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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Avança SP 2024

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
qg080251
Banca
Avança SP
Órgão
Câmara de Vinhedo - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Motorista

Leia o texto para responder às questões de 1 a 5.

Vacina anticâncer para cães dobra a taxa de sobrevivência dos animais

Com tratamentos convencionais como quimioterapia, cachorros com certos tipos de câncer têm 35% mais chances de sobreviver por um período extra de um ano. Com uma nova vacina anticâncer, essa probabilidade sobe para 60% – praticamente o dobro.

Os resultados foram publicados na revista Translational Oncology em 2021, mas só foram divulgados em 5 de março pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. O tratamento é uma forma de imunoterapia e está atualmente sob revisão pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A vacina foi submetida a múltiplos ensaios clínicos ao longo dos últimos oito anos. Ela foi aplicada inclusive no golden retriever Hunter, de 11 anos, que, também passou por quimioterapia e, dois anos após seu diagnóstico inicial, não apresenta mais sinais de câncer.

O cachorro brincalhão que trabalhava antes como cão de resgate em locais de desastres agora vive com apenas três patas. Ele passou por uma amputação da pata dianteira esquerda após ser diagnosticado com osteossarcoma, forma de câncer ósseo que mata mais de 65% dos cães que aflige dentro de 12 meses.

“Cães, assim como humanos, desenvolvem câncer espontaneamente; eles crescem, metastatizam e mutam, assim como os cânceres humanos”, diz em comunicado um dos desenvolvedores da vacina, Mark Mamula, professor de reumatologia na Escola de Medicina de Yale.

O especialista conta que perdeu seu próprio cachorro para um câncer inoperável há cerca de 11 anos atrás. “Se pudermos fornecer algum benefício, algum alívio – uma vida sem dor – esse é o melhor resultado que poderíamos ter”, ele afirma.

Resultados promissores

Hunter recebeu sua primeira dose da vacina antes de sua cirurgia de amputação. A segunda dose veio antes do cachorro iniciar a quimioterapia e depois ele ainda recebeu um reforço.

Até agora, mais de 300 cães foram tratados com o imunizante durante uma série de ensaios clínicos, que ainda estão em andamento em 10 locais nos EUA e Canadá. Os resultados mostraram que a vacina cria anticorpos que encontram e se ligam a tumores, interferindo com as vias de sinalização responsáveis pelo crescimento tumoral.

Além de aumentar a taxa de sobrevivência de um ano após a vacinação, o tratamento também reduz os tumores em muitos dos cães. Por enquanto, a intervenção só se aplica a cachorros que já foram diagnosticados com câncer, mas, no futuro, os cientistas esperam descobrir se isso poderá ser aplicado para reduzir a incidência de tumores em cães saudáveis.

Mark Mamula criou uma empresa chamada TheraJan, que deve produzir eventualmente a vacina. “Recebo muitos e-mails de proprietários de cães gratos que foram informados de que seus animais de estimação teriam semanas ou meses de vida, mas que agora estão dois ou três anos além de seu diagnóstico de câncer”, ele relata.

Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em

<https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/2024/03/vacina-anti-cancer-para-caes-dobra-a-taxa-de-sobrevivencia-dos-animais.ghtml>

Analise o excerto a seguir quanto ao emprego da palavra “se”: “(...) os cientistas esperam descobrir se isso poderá ser aplicado para reduzir a incidência de tumores em cães saudáveis.” No contexto apresentado, o papel gramatical desempenhado pela palavra “se” é o de:
  1. Apartícula apassivadora.
  2. Bobjeto direto.
  3. Cconjunção integrante.
  4. Dconjunção condicional.
  5. Eíndice de indeterminação do sujeito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — conjunção integrante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do "se" em "descobrir se isso poderá ser aplicado"

Gabarito: letra C. No trecho, o "se" é conjunção subordinativa integrante, pois introduz uma oração que funciona como objeto direto do verbo "descobrir" — exatamente como em "os cientistas esperam descobrir isso". A prova clássica: substituir a oração iniciada por "se" pelo pronome "isso". Se a troca for possível sem prejuízo de sentido, o "se" é integrante. É o que ocorre aqui.

O comando da questão

A banca pede o papel gramatical da palavra "se" no contexto. Isso exige análise morfossintática: identificar a classe (conjunção, pronome) e a função sintática que ela desempenha na oração. Não basta saber as funções do "se" em abstrato; é preciso aplicá-las ao trecho específico, observando o verbo que o antecede e a relação que o "se" estabelece.

