Endometriose Profunda: Localização Mais Frequente
Gabarito: letra E. Na endometriose profunda, a região retrocervical — que compreende o tórus uterino e os ligamentos uterossacros — é o local mais frequentemente acometido. Essa é uma informação consolidada na literatura ginecológica, sendo um dos pontos-chave para o diagnóstico e planejamento cirúrgico da doença.
A endometriose é uma doença ginecológica crônica, estrogênio-dependente, definida pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina. Ela pode se apresentar de três formas principais: lesões superficiais (peritoneais), endometriomas (cistos ovarianos) e endometriose profunda. A endometriose profunda é definida pela invasão tecidual superior a 5 mm abaixo da superfície peritoneal, podendo acometer estruturas como ligamentos uterossacros, fundo de saco vaginal, bexiga, ureteres e intestino (retossigmoide).
A distribuição das lesões na endometriose profunda não é uniforme. Estudos e diretrizes apontam que a região retrocervical, que inclui o tórus uterino (a face posterior do colo uterino) e os ligamentos uterossacros, é o sítio mais comum de acometimento. Essa predileção está relacionada à anatomia pélvica e à teoria da menstruação retrógrada, que favorece o implante de células endometriais nessa região dependente e de fundo de saco posterior.
Embora o retossigmoide também seja um local frequente de endometriose profunda, ele não é o mais comum. A bexiga, a vagina e o músculo iliopsoas são acometidos com menor frequência. A compreensão dessa distribuição é crucial para o raciocínio clínico e para a interpretação de exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética, que são os melhores métodos para mapeamento pré-operatório da doença profunda.
A banca explora exatamente essa hierarquia de frequência. O candidato que sabe que o retossigmoide é um local comum pode ser tentado a marcá-lo, mas a questão pede o local mais frequentemente acometido, que é a região retrocervical. Guarde essa ordem de frequência: retrocervical > retossigmoide > bexiga > vagina > outras localizações.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A bexiga é um sítio de endometriose profunda, mas não é o mais frequente. O acometimento vesical ocorre em uma minoria dos casos, podendo causar sintomas urinários como disúria e dor suprapúbica cíclica. A alternativa erra ao eleger a bexiga como o local mais comum, quando ela figura entre as localizações menos frequentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O músculo iliopsoas é uma localização extremamente rara de endometriose profunda. O acometimento dessa estrutura é descrito em relatos de caso, mas não representa uma frequência relevante na prática clínica. A alternativa está incorreta por apontar uma localização atípica e incomum como a mais frequente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A vagina pode ser acometida pela endometriose profunda, especialmente no fundo de saco vaginal posterior, mas não é o local mais comum. O acometimento vaginal geralmente ocorre por extensão da doença retrocervical, e não como sítio primário mais frequente. A alternativa erra ao colocar a vagina como o local de maior incidência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O retossigmoide é um local frequente de endometriose profunda, sendo uma das principais causas de sintomas intestinais cíclicos (disquesia, dor à evacuação, sangramento). No entanto, a literatura é consistente em apontar a região retrocervical como o sítio mais comum, superando o retossigmoide. A alternativa está incorreta por não indicar o local de maior frequência.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A região retrocervical, que engloba o tórus uterino e os ligamentos uterossacros, é o local mais frequentemente acometido pela endometriose profunda. Essa é uma informação amplamente aceita na ginecologia, sendo fundamental para o planejamento cirúrgico, pois a ressecção completa dessas lesões é desafiadora e exige técnica apurada. A alternativa está correta ao identificar corretamente o sítio de maior incidência.
Gabarito: letra E