Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg031492
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Saúde Coletiva
A iniciativa Bright Futures da American Academy of Pediatrics e American Academy of Family Physicians estabelece ações de prevenção e promoção de saúde fundamentadas em evidências científicas. Entre as ações recomendadas no cuidado preventivo de doenças em crianças e adolescentes, é correto afirmar que a única ação que possui evidência científica favorável para sua execução é o(a)
Arastreamento de anemia com hemograma a partir dos seis meses de vida.
Baplicação de formulários estruturados específicos de avaliação de fala em crianças de doze meses de vida.
Crastreamento para escoliose em adolescentes a partir dos doze anos de idade com exame físico.
Drastreamento de dislipidemia com dez anos de idade.
Euso de creme dental com flúor a partir da primeira erupção dentária.
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GabaritoE — uso de creme dental com flúor a partir da primeira erupção dentária.
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Bright Futures e prevenção em pediatria: evidências científicas
Gabarito: letra E. A única ação com evidência científica favorável entre as listadas é o uso de creme dental com flúor a partir da primeira erupção dentária — recomendação de grau B da USPSTF para prevenção de cárie em lactentes e crianças até 5 anos. As demais alternativas correspondem a rastreamentos ou intervenções classificados como grau I (evidência insuficiente) ou grau D (contraindicados), conforme a tabela de recomendações da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) reproduzida no contexto.
A iniciativa Bright Futures, da American Academy of Pediatrics (AAP) e da American Academy of Family Physicians (AAFP), organiza as ações preventivas em pediatria com base na classificação de evidências da USPSTF. Essa classificação é o coração da questão: cada procedimento recebe um grau que indica o nível de certeza sobre seus benefícios e riscos. Os graus A e B são os que têm evidência favorável e devem ser oferecidos a todas as crianças; o grau I significa que a evidência é insuficiente para recomendar a favor ou contra; e o grau D indica que o procedimento é contraindicado, pois os danos potenciais superam os benefícios.
A tabela da USPSTF, que a banca usa como referência, lista diversas intervenções preventivas para crianças e adolescentes. Entre elas, a medicação preventiva para cárie dentária (que inclui o flúor tópico) recebe grau B para lactentes e crianças até 5 anos — ou seja, há evidência razoável de que o benefício supera os danos. Já o rastreamento de anemia, o rastreamento de dislipidemia, o rastreamento de escoliose e a triagem de atraso de fala recebem grau I, indicando falta de evidência suficiente para recomendar sua execução rotineira.
A pegadinha da questão está em confundir o candidato com procedimentos que parecem lógicos ou que são amplamente discutidos na prática clínica, mas que não têm respaldo científico forte para serem realizados de forma universal. Por exemplo, o rastreamento de anemia em crianças de 12 meses é recomendado pelo Bright Futures apenas na presença de fatores de risco, e a própria USPSTF concluiu que não há evidências suficientes para o rastreamento sistemático. Da mesma forma, a triagem de dislipidemia e de escoliose em adolescentes é classificada como grau I, e a triagem de atraso de fala também.
Para resolver a questão, o candidato precisa conhecer a hierarquia das recomendações da USPSTF e saber quais procedimentos se enquadram em cada grau. A alternativa E é a única que corresponde a uma recomendação de grau B, enquanto as demais são grau I ou D. Guarde essa distinção: grau B = evidência favorável; grau I = evidência insuficiente; grau D = contraindicado.
Ação preventiva
Classificação USPSTF
Evidência científica
Uso de creme dental com flúor desde a 1ª erupção dentária
Grau B
Favorável (benefício supera danos)
Rastreamento de anemia com hemograma a partir dos 6 meses
Grau I
Insuficiente
Formulários estruturados de avaliação de fala aos 12 meses
Grau I
Insuficiente
Rastreamento de escoliose em adolescentes (exame físico)
Grau I
Insuficiente
Rastreamento de dislipidemia aos 10 anos
Grau I
Insuficiente
Alternativa A — ❌ Incorreta
O rastreamento de anemia com hemograma a partir dos seis meses de vida não tem evidência científica favorável. A USPSTF classifica a triagem de anemia ferropriva em lactentes como grau I (evidência insuficiente). O Bright Futures recomenda o rastreamento universal apenas aos 12 meses, e mesmo assim com ressalvas: na presença de fatores de risco, o rastreamento pode ser considerado, mas não há evidência robusta de benefício. A banca explora a confusão entre a suplementação de ferro (que tem grau B para lactentes de alto risco) e o rastreamento em si, que não é recomendado de forma universal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A aplicação de formulários estruturados de avaliação de fala em crianças de 12 meses é classificada como grau I pela USPSTF. A triagem de atraso de fala e linguagem em crianças é listada como grau I, ou seja, não há evidência suficiente para recomendar a favor ou contra. A banca tenta confundir com a triagem de surdez em recém-nascidos, que tem grau B, mas a avaliação de fala em si não tem o mesmo respaldo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O rastreamento de escoliose em adolescentes a partir dos 12 anos com exame físico é classificado como grau I pela USPSTF. A triagem de escoliose idiopática em adolescentes não tem evidência suficiente para ser recomendada rotineiramente. A banca explora a lógica de que o exame físico é simples e inofensivo, mas a falta de evidência de benefício (como redução de morbidade) impede a recomendação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O rastreamento de dislipidemia com 10 anos de idade é classificado como grau I pela USPSTF. A triagem de distúrbios dos lipídeos em crianças e adolescentes não tem evidência suficiente para recomendação universal. A banca tenta confundir com a recomendação de triagem de obesidade (grau B), mas dislipidemia é diferente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O uso de creme dental com flúor a partir da primeira erupção dentária é uma medida preventiva com evidência científica favorável. A USPSTF classifica a medicação preventiva para cárie dentária (que inclui o flúor tópico) como grau B para lactentes e crianças até 5 anos. Isso significa que há evidência razoável de que o benefício supera os danos, e a ação deve ser oferecida a todas as crianças dessa faixa etária. A banca cobra exatamente o conhecimento dessa recomendação específica, que é uma das poucas intervenções preventivas com grau B na primeira infância.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre prevenção em pediatria, memorize a tabela da USPSTF: graus A e B = recomendado; grau I = evidência insuficiente; grau D = contraindicado. Foque nas intervenções mais cobradas: imunizações (A), triagem de surdez (B), prevenção de cárie com flúor (B), triagem de anemia (I), triagem de dislipidemia (I), triagem de escoliose (I), triagem de atraso de fala (I).