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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — Quadrix 2023

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg031488
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Reumatologia
Os novos critérios EULAR/ACR classificatórios de 2019 para diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico apontam que os pacientes são elegíveis para utilizar os critérios caso tenham
  1. Aum FAN (fator antinuclear) positivo ou negativo.
  2. BC3 e C4 consumidos.
  3. Cum FAN maior ou igual a 1:80.
  4. Dum FAN negativo mais com clinica relevante.
  5. Eum FAN negativo mas com C4 e C3 consumidos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — um FAN maior ou igual a 1:80.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Critérios EULAR/ACR 2019 para classificação do Lúpus Eritematoso Sistêmico

Gabarito: letra C. Os critérios EULAR/ACR de 2019 exigem, como critério de entrada obrigatório, a positividade do FAN (fator antinuclear) em título ≥ 1:80 — sem isso, o paciente não pode ser classificado como portador de LES, mesmo que apresente outras alterações clínicas ou laboratoriais. Essa é a regra central que a alternativa C reproduz fielmente.

Os critérios EULAR/ACR de 2019 representam uma mudança paradigmática na classificação do lúpus eritematoso sistêmico (LES). Diferentemente dos critérios anteriores (como os do SLICC de 2012 e os do ACR de 1997), que eram essencialmente listas de critérios com exigência de um número mínimo, os novos critérios são ponderados: cada domínio clínico e imunológico recebe uma pontuação, e o diagnóstico de classificação exige um somatório mínimo. A estrutura é hierárquica: primeiro, um critério de entrada (FAN ≥ 1:80) — se ausente, o paciente é excluído da classificação; se presente, aplicam-se os critérios adicionais. Depois, exige-se pelo menos um critério clínico e uma pontuação total ≥ 10, considerando que, dentro de cada domínio, apenas o critério de maior peso é contabilizado.

A lógica por trás do FAN como critério de entrada é a altíssima sensibilidade do teste: mais de 95% dos pacientes com LES apresentam FAN positivo, frequentemente com títulos ≥ 1:160. O FAN negativo praticamente exclui o diagnóstico — daí a exigência de positividade como porta de entrada. Isso não significa que o FAN positivo seja suficiente: ele é inespecífico e pode ocorrer em indivíduos saudáveis, em infecções virais, neoplasias e outras doenças autoimunes. Por isso, a classificação exige a combinação com critérios clínicos e imunológicos pontuados.

Na prática clínica, imagine um paciente com rash malar, artrite e FAN 1:320. Ele preenche o critério de entrada (FAN ≥ 1:80), tem critérios clínicos (rash malar = lúpus cutâneo agudo, 6 pontos; artrite = 6 pontos) e, se houver, critérios imunológicos (ex.: anti-dsDNA = 6 pontos). Somando, ultrapassa 10 pontos e é classificado como LES. Já um paciente com FAN 1:40 e clínica sugestiva não pode ser classificado, pois não atinge o título mínimo — mesmo que tenha outros achados. Essa é a pegadinha central da questão: a banca explora a confusão entre o FAN como critério de entrada obrigatório e os demais critérios que apenas pontuam.

A distinção que importa aqui é entre critério de entrada (FAN ≥ 1:80, obrigatório) e critérios adicionais (clínicos e imunológicos, que pontuam). O complemento baixo (C3/C4), por exemplo, é um critério imunológico que vale pontos (3 ou 4), mas não substitui o FAN. Da mesma forma, um FAN negativo não pode ser compensado por nenhuma outra alteração — a ausência do critério de entrada exclui a classificação, independentemente da gravidade clínica. Guarde essa hierarquia: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critérios EULAR/ACR 2019 (LES)
  • 1Critério de entrada (obrigatório)
    • FAN ≥ 1:80
    • FAN negativo exclui
  • 2Critérios adicionais (pontuam)
    • Clínicos
      • Rash malar (6 pts)
      • Artrite (6 pts)
    • Imunológicos
      • Anti-dsDNA (6 pts)
      • C3/C4 baixos (3-4 pts)
  • 3Regra de classificação
    • ≥ 1 critério clínico
    • Pontuação total ≥ 10
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o FAN pode ser positivo ou negativo. Isso contraria a regra: o FAN deve ser positivo (≥ 1:80) como critério de entrada. Um FAN negativo exclui a classificação, mesmo com clínica compatível. A banca tenta generalizar indevidamente, mas a exigência é de positividade obrigatória.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Cita "C3 e C4 consumidos" como critério de elegibilidade. O consumo de complemento (C3/C4 baixos) é um critério imunológico adicional que pontua (3 pontos se um deles baixo; 4 se ambos), mas não é critério de entrada. A elegibilidade depende exclusivamente do FAN ≥ 1:80. A alternativa confunde critério adicional com critério de entrada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reproduz exatamente o critério de entrada dos critérios EULAR/ACR 2019: FAN ≥ 1:80. É a condição obrigatória para aplicar os critérios adicionais. Sem essa positividade, o paciente não é elegível para classificação, independentemente de outros achados. A literalidade do critério é clara: "Anticorpos antinucleares (ANAs) em um título ≥ 1:80 em células HEP-2 ou teste positivo equivalente (sempre)".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que um FAN negativo com clínica relevante seria suficiente. Isso é o oposto da regra: o FAN negativo exclui a classificação, mesmo com manifestações clínicas típicas. A clínica relevante só é considerada após a positividade do FAN. A alternativa inverte a hierarquia dos critérios.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Combina FAN negativo com consumo de C3 e C4. Novamente, o FAN negativo é excludente — nenhuma outra alteração, incluindo hipocomplementemia, pode substituí-lo. O consumo de complemento é um critério adicional que pontua, mas só pode ser aplicado se o critério de entrada (FAN ≥ 1:80) estiver presente. A alternativa tenta "compensar" a ausência do FAN com outro achado, o que não é permitido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o critério de entrada (FAN ≥ 1:80, obrigatório) e os critérios adicionais (que apenas pontuam). O candidato que memoriza os critérios como uma lista solta tende a aceitar alternativas que misturam FAN negativo com outros achados, como nas letras D e E. Lembre-se: sem FAN ≥ 1:80, não há classificação — ponto final. Com treino, você enxerga essa hierarquia de longe 💪.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões sobre critérios EULAR/ACR 2019, decore a sequência lógica: (1) FAN ≥ 1:80 (entrada obrigatória) → (2) pelo menos 1 critério clínico → (3) pontuação ≥ 10 (somando o maior peso de cada domínio). Se a alternativa mencionar FAN negativo, já elimine — é a pegadinha mais comum.

Gabarito: letra C

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