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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg079612
Banca
Avança SP
Órgão
Câmara de Osasco - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Procurador Legislativo

Este pigmento amado por artistas plásticos

era feito com… múmias 


        Um pigmento amarronzado, translúcido e com textura única. Ótimo para fazer sombras e detalhes em pinturas a óleo ou aquarelas. Por alguns séculos, os pintores europeus consideravam que os únicos defeitos do marrom múmia eram desbotar facilmente e rachar depois de seco – dando um visual craquelado para as obras. 


        Foi só em meados do século 19 que um detalhezinho começou a prejudicar o pigmento de tom terroso diante da opinião pública: o nome não estava no sentido figurado. Sua matéria prima eram, literalmente, múmias egípcias moídas.


        A história dessa tinta começou na Europa renascentista, quando múmias trazidas do Egito eram comercializadas sem nenhum apreço por seu valor histórico, principalmente para supostos fins medicinais.


        Os europeus acreditavam, erroneamente, que a substância escura que envolvia os corpos das múmias era betume, uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional. Quando eles descobriram tumbas com milhares de cadáveres, acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez desse material, e passaram a usar a meleca como remédio para tudo: de dor de dente a infarto. Turistas, exploradores e a população pobre local faziam a festa nos sarcófagos, e os restos mortais eram vendidos por pechinchas: em 1625, era possível comprar três cabeças por meio dirrã, a moeda de prata que circulava no mundo árabe.


        Sabendo que os europeus comiam, bebiam e esfregavam múmias em si mesmos, não é tão chocante descobrir que eles também pintavam com elas. O pigmento só parou de circular de vez no meio do século passado. O marrom-múmia caiu em desuso por causa de sua má reputação, da instabilidade na qualidade do pigmento e, óbvio, da dificuldade em se obter matéria-prima.


        No seu auge, a demanda excedeu a oferta de múmias egípcias. E, apesar de ser “só” marrom, não era fácil replicar as propriedades do betume fake. Alguns fabricantes faziam versões falsificadas, usando cadáveres recentes de pessoas escravizadas ou criminosos.


        É difícil saber quais quadros levaram o pigmento, porque o processo de análise é destrutivo. Mas sabemos que restos mortais de egípcios estão presentes em várias obras consagradas, como a famosa pintura iluminista A liberdade guiando o povo, do francês Eugène Delacroix.


        Você já deve ter visto: a pintura mostra uma mulher vigorosa, de peito nu, empunhando a bandeira da França e um rifle em meio à fumaça de canhões e corpos caídos no chão. Um clássico iluminista europeu, um símbolo da luta pela liberdade, igualdade e fraternidade. Colorido pelos corpos traficados de egípcios de 5 mil anos.


LOBATO, B. Este pigmento amado por artistas plásticos era feito com… múmias. Revista Superinteressante. (Adaptado). Disponível em .

De acordo com a reportagem apresentada, entende-se que:
  1. AUma das qualidades da tinta marrom-múmia era rachar depois de seca, causando o efeito de craquelado na pintura.
  2. BO marrom-múmia se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume.
  3. CO betume encontrado nas múmias tinha diversas propriedades medicinais e era altamente disputado no mercado.
  4. DTodas as obras renascentistas foram pintadas com tintas feitas a partir de múmias egípcias.
  5. EO desuso da tinta marrom-múmia só aconteceu por conta da má reputação a respeito do seu processo de extração.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O marrom-múmia se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de Texto — Marrom-Múmia

Gabarito: letra B. A alternativa correta afirma que o marrom-múmia se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume. O texto sustenta isso ao explicar que os europeus acreditavam, erroneamente, que a substância escura que envolvia os corpos das múmias era betume, uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional, e que, ao descobrirem tumbas com milhares de cadáveres, acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez desse material, passando a usar a meleca como remédio para tudo.

O comando da questão é de compreensão — pede-se o que se entende "de acordo com a reportagem". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. A tarefa é localizar a passagem que corresponde exatamente ao que cada alternativa afirma e verificar se há correspondência literal.

O texto é uma reportagem sobre o pigmento marrom-múmia, feito a partir de múmias egípcias moídas. A tese central é a ironia de que um pigmento usado em obras de arte consagradas era feito de restos mortais humanos. O movimento argumentativo relevante para esta questão está no trecho que explica a origem do uso medicinal das múmias: a crença equivocada de que a substância que as envolvia era betume, um material valioso na medicina persa.

