Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — UniRV - GO 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg051724
Banca
UniRV - GO
Órgão
Prefeitura de Rio Verde - GO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II (PEB II) – Língua Portuguesa
As Maravilhas da Fazenda ParaísoNo terreiro rústico da Fazenda Paraíso,nos anos da minha adolescência,era certa e esperada aquela comunicação anual.[...]Vinha dos campos e da mangueira um cheiro fecundode vegetais e de apojo, mugidos intercalados da vacada,que à tarde mansamente descia dos pastos,procurando a frente da fazenda.O terreiro rústico participava desses encantamentos.Naquela comunhão sagrada e rotineira, a gente se sentia felize nem se lembrava de que não havia nenhum dinheiro na casa.Pela manhã, muito cedo, meu avô ia verificar o moinho de fubáde milho, o rendimento da noite.O velho e pesado monjolo subia e descia compassado,escachoando água do cocho, cavado no madeirame pesado e bruto.[...]E partia das mangueiras e abacateiros frondosos o arrulho gemido da juriti.Às sete horas, vinha para cima da grande mesa familiar,rodeada de bancos pesados e rudes, a grande panela de mucilagem,mingau de fubá canjica, fino e adocicado,cozido no leite ainda morno do curral.[...]Comia-se com vontade e comida tão boa como aquela nunca houve em parte alguma. O arroz, fumaçando numa travessa imensa de louça antiga, rescendia a pimenta de cheiro. O frango ensopado em molho de açafrão e cebolinha verde, e mais coentro e salsa. O feijão saboroso, a couve com torresmos, enfarinhada ou rasgadinha à mineira, mandioca adocicada e farinha, ainda quentinha da torrada. Comia-se à moda velha. Repetia-se o bocado, rapava-se o prato. Depois, o quintal, os engenhos, o goiabal, os cajueiros, o rego-d’água. Tínhamos ali o nosso Universo. Vivia-se na Paz de Deus. Eram essas coisas na Fazenda Paraíso. E como todo paraíso, só valeu depois de perdido. CORALINA, Cora. Melhores Poemas: Cora Coralina; seleção Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2017. Nesse poema de Cora Coralina, nota-se que o leitor é naturalmente levado a deleitar-se no universo poético idílico, cujos versos representam a ativação da memória, utilizando formas imagéticas e linguísticas que evidenciam lembranças carregadas de afetividade, simplicidade e nostalgia. Assim, a figura de linguagem empregada como recurso expressivo, na construção estético-literária do poema, é:
  1. AO eufemismo, forma agradável de revelar cada detalhe de uma lembrança marcante da adolescência do eu poético, transformando, em momentos felizes, as dificuldades encontradas na vida rural.
  2. BA sinestesia que, semanticamente, se configura a partir das marcas sensoriais que trazem à tona lembranças repletas de sensibilidade, onde o ambiente bucólico da fazenda se funde com sons, cheiros, sabores e costumes de um povo.
  3. CA metonímia, pois existe uma relação lógica entre a Fazenda Paraíso e todas as palavras do poema que se aproximam, sensorialmente, dos costumes e da simplicidade da vida campestre.
  4. DA antítese, uma construção semântica usada para realçar e intensificar cada fato acorrido no ambiente da fazenda, a partir da relação de contraste existente entre as palavras que compõem o caráter expressivo do poema.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A sinestesia que, semanticamente, se configura a partir das marcas sensoriais que trazem à tona lembranças repletas de sensibilidade, onde o ambiente bucólico da fazenda se funde com sons, cheiros, sabores e costumes de um povo.

Link permanente: /questoes/qg051724