Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2023
- Código
- qg033234
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- COFFITO
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: ERRADO. A substituição de “criando” por “e cria” não mantém a correção gramatical nem os sentidos do texto, porque o gerúndio, no trecho, expressa uma consequência (o modo como a desigualdade se agrava), enquanto “e cria” introduziria uma oração coordenada aditiva, quebrando a relação de causa-efeito. Como se lê no trecho: “Isso agrava as desigualdades entre homens e mulheres, criando condições de maior dependência...”. O gerúndio indica o resultado do agravamento; “e cria” apenas somaria uma nova informação, sem o vínculo de consequência.
O enunciado pede que se julgue se a troca da forma verbal “criando” (gerúndio) por “e cria” (locução com verbo no presente do indicativo) manteria a correção gramatical e os sentidos do texto. Isso é uma questão de reescritura: não basta verificar se a nova forma é gramaticalmente possível; é preciso conferir se o sentido permanece o mesmo. A banca testa dois pontos: (1) a função sintática do gerúndio (oração subordinada reduzida) e (2) a relação semântica que ele estabelece com a oração anterior.
No trecho final do texto, o autor afirma:
“Isso agrava as desigualdades entre homens e mulheres, criando condições de maior dependência em relação aos homens e exposição à violência, dentro e fora de suas comunidades.”
A forma “criando” é um gerúndio, que aqui funciona como oração subordinada reduzida de gerúndio, com valor de consequência (ou resultado). Ela indica como o agravamento das desigualdades se manifesta: ao agravar, o texto cria condições de dependência e exposição. Essa relação é de causa e efeito: o agravamento é a causa; o “criar” é o efeito.
Se substituirmos por “e cria”, teremos:
“Isso agrava as desigualdades entre homens e mulheres e cria condições de maior dependência...”
Agora, “e cria” é uma oração coordenada sindética aditiva, que apenas soma uma nova informação, sem estabelecer o vínculo de consequência. O sentido de resultado se perde: não fica claro que o “criar” é uma consequência do agravamento, mas sim uma ação adicional.
A reescritura de uma oração reduzida por uma desenvolvida (ou por uma coordenada) só é válida se preservar o sentido original. No caso, o gerúndio com valor de consequência não pode ser trocado por uma aditiva, pois muda a relação semântica. Para manter o sentido, seria necessário usar uma forma que expressasse consequência, como “o que cria”, “gerando”, ou “de modo que cria”.
Exemplo:
Original: “Ele estudou muito, passando no concurso.” (gerúndio = consequência)
Reescrita aditiva: “Ele estudou muito e passou no concurso.” (muda o sentido: agora é uma soma, não uma consequência)
Reescrita correta: “Ele estudou muito, o que o fez passar no concurso.” (mantém a consequência)
A banca adora testar se o candidato percebe que nem toda substituição que mantém a correção gramatical mantém o sentido. Aqui, a troca é gramaticalmente correta (ambas as formas são válidas), mas semanticamente inadequada. O gerúndio com valor de consequência é um caso clássico de oração subordinada reduzida, e a banca espera que você identifique a relação de causa-efeito.
A banca troca o gerúndio por uma coordenada aditiva, fazendo parecer que a substituição é inofensiva. O candidato desatento vê que “e cria” é gramaticalmente correto e marca “Certo”, sem perceber que o sentido de consequência se perde.
Ao julgar reescrituras, pergunte-se: “qual é a relação de sentido entre as orações?”. Se o gerúndio expressa consequência, a reescrita deve manter essa relação (ex.: “o que cria”, “gerando”). Desconfie de trocas que transformam a oração em aditiva, pois elas alteram o sentido.
A substituição de “criando” por “e cria” não mantém os sentidos do texto, pois altera a relação de consequência para uma relação de adição. Portanto, o item está ERRADO.
Gabarito: ERRADO.
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