A técnica que decide esta questão é a busca pela paráfrase exata. Cada alternativa deve ser testada contra o texto: a correta é a que reescreve com outras palavras uma informação que está literalmente presente; as erradas ou extrapolam, ou restringem, ou contradizem o que está escrito. A banca adora montar distratores que parecem verdadeiros, mas que, ao serem confrontados com o texto, revelam uma palavra-chave que inverte o sentido ou um detalhe que não foi dito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de vocábulo e a extrapolação. Na alternativa A, troca-se "defeito" por "qualidade"; na C, atribui-se ao betume propriedades medicinais que o texto não confirma; na D, generaliza-se "várias obras" para "todas as obras renascentistas"; na E, restringe-se o desuso a uma única causa, quando o texto cita três.

1Origem
Múmias egípcias moídas
Crença: substância era betume
2Uso medicinal
Remédio para tudo
Escassez de betume
3Uso artístico
Várias obras consagradas
Defeitos: desbotar e rachar
4Desuso
Má reputação
Instabilidade do pigmento
Dificuldade de obter matéria-prima
Marrom-múmia
LEVELsoulevel.com.br
Marrom-múmia: Origem (Múmias egípcias moídas, Crença: substância era betume); Uso medicinal (Remédio para tudo, Escassez de betume); Uso artístico (Várias obras consagradas, Defeitos: desbotar e rachar); Desuso (Má reputação, Instabilidade do pigmento, Dificuldade de obter matéria-prima)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "uma das qualidades da tinta marrom-múmia era rachar depois de seca". O texto, porém, diz o oposto: os pintores consideravam que os únicos defeitos do marrom múmia eram desbotar facilmente e rachar depois de seco. O vocábulo "defeito" é trocado por "qualidade", invertendo completamente o sentido. Erro: contradiz o texto (troca de vocábulo que inverte o sentido).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o marrom-múmia se popularizou na Europa como remédio pela crença de que seria uma fonte de betume. O texto confirma:

"Os europeus acreditavam, erroneamente, que a substância escura que envolvia os corpos das múmias era betume, uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional. Quando eles descobriram tumbas com milhares de cadáveres, acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez desse material, e passaram a usar a meleca como remédio para tudo."

A passagem mostra exatamente a cadeia: acreditavam que era betume → acharam que resolveriam a escassez → passaram a usar como remédio. A alternativa é uma paráfrase fiel desse trecho. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o betume encontrado nas múmias tinha diversas propriedades medicinais e era altamente disputado no mercado". O texto não diz que o betume tinha propriedades medicinais; diz apenas que era "uma mistura mineral usada na medicina persa tradicional". Além disso, o texto não afirma que o betume era "altamente disputado no mercado" — diz que os europeus acharam que tinham encontrado uma solução para a escassez do material. Erro: extrapolação (acrescenta informações que o texto não menciona).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "todas as obras renascentistas foram pintadas com tintas feitas a partir de múmias egípcias". O texto diz que "restos mortais de egípcios estão presentes em várias obras consagradas", citando uma pintura iluminista. A palavra "todas" é uma generalização indevida — o texto fala em "várias", não em "todas", e nem sequer restringe ao período renascentista. Erro: generalização (restringe/amplia indevidamente o alcance com palavra absoluta).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o desuso da tinta marrom-múmia só aconteceu por conta da má reputação a respeito do seu processo de extração". O texto, porém, enumera três causas:

"O marrom-múmia caiu em desuso por causa de sua má reputação, da instabilidade na qualidade do pigmento e, óbvio, da dificuldade em se obter matéria-prima."

A palavra "só" restringe indevidamente o alcance, suprimindo duas das três causas mencionadas. Erro: restrição (suprime informação essencial com palavra absoluta).

PEGA ESSA DICA!

Ao ler alternativas com palavras absolutas como "todas", "só", "nenhum", "sempre", desconfie imediatamente. Confronte com o texto: se ele usa termos como "várias", "alguns", "por causa de A, B e C", a alternativa provavelmente está restringindo ou generalizando demais.

Gabarito: letra B. A questão se resolve pelo método da paráfrase: a alternativa correta é a única que reescreve fielmente uma informação explícita do texto, sem acrescentar, suprimir ou inverter nada. As demais caem nas armadilhas clássicas de interpretação: troca de vocábulo (A), extrapolação (C), generalização (D) e restrição (E).

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