Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Quadrix 2023
- Código
- qg034342
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRO-BA
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (Certo). No trecho “pode-se continuar de bermuda e chinelos”, a partícula “se” é índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo “continuar” é intransitivo nesse contexto — não há objeto direto — e não há termo que funcione como sujeito paciente. A oração equivale a “alguém pode continuar de bermuda e chinelos”, sem que se possa identificar quem pratica a ação. A banca explora exatamente a distinção entre “se” apassivador e “se” indeterminador, e aqui a ausência de objeto direto é a pista decisiva.
A questão pede que se julgue a afirmação sobre a função sintática da partícula “se” no trecho destacado. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — você precisa classificar o “se” dentro das funções que ele pode exercer (índice de indeterminação do sujeito, partícula apassivadora, pronome reflexivo, etc.). O comando é direto: “a partícula ‘se’ indica que o sujeito da oração é indeterminado”. Para responder, é preciso verificar se o verbo “continuar” é transitivo direto (o que permitiria voz passiva) ou se é intransitivo/transitivo indireto (o que caracteriza indeterminação).
O texto fala sobre reuniões por videoconferência e seus efeitos na criatividade. No trecho citado, o autor afirma que participar dessas reuniões é prático: “Não é necessário sair de casa e pode-se continuar de bermuda e chinelos”. A oração “pode-se continuar de bermuda e chinelos” é formada pelo verbo “poder” (auxiliar) + “continuar” (verbo principal). O verbo “continuar” aqui é intransitivo — não pede complemento; “de bermuda e chinelos” é um adjunto adverbial de modo, não um objeto. Portanto, não há objeto direto para que o “se” seja apassivador. A construção é típica de sujeito indeterminado: “alguém pode continuar de bermuda e chinelos”.
A gramática tradicional estabelece uma distinção clara:
Partícula apassivadora (PA): ocorre com verbo transitivo direto (ou transitivo direto e indireto) e pode ser desdobrada em voz passiva analítica. Ex.: “Vendem-se casas” → “Casas são vendidas”. O termo que acompanha o verbo é o sujeito paciente.
Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação, sempre na 3ª pessoa do singular. Não há sujeito expresso nem paciente; a oração tem sentido genérico. Ex.: “Precisa-se de funcionários”, “Vive-se bem aqui”.
No trecho, o verbo “continuar” é intransitivo (continuar = permanecer, seguir). Não há objeto direto. Logo, o “se” não pode ser apassivador. A presença do adjunto adverbial “de bermuda e chinelos” não muda isso — adjunto adverbial não é objeto. Assim, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e o sujeito é indeterminado.
Para diferenciar PA de IIS, pergunte: “o verbo admite objeto direto?” Se sim, e houver um termo que possa ser sujeito paciente, é PA. Se o verbo for intransitivo ou transitivo indireto, é IIS. No trecho, “continuar” não pede objeto — é intransitivo.
A afirmação está correta. No trecho “pode-se continuar de bermuda e chinelos”, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo “continuar” é intransitivo e não há termo que funcione como sujeito. A oração equivale a “alguém pode continuar de bermuda e chinelos”, sem identificação do agente. Isso caracteriza sujeito indeterminado.
A banca poderia tentar confundir com a partícula apassivadora, mas não há objeto direto. O verbo “continuar” não é transitivo direto, e “de bermuda e chinelos” é adjunto adverbial, não objeto. Fique atento à predicação verbal.
Conclusão: a assertiva está certa, pois o “se” em “pode-se continuar” é índice de indeterminação do sujeito, e o sujeito é indeterminado. Gabarito: letra C.
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