O diagnóstico é clínico e confirmado por ultrassonografia, que mostra o sinal do alvo (em corte transversal) e o sinal do pseudorrim (em corte longitudinal). A radiografia simples pode mostrar sinais de obstrução, mas não é diagnóstica.
O tratamento inicial é não cirúrgico, com enema opaco ou enema de ar, que além de diagnóstico é terapêutico, reduzindo a intussuscepção em cerca de 80-90% dos casos. A cirurgia é reservada para falha do enema, presença de sinais de perfuração ou peritonite, ou quando há suspeita de lead point patológico. A alternativa C erra ao afirmar que o local mais comum é ileoileal, quando na verdade é ileocólico (íleo-cólica). Essa distinção é crucial, pois a intussuscepção ileocólica é a mais frequente e a que melhor responde ao tratamento por enema.
A pegadinha da banca está em trocar o local anatômico mais comum. O candidato que sabe que a intussuscepção é mais comum em crianças e que o tratamento é com enema pode não se atentar ao detalhe do local. Lembre-se: o local mais comum é a junção ileocecal (íleo-cólica), não o íleo-ileal. Essa é a informação que separa a alternativa correta das incorretas.
Característica | Intussuscepção ileocólica (íleo-cólica) | Intussuscepção ileoileal |
|---|
Frequência | Mais comum (~90% dos casos) | Menos frequente |
Localização | Junção ileocecal | Íleo (segmento proximal) |
Tratamento por enema | Boa resposta (80-90%) | Resposta variável, maior risco de falha |
Alternativa A — ✅ Correta
A maioria dos casos de intussuscepção ocorre em crianças com menos de 2 anos de idade, com pico entre 5 e 9 meses. Essa é uma característica clássica da doença, que é a causa mais comum de obstrução intestinal nessa faixa etária. A alternativa está correta.
Alternativa B — ✅ Correta
A intussuscepção é idiopática na maioria dos casos, e a hipertrofia do tecido linfoide (placas de Peyer) após infecções virais é um fator predisponente bem estabelecido. Essa hipertrofia atua como um lead point, facilitando a invaginação. A alternativa está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
O local mais comum da intussuscepção é a junção ileocecal (íleo-cólica), não o íleo-ileal. A intussuscepção ileocólica corresponde a cerca de 90% dos casos em crianças. A alternativa erra ao afirmar que o local mais comum é ileoileal, que é uma forma menos frequente. Essa é a alternativa incorreta pedida pela questão.
Alternativa D — ✅ Correta
Os sinais ultrassonográficos clássicos da intussuscepção são o sinal do pseudorrim (em corte longitudinal) e o sinal em alvo (em corte transversal). Esses achados são altamente sensíveis e específicos para o diagnóstico. A alternativa está correta.
Alternativa E — ✅ Correta
A maioria dos casos de intussuscepção resolve-se sem necessidade de tratamento cirúrgico, com enema opaco ou enema de ar. O enema é terapêutico em cerca de 80-90% dos casos, sendo a cirurgia reservada para falha do procedimento ou complicações. A alternativa está correta.
Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois o local mais comum da intussuscepção é a junção ileocecal (íleo-cólica), e não o íleo-ileal.