Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — Quadrix 2023
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg031487
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Reumatologia
Mulher, 76 anos de idade, com queixas de fadiga, febrícula, claudicação de mandíbula, dor em cintura escapular e diplopia no olho esquerdo. No exame físico, saiu turgor da artéria temporal. No ultrassom com Doppler dessa artéria, há um sinal que ajuda no diagnóstico de arterite de células gigantes.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o nome desse sinal.
Asinal do dente coroado
Bsinal do halo
Csinal do duplo contorno
Dsinal de romanus
Esinal da escala de cinza ao US
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GabaritoB — sinal do halo
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Arterite de Células Gigantes e o Sinal do Halo
Gabarito: letra B. O sinal do halo é o achado ultrassonográfico clássico da arterite de células gigantes (ACG), caracterizado por uma área hipoecoica (escura) ao redor da luz da artéria temporal, correspondente ao edema da parede arterial. A paciente apresenta o quadro típico da doença — mulher idosa com fadiga, febrícula, claudicação de mandíbula, dor em cintura escapular (sugerindo polimialgia reumática associada) e diplopia — e o ultrassom com Doppler é uma ferramenta diagnóstica valiosa nesse contexto.
A arterite de células gigantes, também chamada de arterite temporal, é uma vasculite que acomete preferencialmente artérias de médio e grande calibre em pacientes com mais de 50 anos. O processo inflamatório granulomatoso compromete a parede arterial, levando a espessamento, estenose e, potencialmente, oclusão vascular. As manifestações clínicas mais comuns incluem cefaleia nova, claudicação de mandíbula (isquemia dos músculos masseteres), alterações visuais como amaurose fugaz e diplopia, além de sintomas sistêmicos como febre, fadiga e perda de peso. A associação com polimialgia reumática é frequente, ocorrendo em cerca de 40% dos casos, o que explica a dor em cintura escapular da paciente.
O diagnóstico da ACG é tradicionalmente confirmado por biópsia da artéria temporal, que demonstra infiltração de linfócitos e macrófagos (células gigantes) em todas as camadas da parede vascular. No entanto, o ultrassom com Doppler de alta resolução emergiu como um exame complementar importante, capaz de identificar alterações características da doença. O sinal do halo é definido como uma área hipoecoica circunferencial ao redor da luz arterial, refletindo o edema e o espessamento da parede do vaso inflamado. Sua presença é altamente sugestiva de ACG, com sensibilidade e especificidade significativas, e pode auxiliar na decisão de realizar a biópsia e no monitoramento da resposta ao tratamento com corticosteroides.
É fundamental distinguir o sinal do halo de outros achados ultrassonográficos e de outros sinais clínicos que podem confundir o examinador. O sinal do duplo contorno, por exemplo, é um achado da artrite gotosa, relacionado à deposição de cristais de urato na cartilagem articular. O sinal de Romanus é um achado radiográfico da espondilite anquilosante, caracterizado por erosões nos cantos anteriores dos corpos vertebrais. O sinal do dente coroado é um achado de imagem da espondilodiscite, e o sinal da escala de cinza ao US não é um termo consagrado na literatura médica para descrever um achado específico da ACG. A banca explora exatamente essa confusão entre sinais de diferentes doenças reumáticas, testando o conhecimento específico do aluno sobre os achados de imagem de cada uma.
Na prática clínica, a identificação do sinal do halo no ultrassom da artéria temporal, em um paciente com suspeita clínica de ACG, reforça a necessidade de iniciar prontamente o tratamento com corticosteroides em altas doses, pois a demora terapêutica pode levar à perda visual permanente. O exame ultrassonográfico, portanto, não apenas auxilia no diagnóstico, mas também orienta a conduta imediata, sendo uma ferramenta valiosa na abordagem dessa emergência reumatológica. A chave para resolver esta questão é reconhecer que o sinal do halo é o achado ultrassonográfico patognomônico da arterite de células gigantes, enquanto os demais sinais pertencem a outras doenças.
Sinais de imagem em reumatologia: Arterite de células gigantes (Sinal do halo (US com Doppler)); Gota (Sinal do duplo contorno); Espondilite anquilosante (Sinal de Romanus); Espondilodiscite (Sinal do dente coroado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O sinal do dente coroado é um achado de imagem associado à espondilodiscite infecciosa, caracterizado por erosões nos platôs vertebrais que lembram a coroa de um dente. Não tem relação com a arterite de células gigantes, sendo um distrator que explora a confusão com sinais de outras doenças da coluna vertebral.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sinal do halo é o achado ultrassonográfico característico da arterite de células gigantes. No Doppler, observa-se uma área hipoecoica (escura) circunferencial ao redor da luz da artéria temporal, correspondente ao edema e espessamento da parede arterial inflamada. Sua presença é altamente sugestiva do diagnóstico, especialmente em pacientes com quadro clínico compatível, como o da paciente descrita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sinal do duplo contorno é um achado ultrassonográfico da gota, caracterizado pela deposição de cristais de urato na superfície da cartilagem articular, criando uma imagem de dupla linha hiperecoica. Não se aplica à arterite de células gigantes, sendo um distrator que confunde sinais de diferentes artropatias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O sinal de Romanus é um achado radiográfico da espondilite anquilosante, caracterizado por erosões e esclerose nos cantos anteriores dos corpos vertebrais, resultantes da entesite. Não é um sinal ultrassonográfico da arterite de células gigantes, sendo um distrator que explora a confusão com sinais de espondiloartropatias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sinal da escala de cinza ao US não é um termo consagrado na literatura médica para descrever um achado específico da arterite de células gigantes. Embora o ultrassom em modo B (escala de cinza) seja utilizado para avaliar a morfologia arterial, o achado característico da ACG é o sinal do halo, que pode ser visualizado tanto no modo B quanto no Doppler. Esta alternativa é um distrator que não corresponde a nenhum sinal específico.
A regra de ouro para questões como esta é associar cada sinal à sua doença de origem: o halo é da arterite de células gigantes, o duplo contorno é da gota, o Romanus é da espondilite anquilosante e o dente coroado é da espondilodiscite. Memorize esses pares e você estará preparado para responder a qualquer questão sobre sinais em reumatologia.