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Questão de Medicina — Urologia — Quadrix 2023

MedicinaUrologia
Código
qg031503
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Paciente do sexo masculino, de trinta anos de idade, notou um nódulo palpável no testículo esquerdo, confirmado com ultrassonografia. Todavia, negava outros sintomas. Realizou orquiectomia esquerda e, no anatomopatológico, foi evidenciado um componente de carcinoma de saco vitelínico + teratoma. Os marcadores pós‑orquiectomia são DHL de 500 UI/L, β‑HCG zerado, AFP de 700 ng/ml. Na tomografia de estadiamento, foi evidenciada massa linfonodal em retroperitônio de 5 cm em seu maior diâmetro para‑aórtica esquerda.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta a ser tomada.
  1. Aradioterapia
  2. Blinfadenectomia retroperitoneal
  3. Cquimioterapia com três ciclos de BEP
  4. Dapenas observação e um novo exame de imagem em seis semanas
  5. Eradioterapia mais três ciclos de BEP
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GabaritoC — quimioterapia com três ciclos de BEP

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de Testículo: Estadiamento e Conduta Terapêutica

Gabarito: letra C. O paciente apresenta tumor de células germinativas não seminomatoso (TCGNS) com metástase retroperitoneal de 5 cm, o que o classifica como estádio IIB. Para TCGNS em estádio IIB, a conduta padrão é a quimioterapia sistêmica com três ciclos de BEP (bleomicina, etoposídeo e cisplatina), conforme as diretrizes de oncologia urológica. As demais alternativas não se aplicam a este cenário específico.

O câncer de testículo é a neoplasia maligna sólida mais comum em homens jovens, entre 15 e 35 anos, e os tumores de células germinativas representam cerca de 95% dos casos. Eles se dividem em dois grandes grupos: seminomas puros e não seminomas (que incluem carcinoma embrionário, carcinoma de saco vitelínico, coriocarcinoma e teratoma). O caso descrito apresenta um tumor misto, com componente de saco vitelínico e teratoma, o que o classifica como não seminoma. Essa distinção é fundamental, pois o tratamento e o prognóstico diferem entre os dois grupos.

O estadiamento é baseado no sistema TNM, que avalia a extensão do tumor primário (T), o comprometimento de linfonodos regionais (N) e a presença de metástases a distância (M). Além disso, os marcadores tumorais séricos (AFP, β-hCG e LDH) são incorporados ao estadiamento, definindo o grupo de risco. No caso, o paciente apresenta AFP elevada (700 ng/ml), β-hCG normal e LDH discretamente elevada, o que indica a presença de um componente de saco vitelínico (produtor de AFP). A tomografia evidenciou massa linfonodal retroperitoneal de 5 cm, o que corresponde a um estádio IIB (linfonodos > 2 cm e ≤ 5 cm).

Para TCGNS em estádio IIB, a quimioterapia neoadjuvante com três ciclos de BEP é o tratamento de escolha. O BEP é um regime combinado de bleomicina, etoposídeo e cisplatina, que demonstrou alta eficácia no tratamento de tumores de células germinativas. Após a quimioterapia, o paciente é reavaliado com novos exames de imagem e marcadores tumorais. Se houver doença residual, pode ser indicada a linfadenectomia retroperitoneal (RPLND). A radioterapia é uma opção para seminomas em estádio II, mas não é indicada para não seminomas, pois esses tumores são menos radiossensíveis. A observação isolada não é adequada para doença metastática, e a combinação de radioterapia com quimioterapia não é uma conduta padrão.

A principal pegadinha desta questão é a confusão entre o tratamento de seminomas e não seminomas. A radioterapia é uma opção para seminomas em estádio II, mas não para não seminomas, que são tratados preferencialmente com quimioterapia. Além disso, a linfadenectomia retroperitoneal é indicada como tratamento primário apenas para TCGNS em estádio I com alto risco de recidiva, ou como tratamento adjuvante após quimioterapia em casos de doença residual. A observação é reservada para estádio I de baixo risco, e a combinação de radioterapia com quimioterapia não é uma conduta padrão.

Guarde a fronteira entre seminoma e não seminoma e entre os estádios IIA e IIB: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A radioterapia é uma opção de tratamento para seminomas em estádio II, mas não para tumores não seminomatosos, como o caso apresentado. Os não seminomas são menos radiossensíveis e a quimioterapia é o tratamento de escolha para doença metastática. A radioterapia isolada não é indicada para TCGNS em estádio IIB.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A linfadenectomia retroperitoneal (RPLND) é indicada como tratamento primário para TCGNS em estádio I com alto risco de recidiva, ou como tratamento adjuvante após quimioterapia em casos de doença residual. No caso, o paciente apresenta metástase retroperitoneal de 5 cm (estádio IIB), e a conduta inicial deve ser a quimioterapia, não a cirurgia. A RPLND não é o tratamento de primeira linha para doença metastática.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paciente apresenta TCGNS em estádio IIB (massa retroperitoneal de 5 cm). A conduta padrão é a quimioterapia sistêmica com três ciclos de BEP (bleomicina, etoposídeo e cisplatina). Esse regime é altamente eficaz no tratamento de tumores de células germinativas não seminomatosos, e a quimioterapia neoadjuvante é indicada para doença metastática. Após a quimioterapia, o paciente é reavaliado e, se houver doença residual, pode ser indicada a RPLND.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A observação com novo exame de imagem em seis semanas é uma conduta reservada para TCGNS em estádio I de baixo risco, sem evidência de metástases. No caso, o paciente apresenta metástase retroperitoneal de 5 cm, o que caracteriza doença metastática (estádio IIB). A observação não é adequada para doença metastática, pois há risco de progressão e a quimioterapia é o tratamento de escolha.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A combinação de radioterapia com três ciclos de BEP não é uma conduta padrão para TCGNS em estádio IIB. A radioterapia é indicada para seminomas, e a quimioterapia é o tratamento de escolha para não seminomas. A combinação de ambas as modalidades não é recomendada como tratamento inicial para este cenário.

Gabarito: letra C

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