O texto e o trecho analisado

No texto, lemos:

"os cientistas esperam descobrir se isso poderá ser aplicado para reduzir a incidência de tumores em cães saudáveis"

Aqui, o verbo "descobrir" é transitivo direto — descobre-se algo. Esse "algo" é justamente a oração "se isso poderá ser aplicado...". Ou seja, a oração introduzida por "se" completa o sentido do verbo, funcionando como objeto direto. Essa é a característica das orações subordinadas substantivas objetivas diretas, introduzidas por conjunção integrante (que ou se).

A técnica que decide: o teste do "isso"

O macete mais confiável para reconhecer a conjunção integrante é substituir a oração pelo pronome "isso". Veja:

  • "os cientistas esperam descobrir se isso poderá ser aplicado" → "os cientistas esperam descobrir isso"

A substituição é perfeita e mantém o sentido. Isso prova que a oração é substantiva (exerce função de termo da oração principal) e que o "se" é conjunção subordinativa integrante.

Distinção crucial: integrante × condicional

A confusão mais comum é entre conjunção integrante e conjunção condicional. A diferença é simples:

  • Integrante: introduz uma oração que funciona como termo da oração principal (sujeito, objeto, etc.). Não tem valor semântico próprio; apenas conecta. O verbo da oração principal é transitivo e pede um complemento.

  • Condicional: introduz uma oração que expressa uma condição para o fato da oração principal. Tem valor semântico de "caso". O verbo da oração principal não pede complemento; a oração condicional é um adjunto adverbial.

No trecho, "descobrir" pede complemento (descobrir o quê?), então o "se" é integrante. Se fosse condicional, teríamos algo como "Se chover, não sairei" — aqui, "não sairei" não pede complemento; a oração "se chover" é uma condição.

Análise das alternativas

"Se" no trecho
  • 1Conjunção subordinativa integrante
    • Introduz oração substantiva objetiva direta
    • Completa o verbo "descobrir"
    • Teste: trocar por "isso"
  • 2Distinção: integrante × condicional
    • Integrante: oração é termo da principal
    • Condicional: oração é condição (adjunto)
  • 3Outras funções do "se"
    • Partícula apassivadora (voz passiva sintética)
    • Pronome reflexivo (objeto direto)
    • Índice de indeterminação do sujeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Partícula apassivadora. A partícula apassivadora é usada com verbos transitivos diretos na voz passiva sintética, como em "vendem-se casas" (casas são vendidas). No trecho, o "se" não está apassivando nada: o verbo "descobrir" está na voz ativa, com sujeito "os cientistas". A oração "se isso poderá ser aplicado" é um complemento, não um sujeito paciente. Erro: troca de conceito — confunde a função de voz passiva com a de conectivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Objeto direto. O "se" nunca é objeto direto; ele pode ser pronome reflexivo (ex.: "ele se feriu") e, nesse caso, exerce função de objeto direto. Mas aqui o "se" não é pronome, é conjunção. A oração inteira "se isso poderá ser aplicado" é que funciona como objeto direto de "descobrir", não a palavra "se" isoladamente. Erro: troca de conceito — confunde a função da oração com a classe da palavra.

Alternativa C — ✅ Correta

Conjunção integrante. Como demonstrado, o "se" introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, completando o sentido do verbo "descobrir". O teste do "isso" confirma: "descobrir isso". Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Conjunção condicional. A conjunção condicional expressa condição ("se chover, não sairei"). No trecho, não há condição; há um complemento verbal. O verbo "descobrir" exige um objeto, e a oração introduzida por "se" cumpre esse papel. Erro: troca de conceito — confunde o valor condicional com o integrante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Índice de indeterminação do sujeito. O IIS ocorre com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, como em "precisa-se de funcionários" ou "vive-se bem aqui". No trecho, o verbo "descobrir" é transitivo direto e tem sujeito determinado ("os cientistas"). O "se" não indetermina nada. Erro: troca de conceito — confunde a função de indeterminação com a de conectivo.

Conclusão

A questão testa a habilidade de aplicar o teste do "isso" para distinguir a conjunção integrante das demais funções do "se". Sempre que o "se" puder ser substituído por "isso" e a frase continuar fazendo sentido, ele é conjunção integrante. Essa é a técnica que resolve a questão de forma rápida e segura.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com o "se", pergunte: "posso trocar por 'isso'?" Se sim, é integrante. Se não, teste se há condição (condicional), se o verbo é transitivo direto sem sujeito (apassivadora) ou se o verbo é intransitivo/transitivo indireto (IIS).

Gabarito: letra C.

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