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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Avança SP 2024

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
qg080343
Banca
Avança SP
Órgão
Câmara de Vinhedo - SP
Ano
2024
Nível
Fundamental
Cargo
Serviços Gerais

Leia o texto para responder às questões de 1 a 9.

Microplásticos são descobertos pela 1ª vez em vestígios arqueológicos


Dezenas de partículas de plástico foram encontradas em coletas atuais e em amostras extraídas do solo na década de 1980 em dois sítios arqueológicos em York, Inglaterra

Nos últimos anos, uma série de estudos têm evidenciado a presença de microplásticos no oceano, no ar e até mesmo no organismo humano. Agora, pesquisadores descobriram que esses pequenos materiais estão contaminando também vestígios arqueológicos retirados do solo.

Uma pesquisa publicada em 1º de março na revista Science of The Total Environment identificou em coletas de solo 66 partículas de 16 tipos de polímeros de microplástico. “O que antes se acreditava serem depósitos arqueológicos puros, prontos para investigação, estão, na realidade, contaminados por plástico”, afirma em comunicado o arqueólogo John Schofield, da Universidade de York, no Reino Unido.

Os microplásticos são partículas de plástico com tamanho entre 1 micrômetro (milésimo de milímetro) e 5 milímetros. A sua origem é diversa: podem estar em itens de higiene pessoal, cosméticos, garrafas PET, celulares e roupas.

Os pesquisadores analisaram amostras de dois períodos: as mais antigas são datadas dos séculos 1 ou 2 e foram retiradas do solo na década de 1980, em dois sítios arqueológicos de York, a uma profundidade de mais de 7 metros. Já as demais foram coletadas na contemporaneidade em regiões próximas de onde ocorreram as escavações no passado.

“Nós pensamos nos microplásticos como um fenômeno moderno, já que só temos ouvido falar deles nos últimos 20 anos”, contextualiza David Jennings, pesquisador da Universidade de York.

Ele explica que há duas décadas, no ano de 2004, o professor Richard Thompson revelou que microplásticos estavam em águas marítimas desde 1960, em decorrência da grande produção de plástico após a Segunda Guerra Mundial.

“Esse novo estudo mostra que as partículas se infiltraram em depósitos arqueológicos. E, como no caso dos oceanos, isso provavelmente está acontecendo há um período similar, considerando que partículas foram encontradas em amostras de solo retiradas e arquivadas em 1988, de Wellington Row, em York”, sugere Jennings.

Os achados inéditos levantam questionamentos sobre o impacto dos microplásticos em materiais estudados por arqueólogos. Acredita-se que essas partículas podem afetar a química do solo e prejudicar a preservação de resquícios importantes.

Assim, surge uma dúvida: será que preservar amostras arqueológicas in situ continua sendo a abordagem mais adequada? “Daqui para frente, tentaremos descobrir até que ponto essa contaminação compromete o valor de evidência desses depósitos e qual a sua importância nacional”, comenta Schofield.


Revista Galileu. Disponível em<https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueologia/noticia/2024/03/microplasticos-saodescobertos-pela-1a-vez-em-vestigiosarqueologicos.ghtml>

Considere o excerto: “Nós pensamos nos microplásticos como um fenômeno moderno, já que só temos ouvido falar deles nos últimos 20 anos”. A relação estabelecida entre a oração principal e a oração subordinada no contexto apresentado é:
  1. Acausal.
  2. Bconcessiva.
  3. Cadversativa.
  4. Dconformativa.
  5. Ecomparativa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — causal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor Semântico de "Já Que" — Oração Subordinada Adverbial Causal

Gabarito: letra A. A relação estabelecida entre a oração principal e a subordinada no excerto é causal, pois a conjunção "já que" introduz a causa/motivo da afirmação feita na oração principal. No trecho, "Nós pensamos nos microplásticos como um fenômeno moderno" é a consequência, e "só temos ouvido falar deles nos últimos 20 anos" é a razão que explica esse pensamento. A banca testa exatamente o reconhecimento do valor semântico do conectivo "já que", que é uma locução conjuntiva causal.

O Comando: identificar a relação semântica

A questão pede que você reconheça a relação estabelecida entre a oração principal e a oração subordinada no contexto apresentado. Isso é uma tarefa de interpretação de conectivos: você não precisa apenas saber a classe da palavra, mas o sentido que ela cria entre as orações. Aqui, o foco está na conjunção subordinativa "já que", que inicia a oração subordinada adverbial. O comando é direto: qual é o valor semântico dessa relação? Causal, concessiva, adversativa, conformativa ou comparativa?

