Em relação à implantação ureteral durante o transplante renal em receptores com anatomia urológica normal, assinale a alternativa que apresenta a técnica de anastomose ureteral que tem sido favorecida e as particularidades que são mais aceitas de acordo com uma meta‑análise de ensaios clínicos randomizados (RCTs) e estudos observacionais.
ATécnica Leadbetter Politano é a preferencial, por ser extravesical, com menor taxa de complicações e facilidade técnica.
BAnastomose uretero‑ureteral no ureter primitivo consiste na técnica preferencial.
CImplantação de cateter DJ deve ser realizada em todos reimplantes ureterais.
DTécnica Lich Gregoir, por ser extra vesical, com menor taxa de complicações e facilidade técnica.
ENão se devem realizar fios absorvíveis, devido à alta incidência de fistula urinaria.
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GabaritoD — Técnica Lich Gregoir, por ser extra vesical, com menor taxa de complicações e facilidade técnica.
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Técnica de anastomose ureteral no transplante renal
Gabarito: letra D. A técnica de Lich-Gregoir é a anastomose ureteral favorecida no transplante renal em receptores com anatomia urológica normal, por ser extravesical, apresentar menor taxa de complicações e maior facilidade técnica, conforme meta-análise de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou técnicos que as tornam incorretas.
A reconstrução do trato urinário após o transplante renal é um passo crítico do procedimento, pois complicações urológicas — como fístula urinária e estenose ureteral — estão associadas a aumento de morbidade e até perda do enxerto. Historicamente, diversas técnicas foram descritas para a implantação do ureter do doador na bexiga do receptor, dividindo-se em dois grandes grupos: as extravesicais e as intravesicais.
A técnica de Lich-Gregoir é a principal representante das abordagens extravesicais. Nela, realiza-se uma incisão na parede anterior da bexiga, criando um túnel submucoso por onde o ureter é implantado, com a anastomose muco-mucosa protegida por uma camada muscular sobreposta, o que confere um mecanismo antirrefluxo. Já a técnica de Leadbetter-Politano é uma abordagem intravesical: a bexiga é aberta, o ureter é tunelizado por dentro da parede vesical e a anastomose é feita na mucosa posterior. Historicamente, a Leadbetter-Politano foi muito utilizada, mas por ser intravesical exige cistotomia, maior dissecção e tempo cirúrgico, além de estar associada a maior taxa de complicações.
A evidência atual, consolidada por meta-análises que reúnem ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais, demonstra que a técnica extravesical de Lich-Gregoir é a preferencial: apresenta menor incidência de complicações urológicas (especialmente fístula e estenose), menor tempo cirúrgico, menor sangramento e facilidade técnica, além de permitir a realização sem abertura ampla da bexiga. Essa preferência se aplica sobretudo aos receptores com anatomia urológica normal, como no caso do enunciado.
O uso de cateter duplo J (DJ) é uma prática comum e recomendada na maioria dos reimplantes ureterais, pois diminui a incidência de fístulas e estenoses, mas não é obrigatório em todos os casos — a decisão é individualizada, e a literatura não sustenta a afirmação de que deva ser realizado em todos os reimplantes. Da mesma forma, os fios absorvíveis são amplamente utilizados nas anastomoses ureterais, sendo seguros e associados a baixa incidência de fístula urinária quando a técnica é adequada; a afirmação contrária não encontra respaldo na literatura.
A alternativa que menciona a anastomose uretero-ureteral no ureter primitivo também está incorreta, pois essa técnica é reservada para situações específicas, como enxertos com ureter curto ou lesão do ureter do doador, não sendo a técnica preferencial em receptores com anatomia normal. Assim, a fronteira que separa as alternativas é exatamente a distinção entre a técnica extravesical (Lich-Gregoir) e a intravesical (Leadbetter-Politano), bem como o conhecimento das particularidades aceitas na prática baseada em evidências.
Anastomose ureteral no transplante renal
1Extravesical
Lich-Gregoir
Preferencial
Menor taxa de complicações
Facilidade técnica
2Intravesical
Leadbetter-Politano
Exige cistotomia
Maior dissecção
Mais complicações
3Particularidades
Stent DJ
Recomendado na maioria
Não obrigatório em todos
Fios absorvíveis
Seguros
Baixa taxa de fístula
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A técnica de Leadbetter-Politano é intravesical, não extravesical. Ela exige abertura da bexiga (cistotomia), maior dissecção e está associada a maior taxa de complicações quando comparada à Lich-Gregoir. A banca inverteu a característica: a técnica intravesical não é a preferencial nem apresenta menor taxa de complicações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A anastomose uretero-ureteral no ureter primitivo (ureter do receptor) não é a técnica preferencial. Ela é uma opção para casos específicos, como enxerto com ureter curto, lesão ureteral ou necessidade de aproveitar o ureter nativo. Em receptores com anatomia urológica normal, a preferência é pela implantação direta do ureter do doador na bexiga, não pela anastomose com o ureter primitivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A implantação de cateter DJ não deve ser realizada em todos os reimplantes ureterais. Embora o uso de stent seja recomendado na maioria dos casos por reduzir complicações (fístula e estenose), a decisão é individualizada, considerando fatores como qualidade do ureter, tempo de isquemia e risco de complicações. A palavra "todos" torna a afirmação incorreta, pois há situações em que o stent pode ser dispensado.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A técnica de Lich-Gregoir é a preferencial, por ser extravesical, com menor taxa de complicações e facilidade técnica. Essas características são confirmadas por meta-análises de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais, que demonstram menor incidência de fístula urinária e estenose, além de menor tempo cirúrgico e sangramento, em comparação com as técnicas intravesicais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os fios absorvíveis são amplamente utilizados nas anastomoses ureterais e não estão associados a alta incidência de fístula urinária. Pelo contrário, quando a técnica é adequada, a taxa de fístula é baixa. A afirmação contraria a prática consagrada e a literatura, que não sustenta a contraindicação de fios absorvíveis.
A regra de ouro para a prova: em transplante renal com anatomia urológica normal, a técnica extravesical de Lich-Gregoir é a preferida — memorize a associação "extravesical = Lich-Gregoir = menor complicação". A Leadbetter-Politano é intravesical e historicamente associada a mais complicações. O stent DJ é recomendado na maioria, mas não em todos os casos, e fios absorvíveis são seguros.