Questão de Português — Interpretação de Textos — AGIRH 2024
- Código
- qg065975
- Banca
- AGIRH
- Órgão
- Prefeitura de Lavrinhas - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Controle Interno
- AAnáfora.
- BComparação.
- CMetáfora.
- DSinestesia.
GabaritoC — Metáfora.
Gabarito: Letra C. A figura de linguagem presente nos versos "Quando me levantar, o céu / estará morto e saqueado" é a metáfora, pois há uma comparação implícita (sem conectivo) entre o céu e algo "morto e saqueado", atribuindo ao elemento inanimado uma característica que não lhe é própria, gerando um sentido figurado de devastação e ausência de vida.
"Quando me levantar, o céu / estará morto e saqueado"
No trecho, "céu morto e saqueado" não deve ser interpretado literalmente – o céu não pode morrer nem ser saqueado. Trata-se de uma metáfora, que transfere para o céu o estado de destruição e desolação sentido pelo eu lírico. A ausência de conectivo comparativo (como "como", "tal qual") descarta a comparação (símile). A anáfora exigiria repetição de palavras no início de versos, o que não ocorre. A sinestesia misturaria sensações de diferentes sentidos (ex.: som com cor), o que não se verifica aqui.
Anáfora é a repetição de palavras no início de versos ou frases com efeito rítmico ou enfático. Não há repetição de "quando" ou de qualquer termo no início dos versos: "Quando me levantar, o céu" e "estará morto e saqueado" não iniciam com a mesma palavra. Alternativa descartada por troca de conceito (confusão entre figuras de sintaxe e figuras de palavra).
Comparação (símile) exige a presença de um conectivo explícito (como, tal qual, assim como, etc.) para estabelecer a analogia. O verso não apresenta nenhum conectivo desse tipo; a relação entre "céu" e "morto e saqueado" é direta, sem comparação explícita. Trata-se de metáfora, não de comparação. A confusão entre esses dois conceitos é comum, mas a ausência do conectivo define a metáfora.
Metáfora é a figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra ou expressão em sentido figurado, por comparação implícita. No verso, "céu" recebe atributos de "morto e saqueado", criando uma imagem poética que expressa o estado de espírito do eu lírico – o mundo interior reflete a destruição exterior. A ausência de conectivo e a substituição do sentido literal confirmam a metáfora.
Sinestesia é a mistura de sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido (visão, audição, tato, olfato, paladar) em uma mesma expressão. Exemplo: "um som doce" (audição + paladar). No verso analisado, "céu morto e saqueado" não mescla sentidos; o termo "morto" e "saqueado" são estados ou ações, não sensações de diferentes modalidades. Portanto, não há sinestesia.
Conclusão: A única figura de linguagem compatível com o verso é a metáfora, confirmando o gabarito oficial.
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