O Texto: a lógica de causa e consequência

No excerto, o pesquisador David Jennings explica por que as pessoas consideram os microplásticos um fenômeno moderno. A oração principal é "Nós pensamos nos microplásticos como um fenômeno moderno" — essa é a consequência (o pensamento). A oração subordinada é "já que só temos ouvido falar deles nos últimos 20 anos" — essa é a causa (o motivo). A relação é de causa e consequência: a razão de pensarmos assim é o fato de só termos ouvido falar recentemente. O conectivo "já que" é uma locução conjuntiva que, por definição, introduz orações subordinadas adverbiais causais.

"Nós pensamos nos microplásticos como um fenômeno moderno, já que só temos ouvido falar deles nos últimos 20 anos"

A locução "já que" pode ser substituída por "porque", "pois", "visto que", "uma vez que" — todas causais. Essa substituição mantém o sentido e comprova a relação de causa.

A Técnica: como identificar a relação causal

Para identificar a relação semântica entre orações, o método é substituir o conectivo por outro de mesma relação e verificar se o sentido permanece. No caso:

  • Causal: "já que", "porque", "visto que", "uma vez que" → indicam causa, motivo, razão.

  • Concessiva: "embora", "ainda que", "mesmo que" → indicam oposição que não impede a ação principal.

  • Adversativa: "mas", "porém", "contudo" → indicam oposição direta entre orações coordenadas.

  • Conformativa: "conforme", "segundo", "como" → indicam conformidade com algo.

  • Comparativa: "como", "tal qual", "assim como" → indicam comparação entre elementos.

Aqui, "já que" não expressa oposição, nem conformidade, nem comparação. Ele expressa a razão do pensamento. Portanto, a relação é causal.

Análise das Alternativas

1Causais
já que, porque, visto que
indicam motivo/razão
2Concessivas
embora, ainda que, mesmo que
oposição que não impede
3Conformativas
conforme, segundo, como
indicam conformidade
4Comparativas
como, tal qual, assim como
indicam comparação
Conjunções subordinativas
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Conjunções subordinativas: Causais (já que, porque, visto que, indicam motivo/razão); Concessivas (embora, ainda que, mesmo que, oposição que não impede); Conformativas (conforme, segundo, como, indicam conformidade); Comparativas (como, tal qual, assim como, indicam comparação)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque a oração subordinada "já que só temos ouvido falar deles nos últimos 20 anos" expressa a causa da afirmação principal. A locução "já que" é uma conjunção subordinativa causal, equivalente a "porque". O texto diz que pensamos nos microplásticos como fenômeno moderno porque só ouvimos falar deles recentemente. A relação é de causa e consequência, e a alternativa A nomeia exatamente isso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta porque a relação concessiva expressa uma oposição que não impede a ação principal, introduzida por conectivos como "embora", "ainda que", "mesmo que". No excerto, não há oposição; há uma explicação causal. A oração subordinada não contraria a principal, ela a justifica. A banca tenta confundir quem confunde "já que" com "embora", mas o sentido é oposto: concessão indica "apesar de", enquanto causa indica "porque".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta porque a relação adversativa é típica de orações coordenadas (não subordinadas) e expressa oposição entre ideias, com conectivos como "mas", "porém", "contudo". No excerto, a oração subordinada não se opõe à principal; ela a explica. Não há contraste entre "pensar como fenômeno moderno" e "ouvir falar nos últimos 20 anos" — ao contrário, o segundo fato é o motivo do primeiro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta porque a relação conformativa expressa conformidade com algo, introduzida por conectivos como "conforme", "segundo", "como". No excerto, "já que" não indica conformidade com uma regra ou opinião; indica causa. A oração subordinada não diz "conforme ouvimos falar", mas "porque ouvimos falar". A banca oferece essa alternativa para testar se o candidato conhece o valor exato de "já que".

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta porque a relação comparativa expressa comparação entre elementos, introduzida por conectivos como "como", "tal qual", "assim como". No excerto, não há comparação entre dois fatos; há uma relação de causa. "Já que" não equivale a "como" no sentido comparativo, mas a "porque". A banca tenta confundir com o uso de "como" em outros contextos, mas aqui o valor é claramente causal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece conjunções de outras relações (concessiva, adversativa, conformativa, comparativa) para confundir quem não identifica o valor de "já que". A chave é substituir o conectivo por "porque" — se o sentido mantém, é causal.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a relação entre orações, substitua o conectivo por outro de mesma relação e veja se o sentido permanece. "Já que" = "porque" = causal. Desconfie de alternativas que tragam relações de oposição (concessiva/adversativa) quando o conectivo é claramente explicativo.

Gabarito: letra A — a relação é causal, pois "já que" introduz a causa do pensamento expresso na oração principal.

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