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Questão de Medicina — Urologia — Quadrix 2023

MedicinaUrologia
Código
qg031506
Banca
Quadrix
Órgão
FSNH - RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Urologia
Nas últimas décadas, tem‑se observado um aumento nos casos de infertilidade. No entanto, algumas ferramentas têm surgido e servido de guias para o tratamento e para as descobertas das causas desse problema. Um exemplo disso é o teste de fragmentação do DNA espermático. Considerando essas informações, assinale a alternativa que apresenta um paciente que possua indicação de avaliação da fragmentação do DNA espermático.
  1. Apaciente com espermograma normal e varicocele g3, com três falhas de FIV anterior e sem fator feminino conhecido.
  2. Bazoospérmico com hipogonadismo hipergonadotrófico.
  3. Cvasectomizado há quinze anos, em programação de reversão de vasectomia.
  4. Dpaciente oligospérmico severo com microdeleção do cromossomo Y em AZF‑C.
  5. Epaciente com síndrome metabólica, com criptozoospermia e hipogonadismo hipogonadotrófico.
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GabaritoA — paciente com espermograma normal e varicocele g3, com três falhas de FIV anterior e sem fator feminino conhecido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fragmentação do DNA Espermático: Indicações Clínicas

Gabarito: letra A. O teste de fragmentação do DNA espermático é indicado para pacientes com espermograma normal ou subnormal, mas com histórico de falhas repetidas de fertilização in vitro (FIV), especialmente quando há fatores de risco como varicocele de grau 3 e ausência de fator feminino conhecido. Essa é a situação clássica em que a fragmentação do DNA explica a infertilidade mesmo com parâmetros seminais aparentemente adequados.

A fragmentação do DNA espermático é um exame que avalia a integridade do material genético contido nos espermatozoides. Diferentemente do espermograma convencional, que analisa número, motilidade e morfologia, esse teste verifica se o DNA está íntegro ou fragmentado. A fragmentação pode ocorrer por diversos mecanismos, incluindo estresse oxidativo, apoptose defeituosa durante a espermatogênese e falhas na protaminação (substituição das histonas por protaminas). Quando o DNA está fragmentado, o espermatozoide pode até fertilizar o óvulo, mas o embrião resultante tende a ter desenvolvimento comprometido, levando a falhas de implantação, abortamentos precoces e baixas taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida.

A indicação do teste segue critérios bem estabelecidos na literatura urológica e de reprodução assistida. As principais indicações incluem: (1) falhas repetidas de FIV ou ICSI, especialmente quando o espermograma é normal ou limítrofe; (2) varicocele, particularmente quando há dúvida sobre o benefício da correção cirúrgica; (3) abortamento de repetição; (4) exposição a fatores de risco como tabagismo, idade avançada ou toxinas ambientais; (5) criptozoospermia ou oligozoospermia leve a moderada sem causa definida. O racional é que, em casais com infertilidade inexplicada ou com falhas de tratamento, a fragmentação do DNA pode ser o fator oculto que impede a gestação, mesmo quando o espermograma parece adequado.

A varicocele é um dos principais fatores associados à fragmentação do DNA espermático. A dilatação das veias do plexo pampiniforme eleva a temperatura escrotal e aumenta o estresse oxidativo, ambos prejudiciais à integridade do DNA. Estudos mostram que homens com varicocele têm índices de fragmentação significativamente maiores que a população geral, e que a correção cirúrgica pode reduzir esses índices. No caso de um paciente com varicocele grau 3 (a mais grave, palpável mesmo sem manobra de Valsalva), espermograma normal e três falhas de FIV, a avaliação da fragmentação é fundamental para decidir se a varicocelectomia pode melhorar as chances de sucesso em um novo ciclo.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o teste é mais útil justamente quando o espermograma é normal ou apenas levemente alterado, e não nos casos de alterações graves já explicadas por outras causas. Nas alternativas B, C, D e E, há causas definidas ou situações em que o teste não agrega valor diagnóstico ou terapêutico imediato. A banca explora a tendência do candidato de associar o teste a alterações graves do espermograma, quando na verdade ele é mais valioso nos casos de infertilidade inexplicada ou falhas de tratamento com parâmetros seminais aparentemente bons.

