Questão de Medicina — Médico da Família — Quadrix 2023
Medicina›Médico da Família
Código
qg031494
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Saúde Coletiva
Internet: <www.edisciplinas.usp.br> (com adaptações).A partir do genograma acima, é correto inferir que
Ao gene do uso de substâncias é transmitido pelo cromossomo Y.
Bhá um padrão de disfunção familiar geracional relacionado ao uso de álcool.
Ca depressão é um padrão de doença de mulheres, mas não de homens.
Do TDAH é uma patologia infantil, por isso não é visto em outros membros dessa família.
Ea agressividade não deveria estar sendo mostrada no genograma, pois não é uma patologia prevista no DSM V.
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GabaritoB — há um padrão de disfunção familiar geracional relacionado ao uso de álcool.
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Genograma e disfunção familiar: leitura do padrão geracional
Gabarito: letra B. O genograma é uma ferramenta da Medicina de Família e Comunidade que representa graficamente as relações e os padrões de saúde/doença ao longo das gerações de uma família; a partir da figura, a inferência correta é que há um padrão de disfunção familiar geracional relacionado ao uso de álcool, pois o transtorno por uso de álcool se repete em diferentes gerações e membros da família. As demais alternativas cometem erros conceituais: não existe "gene do uso de substâncias" transmitido pelo cromossomo Y, a depressão não é exclusiva de mulheres, o TDAH pode persistir na vida adulta e a agressividade, embora não seja um diagnóstico do DSM-5, pode e deve ser registrada no genograma como um dado relevante da dinâmica familiar.
O genograma é um instrumento central na prática do médico de família e comunidade. Ele vai além da árvore genealógica tradicional: além de registrar os vínculos biológicos e legais, o genograma inclui informações sobre doenças, comportamentos, relações emocionais e eventos de vida relevantes. O objetivo é identificar padrões que se repetem entre gerações — como doenças crônicas, transtornos mentais, uso de substâncias, violência, entre outros — para que a equipe de saúde possa atuar de forma preventiva e integral. A leitura correta do genograma exige observar a recorrência de um mesmo fenômeno em diferentes gerações e em diferentes ramos da família, o que sugere não apenas uma possível predisposição genética, mas também a influência de fatores ambientais, culturais e relacionais transmitidos no contexto familiar.
No caso do uso de álcool, o que se observa é um padrão de transmissão geracional: o comportamento de beber em excesso ou o transtorno por uso de álcool aparece em avós, pais e filhos, frequentemente associado a outros problemas como violência, separações e doenças. Esse padrão não é explicado por um único gene, mas por uma combinação de vulnerabilidade genética (poligênica) e de aprendizado social — o chamado modelo biopsicossocial. O médico de família, ao identificar esse padrão no genograma, pode abordar a família como um todo, oferecendo intervenções que considerem a dinâmica familiar e não apenas o indivíduo isolado.
A banca explora aqui a diferença entre o que é uma inferência legítima a partir do genograma e o que é uma afirmação genérica ou preconceituosa. A alternativa correta é a que faz uma leitura sistêmica e contextualizada, enquanto as incorretas cometem erros de três tipos: (1) atribuir a um único cromossomo um comportamento complexo; (2) generalizar padrões de doença por gênero; (3) confundir a ausência de um diagnóstico no DSM-5 com a impossibilidade de registrar um dado no genograma. Guarde esses três erros: eles são exatamente o que separa a alternativa B das demais.
Genograma (Medicina de Família): O que registra (Vínculos biológicos e legais, Doenças e transtornos, Comportamentos e relações, Eventos de vida relevantes); Objetivo (Identificar padrões geracionais, Atuação preventiva e integral); Leitura correta (Recorrência entre gerações, Influência biopsicossocial, Não é herança mendeliana simples); Erros comuns de leitura (Atribuir a um único gene/cromossomo, Generalizar por gênero, Confundir ausência no DSM-5 com irrelevância)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "o gene do uso de substâncias é transmitido pelo cromossomo Y". Isso é um erro conceitual grave: não existe um "gene do uso de substâncias" localizado no cromossomo Y. O uso de substâncias, incluindo o álcool, é um comportamento complexo influenciado por múltiplos genes (herança poligênica) e por fatores ambientais, psicológicos e sociais. Além disso, o cromossomo Y está presente apenas no sexo masculino, o que tornaria a transmissão exclusivamente paterna — o que não corresponde à realidade, pois o uso de substâncias ocorre em ambos os sexos e não segue um padrão de herança ligada ao Y. O genograma pode mostrar recorrência familiar, mas isso não implica herança mendeliana simples.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "há um padrão de disfunção familiar geracional relacionado ao uso de álcool". Essa é a inferência correta a partir do genograma: o uso de álcool aparece em múltiplas gerações e em diferentes membros da família, configurando um padrão geracional. O genograma é exatamente a ferramenta que permite visualizar esse tipo de recorrência, e a Medicina de Família e Comunidade utiliza esse dado para planejar intervenções familiares. A palavra-chave é "padrão geracional": não se trata de uma herança genética simples, mas de um fenômeno que se repete ao longo das gerações, influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "a depressão é um padrão de doença de mulheres, mas não de homens". Isso é uma generalização incorreta e preconceituosa. A depressão é um transtorno mental que afeta ambos os sexos, embora a prevalência seja maior em mulheres em algumas fases da vida (fatores hormonais, sociais e de busca por ajuda). No entanto, o genograma pode mostrar homens com depressão, e a afirmação de que "não é um padrão de homens" é falsa. Além disso, a depressão não é uma doença exclusiva de um gênero, e o genograma não deve ser lido com esse viés. A banca explora aqui o estereótipo de gênero, que não tem respaldo científico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "o TDAH é uma patologia infantil, por isso não é visto em outros membros dessa família". O erro está em afirmar que o TDAH é exclusivamente infantil. Embora o diagnóstico seja mais comum na infância, o TDAH persiste na vida adulta em uma parcela significativa dos casos, e muitos adultos não diagnosticados na infância podem apresentar o transtorno. Além disso, o genograma pode não mostrar TDAH em outros membros por falta de diagnóstico ou por não ter sido registrado, mas isso não significa que o transtorno não exista. A afirmação de que "não é visto em outros membros" por ser "patologia infantil" é uma justificativa incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "a agressividade não deveria estar sendo mostrada no genograma, pois não é uma patologia prevista no DSM V". Há dois erros aqui. Primeiro, o genograma não se limita a registrar patologias do DSM-5; ele é uma ferramenta para registrar informações relevantes sobre a família, incluindo comportamentos, relações e eventos de vida, como agressividade, violência, separações, etc. Segundo, a agressividade, embora não seja um diagnóstico específico do DSM-5, pode ser um sintoma de vários transtornos (como transtorno de conduta, transtorno explosivo intermitente, etc.) e é um dado importante para a compreensão da dinâmica familiar. Portanto, a agressividade pode e deve ser registrada no genograma, desde que seja relevante para o cuidado.
Gabarito: letra B — a única inferência correta a partir do genograma é a existência de um padrão de disfunção familiar geracional relacionado ao uso de álcool.