Questão de Medicina — Saúde do Adulto na Atenção Básica — Quadrix 2023
- Código
- qg031491
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- FSNH - RS
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Saúde Coletiva
- Acreatinina.
- BECG.
- Cureia.
- Dcolesterol total e frações.
- Eglicemia de jejum.
GabaritoC — ureia.
Gabarito: letra C. O exame que o médico deixou de pedir é a ureia, pois, no acompanhamento ambulatorial de rotina do hipertenso sem lesão de órgão-alvo, a dosagem de ureia isolada tem pouco valor — a avaliação da função renal é feita pela creatinina sérica (com estimativa da taxa de filtração glomerular) e pela análise de urina (proteinúria/albuminúria). As diretrizes de hipertensão arterial listam a creatinina, mas não a ureia, entre os exames complementares mínimos de rotina.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica que lesa silenciosamente órgãos-alvo — coração, cérebro, rins, retina e vasos. Por isso, o acompanhamento do hipertenso não se limita a medir a pressão: inclui exames periódicos que detectam lesões subclínicas e fatores de risco associados. A avaliação complementar mínima, preconizada pelas diretrizes brasileiras, é composta por exames básicos, de baixo custo e fácil disponibilidade, que devem ser solicitados na primeira consulta e repetidos anualmente. São eles: análise de urina (bioquímica e sedimento), creatinina sérica, potássio sérico, colesterol total (e frações), glicemia de jejum e eletrocardiograma de repouso.
A creatinina é o marcador de função renal por excelência: a partir dela se estima a taxa de filtração glomerular (TFG) pela fórmula CKD-EPI, que permite classificar a doença renal crônica e ajustar a dose de medicamentos. A ureia, por sua vez, é um marcador mais grosseiro e menos específico — sofre influência de dieta proteica, estado de hidratação, catabolismo e sangramento gastrointestinal, e só se eleva de forma significativa quando já há perda importante da função renal. No ambulatório, a dosagem isolada de ureia não acrescenta informação relevante à creatinina para o rastreio de lesão renal no hipertenso assintomático. É exatamente isso que o enunciado descreve: um exame que "tem pouco valor e não acrescenta na interpretação geral da função orgânica do órgão investigado" — o rim.
A pegadinha da questão está em distinguir os dois marcadores de função renal: a banca oferece creatinina (letra A) e ureia (letra C) como alternativas. O candidato que sabe que a creatinina é o exame de rotina do hipertenso pode marcar a letra A — mas o enunciado pergunta qual exame o médico deixou de pedir, ou seja, qual não faz parte da rotina mínima. A creatinina faz parte; a ureia não. As demais alternativas (ECG, colesterol e glicemia) também fazem parte da rotina mínima e, portanto, não poderiam ser o exame omitido.
Guarde a fronteira entre o que é rotina mínima e o que é exame complementar de segunda linha: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
A creatinina é um dos exames da rotina complementar mínima do hipertenso, com o objetivo de avaliar a função renal e estimar a TFG. O enunciado diz que o exame omitido "tem pouco valor" — o que não se aplica à creatinina, que é o marcador central da função renal. Portanto, não é o exame que o médico deixou de pedir.
O eletrocardiograma (ECG) de repouso faz parte da rotina mínima do hipertenso, pois é sensível para detectar repercussões miocárdicas da HAS, como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e arritmias (ex.: fibrilação atrial). O enunciado fala em exame que "não acrescenta na interpretação geral da função orgânica do órgão investigado" — o ECG tem valor estabelecido na avaliação cardíaca, então não é o omitido.
A ureia é o exame que o médico deixou de pedir. Embora seja um marcador de função renal, a ureia isolada tem pouco valor no rastreio ambulatorial de lesão renal no hipertenso assintomático: é menos sensível e específica que a creatinina, sofre influência de fatores não renais (dieta, hidratação, catabolismo) e não está incluída na rotina complementar mínima das diretrizes de HAS. A avaliação renal de rotina é feita com creatinina (para estimar a TFG) e análise de urina (para proteinúria/albuminúria).
O colesterol total e frações faz parte da rotina mínima do hipertenso, com o objetivo de detectar dislipidemia — um fator de risco que potencializa o risco cardiovascular da HAS. O enunciado fala em exame que "não acrescenta" — o perfil lipídico tem valor estabelecido na estratificação de risco, então não é o omitido.
A glicemia de jejum faz parte da rotina mínima do hipertenso, pois o diabetes mellitus é comorbidade frequente e potencializa o risco cardiovascular. O enunciado fala em exame que "não acrescenta" — a glicemia tem valor estabelecido no rastreio de diabetes, então não é o omitido.
A banca explora a confusão entre os dois marcadores de função renal. O candidato que sabe que a creatinina é exame de rotina do hipertenso pode marcar a letra A — mas o enunciado pergunta qual exame o médico deixou de pedir, ou seja, qual não faz parte da rotina. A creatinina faz parte; a ureia não. Leia o comando com atenção: "deixou de pedir" = exame que não está na rotina mínima.
Para fixar a rotina complementar mínima do hipertenso, memorize a lista: análise de urina, creatinina, potássio, colesterol, glicemia e ECG. A ureia não entra. Quando a questão perguntar qual exame "não faz parte" ou "tem pouco valor", procure o que está fora dessa lista — e lembre que a função renal é avaliada pela creatinina (com TFG estimada), não pela ureia isolada.
Gabarito: letra C
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