Guarde o critério decisivo: o teste de fragmentação do DNA espermático é indicado quando há suspeita de dano ao DNA apesar de parâmetros seminais normais ou subnormais, especialmente com falhas repetidas de FIV, varicocele, abortamento de repetição ou fatores de risco. É exatamente essa combinação que a alternativa A apresenta e que as demais não contemplam.

1Falhas repetidas de FIV/ICSI
Espermograma normal ou limítrofe
2Varicocele
Dúvida sobre correção cirúrgica
3Abortamento de repetição
4Fatores de risco
Tabagismo
Idade avançada
Toxinas ambientais
5Oligozoospermia leve/moderada sem causa definida
Indicações do teste de fragmentação do DNA espermático
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Indicações do teste de fragmentação do DNA espermático: Falhas repetidas de FIV/ICSI (Espermograma normal ou limítrofe); Varicocele (Dúvida sobre correção cirúrgica); Abortamento de repetição; Fatores de risco (Tabagismo, Idade avançada, Toxinas ambientais); Oligozoospermia leve/moderada sem causa definida

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a indicação clássica do teste. O paciente tem varicocele grau 3 (fator de risco conhecido para fragmentação), espermograma normal (o que afasta causas óbvias de infertilidade masculina), três falhas de FIV (sugerindo problema na qualidade do material genético) e ausência de fator feminino conhecido (reforçando que a causa pode ser masculina). A combinação de varicocele grave com falhas repetidas de FIV, mesmo com espermograma normal, é exatamente a situação em que a avaliação da fragmentação do DNA espermático pode identificar o fator oculto e orientar a conduta, como a correção da varicocele antes de novo ciclo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Azoospermia com hipogonadismo hipergonadotrófico indica falência testicular primária, com níveis elevados de FSH e LH. Nesse caso, a causa da azoospermia é a ausência ou grave redução da produção de espermatozoides nos túbulos seminíferos, e não um problema de fragmentação do DNA. O teste de fragmentação é realizado em espermatozoides presentes no ejaculado ou recuperados cirurgicamente, mas em casos de azoospermia por falência testicular, a prioridade é investigar a causa da falência (cariótipo, microdeleções do cromossomo Y) e avaliar a possibilidade de recuperação espermática. A fragmentação do DNA não é o exame indicado nesse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Vasectomizado há quinze anos, em programação de reversão de vasectomia. Nesse caso, o paciente tem produção espermática presumivelmente normal, mas obstrução do ducto deferente. A avaliação pré-operatória para reversão inclui espermograma (para avaliar a produção testicular), dosagem de FSH e, em alguns casos, ultrassonografia, mas não há indicação de teste de fragmentação do DNA. A fragmentação só seria relevante se, após a reversão, houvesse falhas de concepção inexplicadas. No pré-operatório, o foco é avaliar a viabilidade da reversão, não a integridade do DNA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Oligospermia severa com microdeleção do cromossomo Y em AZF-C. A microdeleção em AZF-C (região que contém genes relacionados à espermatogênese) é uma causa genética definida de oligospermia severa ou azoospermia. Nesse caso, a causa da infertilidade já é conhecida, e o teste de fragmentação do DNA não agrega informação diagnóstica relevante. A conduta é avaliar a possibilidade de recuperação espermática para ICSI, considerando que a microdeleção pode ser transmitida à prole masculina. A fragmentação do DNA não é o exame indicado quando já há uma causa genética estabelecida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Paciente com síndrome metabólica, criptozoospermia e hipogonadismo hipogonadotrófico. A criptozoospermia (presença de espermatozoides apenas após centrifugação) associada a hipogonadismo hipogonadotrófico sugere causa hormonal central, com deficiência de gonadotrofinas. Nesse caso, a prioridade é investigar e tratar a causa do hipogonadismo (prolactinoma, hemocromatose, etc.), com reposição hormonal ou correção do fator causal. O teste de fragmentação do DNA pode ser considerado secundariamente, mas não é a indicação principal, pois a causa da infertilidade é hormonal e potencialmente reversível com tratamento adequado. A síndrome metabólica é um fator de risco para fragmentação, mas a presença de hipogonadismo hipogonadotrófico direciona a investigação para o eixo hormonal.

Gabarito: letra A — a única alternativa que apresenta a combinação clássica de indicação do teste de fragmentação do DNA espermático: varicocele grave, espermograma normal, falhas repetidas de FIV e ausência de fator feminino.

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