Arthur, 18 anos de idade, compareceu à UBS com uma unha encravada. Ele relata que está com muita dor e que, às vezes, sai pus do dedo. O paciente diz ter tido outras crises no passado e sempre no mesmo dedo e lado. No exame físico, há hiperemia, crosta melicérica, edema, mas não há formação de granuloma perilesional. O médico que está realizando o atendimento e deve orientar um plano terapêutico para Arthur.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor proposta terapêutica.
Aencaminhar para o podólogo
Bencaminhar para o pronto atendimento
Cterapia conservadora com algodão
Dcantoplastia com matricectomia e ablação química
Ecantotomia lateral seguida de curativo com bandagem de esparadrapo
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GabaritoD — cantoplastia com matricectomia e ablação química
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Unha encravada (onicocriptose): abordagem terapêutica
Gabarito: letra D. Arthur apresenta unha encravada em estágio 2 (moderado), com dor, hiperemia, edema e secreção purulenta, porém sem granuloma perilesional. Nesse estágio, a melhor proposta é a cantoplastia com matricectomia e ablação química, procedimento cirúrgico que remove a porção lateral da unha e destrói a matriz ungueal do canto afetado, prevenindo recidivas. A conduta conservadora com algodão é indicada apenas no estágio 1 (leve), e o encaminhamento ao podólogo ou ao pronto atendimento não é a conduta ideal na atenção primária.
A onicocriptose, popularmente conhecida como unha encravada, é uma condição frequente na atenção primária à saúde, caracterizada pela penetração da porção lateral ou de uma espícula da lâmina ungueal no tecido mole das pregas laterais. Isso desencadeia uma reação inflamatória progressiva, que pode variar desde dor, hiperemia e leve edema até um quadro crônico com infecção, drenagem de secreção purulenta e hipertrofia dos tecidos adjacentes, com formação de tecido de granulação. Os principais fatores etiológicos são o corte inadequado do canto ungueal e o uso de sapatos que pressionam a região anterior do pé, além de outros fatores como traumatismo repetido, deformidades congênitas e unhas muito côncavas.
A classificação em estágios é fundamental para a escolha terapêutica. No estágio 1 (leve), há queixa subjetiva de dor no canto da unha, com leve edema ou eritema. No estágio 2 (moderado), há dor, edema, hiperemia e processo infeccioso com drenagem de secreção purulenta. No estágio 3 (grave), além das características anteriores, observa-se hipertrofia dos tecidos moles com formação de tecido de granulação no canto da unha. Essa gradação orienta a conduta: enquanto o estágio 1 pode ser manejado conservadoramente, os estágios 2 e 3 geralmente requerem abordagem cirúrgica.
O tratamento cirúrgico da unha encravada moderada a grave envolve a cantoplastia, que consiste na ressecção da porção lateral da lâmina ungueal, seguida de matricectomia, que é a destruição da matriz ungueal do canto afetado. A ablação química com fenol a 80-90% tem ganhado importância como alternativa à ressecção cirúrgica da matriz, pois apresenta menor taxa de recidivas sintomáticas em comparação à ressecção isolada. O procedimento é realizado sob anestesia local, com bloqueio troncular do dedo, e requer consentimento informado do paciente após explicação dos procedimentos, riscos e benefícios.
A principal distinção que o médico deve fazer é entre o tratamento conservador e o cirúrgico. A terapia conservadora com algodão, que consiste em elevar o canto da unha com um pequeno chumaço de algodão, é reservada para casos leves (estágio 1), sem sinais de infecção. Já nos casos moderados a graves, com processo infeccioso ativo, como o de Arthur, a abordagem cirúrgica é a mais adequada. O uso rotineiro de antibióticos sistêmicos no pré e/ou pós-operatório não parece conferir benefício e deve ser desaconselhado.
A pegadinha desta questão está em reconhecer o estágio da unha encravada e associá-lo à conduta correta. O paciente apresenta critérios claros de estágio 2 (dor, hiperemia, edema e secreção purulenta), o que afasta a terapia conservadora e aponta para a necessidade de intervenção cirúrgica. Além disso, a ausência de granuloma perilesional descarta o estágio 3, mas não muda a indicação cirúrgica, pois a infecção ativa já está presente. O candidato que confunde os estágios pode optar pela conduta conservadora, que seria insuficiente para resolver o quadro infeccioso e prevenir recidivas.
Guarde a fronteira entre os estágios 1 e 2: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de secreção purulenta (infecção ativa) é o marco que separa a conduta conservadora da cirúrgica.
Encaminhar para o podólogo não é a conduta médica adequada na atenção primária. O podólogo é um profissional de saúde que pode auxiliar no cuidado dos pés, mas o tratamento da unha encravada em estágio 2, com infecção ativa, é de competência médica, envolvendo procedimento cirúrgico. O médico deve resolver o caso ou encaminhar para serviço especializado, não simplesmente delegar ao podólogo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Encaminhar para o pronto atendimento não é necessário neste caso. A unha encravada em estágio 2, sem sinais de gravidade sistêmica (como celulite extensa, linfangite ou febre), pode e deve ser manejada na atenção primária. O encaminhamento para pronto atendimento seria indicado apenas em casos de complicações graves, como infecção disseminada ou comprometimento sistêmico, o que não está descrito no enunciado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A terapia conservadora com algodão é indicada apenas para o estágio 1 (leve), quando há dor, leve edema ou eritema, sem processo infeccioso. No caso de Arthur, há secreção purulenta, caracterizando estágio 2 (moderado), com infecção ativa. Nesse cenário, a terapia conservadora é insuficiente, pois não resolve a infecção nem previne a recidiva, sendo necessária a abordagem cirúrgica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cantoplastia com matricectomia e ablação química é o procedimento cirúrgico indicado para unha encravada em estágio 2 (moderado) e 3 (grave). A cantoplastia remove a porção lateral da lâmina ungueal que penetra no tecido mole, e a matricectomia com ablação química (fenol a 80-90%) destrói a matriz ungueal do canto afetado, prevenindo a recidiva. Essa é a conduta mais adequada para Arthur, que apresenta dor, hiperemia, edema e secreção purulenta, mas sem granuloma perilesional.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cantotomia lateral seguida de curativo com bandagem de esparadrapo não é um procedimento reconhecido para o tratamento da unha encravada. O termo "cantotomia" é utilizado em outras áreas (como oftalmologia), e a técnica descrita não corresponde ao tratamento cirúrgico da onicocriptose. A conduta correta envolve cantoplastia com matricectomia, não cantotomia lateral.
A regra de ouro para a prova: na unha encravada, a presença de secreção purulenta (estágio 2) ou granuloma (estágio 3) indica tratamento cirúrgico com cantoplastia e matricectomia; a terapia conservadora fica restrita ao estágio 1, sem infecção.