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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — Quadrix 2023

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg031485
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Reumatologia
Hoje, entende‑se por atingir o alvo no tratamento da gota estabelecida sem tofos, de acordo com o guideline do colégio americano de reumatologia, manter o ácido úrico sérico
  1. Aem 7 mg/dL.
  2. Bentre 7e 7,5 mg/L.
  3. Cacima de 6,0 mg/L.
  4. Dmenor que 2,0 mg/l.
  5. Emenor que 6 mg/dL.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — menor que 6 mg/dL.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gota: Alvo Terapêutico da Uricemia

Gabarito: letra E. No tratamento da gota estabelecida sem tofos, o guideline do American College of Rheumatology (ACR) preconiza manter o ácido úrico sérico menor que 6 mg/dL — valor que garante a supersaturação reversa e a dissolução dos cristais de monourato de sódio. As demais alternativas erram ao apresentar valores superiores, unidades trocadas (mg/L) ou limites inadequados.

A gota é uma artropatia por deposição de cristais de monourato de sódio, consequência da hiperuricemia — definida, na prática, como ácido úrico sérico acima de 6,8 mg/dL (limite de solubilidade do urato no plasma). Quando a uricemia ultrapassa esse patamar, o plasma fica supersaturado e os cristais precipitam nos tecidos, especialmente nas articulações, desencadeando crises inflamatórias agudas e, com o tempo, tofos e nefropatia. O objetivo do tratamento hipouricemiante, portanto, não é apenas reduzir o ácido úrico, mas mantê-lo abaixo do ponto de saturação, para que os cristais já depositados se dissolvam e novos não se formem.

A estratégia atual é o treat-to-target (tratar até o alvo): define-se uma meta numérica de uricemia e ajusta-se a medicação (alopurinol, febuxostate, benzbromarona) até alcançá-la. Para a gota sem tofos, o alvo é < 6,0 mg/dL; para a gota tofácea (com tofos), o alvo é mais rigoroso, < 5,0 mg/dL, pois a dissolução dos tofos exige uricemia ainda mais baixa. Essa distinção é central e frequentemente cobrada: o valor de 6 mg/dL vale para a forma sem tofos, enquanto 5 mg/dL é reservado aos casos com tofos ou artropatia crônica.

Na prática clínica, o alopurinol é o fármaco de primeira linha, iniciado em dose baixa (50–100 mg/dia) e titulado gradualmente, com controles mensais da uricemia, até atingir a meta. O erro mais comum na condução do paciente é prescrever doses insuficientes e não buscar o alvo, o que permite a progressão da doença. Vale lembrar que a hiperuricemia isolada (> 7 mg/dL) não indica tratamento farmacológico obrigatório — a maioria dos hiperuricêmicos nunca desenvolverá gota; a indicação de terapia hipouricemiante se dá após o diagnóstico de gota (crise, tofo ou artropatia) ou em situações específicas (ex.: síndrome de lise tumoral).

A pegadinha desta questão está em dois pontos: (1) a unidade de medida — mg/dL é a unidade correta, e algumas alternativas usam mg/L, que é um valor dez vezes maior (6 mg/dL = 60 mg/L), tornando-as absurdas; (2) o valor-alvo — a banca oferece 7 mg/dL (limiar de supersaturação, não o alvo terapêutico) e valores acima de 6 mg/dL, que representam falha terapêutica. O candidato que confunde o limiar de hiperuricemia com o alvo do tratamento erra a questão.

Guarde a fronteira: hiperuricemia = > 6,8 mg/dL (ponto de saturação) e alvo terapêutico = < 6,0 mg/dL (gota sem tofos) ou < 5,0 mg/dL (gota com tofos). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o alvo é manter o ácido úrico em 7 mg/dL. Esse valor está acima do ponto de saturação (6,8 mg/dL) e, portanto, não previne a deposição de cristais nem promove sua dissolução. É o limiar que define hiperuricemia, não o alvo terapêutico. O tratamento busca uricemia menor que 6 mg/dL, não um valor fixo de 7.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe manter o ácido úrico entre 7 e 7,5 mg/L. Há dois erros: (1) a unidade mg/L é incorreta — o padrão clínico e laboratorial é mg/dL; 7 mg/L equivalem a 0,7 mg/dL, um valor absurdamente baixo e incompatível com a prática; (2) mesmo que fosse mg/dL, o intervalo 7–7,5 está acima do alvo (< 6 mg/dL) e até acima do limiar de saturação. A alternativa mistura unidade errada e valor errado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o alvo é manter o ácido úrico acima de 6,0 mg/L. Novamente, a unidade mg/L está errada (o correto é mg/dL), e o sentido é invertido: o alvo é abaixo de 6 mg/dL, não acima. Manter a uricemia acima de 6 mg/dL (ou de 60 mg/L) significa não atingir a meta e permitir a progressão da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Propõe manter o ácido úrico menor que 2,0 mg/L. A unidade mg/L é incorreta — 2 mg/L equivalem a 0,2 mg/dL, um valor fisiologicamente impossível e perigosamente baixo. O alvo correto é < 6 mg/dL (60 mg/L). Não há recomendação de uricemia tão baixa; valores extremamente reduzidos não trazem benefício adicional e podem indicar erro de medicação ou doença hematológica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o alvo é manter o ácido úrico sérico menor que 6 mg/dL. Este é exatamente o valor preconizado pelo guideline do American College of Rheumatology para gota estabelecida sem tofos. Atingir uricemia < 6 mg/dL (abaixo do ponto de saturação de 6,8 mg/dL) promove a dissolução dos cristais de monourato de sódio, reduz crises e previne complicações crônicas. Para gota com tofos, o alvo é ainda mais rigoroso (< 5 mg/dL).

Gabarito: letra E — manter o ácido úrico sérico menor que 6 mg/dL.

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