Questão de Português — Conjunções: Relação de causa e consequência — Quadrix 2023
- Código
- qg034954
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- IPREV-DF
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior

Internet: <www.economia.uol.com.br> (com adaptações).
- CCerto
- EErrado

Internet: <www.economia.uol.com.br> (com adaptações).
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). O item está errado porque "a proporção dos" é uma locução prepositiva (e não conjuntiva, como afirma o enunciado) e, nesse contexto, o "a" é apenas preposição exigida pelo verbo ou pelo nome anterior, sem artigo — não há fusão de dois "a" e, portanto, não há crase. A regra é clara: não se usa crase antes de pronome relativo (como "que", "o qual", "os quais").
O enunciado pede um julgamento certo/errado sobre a necessidade de crase em um trecho específico do texto. Isso é uma questão de gramática normativa aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido, mas de verificar se a regra de crase se aplica àquela construção. A banca, ao chamar "a proporção dos" de "locução conjuntiva", já induz a um erro conceitual — e é exatamente aí que mora a pegadinha.
No trecho "a proporção dos que esperam inflação alta em 2023", a expressão "a proporção dos" é formada por:
a — preposição (exigida por um termo anterior, como "subiu", "caiu", "aumentou" etc.);
proporção — substantivo feminino;
dos — contração da preposição de com o artigo os (masculino plural).
Essa sequência funciona como locução prepositiva (equivale a "em relação a", "no que diz respeito a"), e não como locução conjuntiva. Locução conjuntiva é um conjunto de palavras que liga orações, como "à medida que", "à proporção que", "desde que", "já que". Aqui, "a proporção dos" não liga orações; ela introduz um complemento nominal.
A crase é a fusão da preposição a com o artigo a (ou com o pronome demonstrativo a). Para haver crase, é preciso que o termo seguinte seja feminino e aceite artigo. No trecho, o termo seguinte é o pronome relativo que (retomando "os que esperam..."). Antes de pronome relativo, não se usa crase, pois o "a" que aparece é apenas preposição, sem artigo. Veja:
"Referiu-se a que?" — sem crase, pois "que" é pronome relativo.
"A proporção a que me referi" — sem crase.
"A proporção dos que esperam" — o "dos" já traz a preposição "de" + artigo "os"; o "a" inicial é preposição exigida pelo verbo/nome anterior, e não há segundo "a" para fundir.
Portanto, a escrita correta é "a proporção dos", sem acento grave.
O item afirma que "a locução conjuntiva 'a proporção dos' deveria vir com crase". Isso é falso por dois motivos:
Não é locução conjuntiva, e sim locução prepositiva;
Não há crase antes de pronome relativo.
A banca tenta confundir com a locução conjuntiva "à proporção que", que realmente leva crase (ex.: "À proporção que estudava, aprendia"). Mas no texto a expressão é "a proporção dos", sem o "que" conjuntivo — é um sintagma nominal com preposição.
A resposta correta é E (Errado), pois a crase é indevida no trecho. A pegadinha está em rotular a expressão como "locução conjuntiva" e sugerir crase, quando a regra manda não usar crase antes de pronome relativo. Fique atento: crase só ocorre quando há fusão de preposição + artigo, e isso não acontece aqui.
Gabarito: letra E.
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