Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2024
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg081278
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista
Um paciente apresenta edema de lábios, língua e glote, com histórico familiar semelhante. É o principal exame laboratorial que auxilia no diagnóstico dessa condição:
AHemograma com contagem de eosinófilos.
BPesquisa de autoanticorpos.
CTestes de função hepática.
DDosagem de complemento (C1 esteraseinibitora).
ETeste de provocação.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Dosagem de complemento (C1 esteraseinibitora).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Angioedema hereditário: diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra D. O quadro clínico descrito — edema de lábios, língua e glote com histórico familiar — é altamente sugestivo de angioedema hereditário (AEH), condição causada por deficiência do inibidor de C1 esterase (C1-INH), e o exame que confirma o diagnóstico é a dosagem de complemento, especificamente do C1-INH (quantitativo e funcional) e de C4. As demais alternativas não são específicas para essa condição.
O angioedema hereditário é uma doença autossômica dominante caracterizada por episódios recorrentes de edema subcutâneo e submucoso, que podem afetar vias aéreas superiores (causando risco de asfixia), trato gastrointestinal (com dor abdominal) e extremidades. A fisiopatologia envolve a deficiência (tipo I) ou disfunção (tipo II) do inibidor de C1 esterase, uma proteína que regula a ativação do sistema complemento, da cascata de coagulação e do sistema calicreína-cinina. A falta de regulação leva à geração excessiva de bradicinina, um potente vasodilatador que aumenta a permeabilidade vascular e causa o edema.
O diagnóstico laboratorial do AEH baseia-se na dosagem de C4, que está cronicamente baixo mesmo entre os episódios (é o melhor exame de triagem), e na dosagem do C1-INH, tanto quantitativa (nível proteico) quanto funcional (atividade). No tipo I, há redução do nível e da função; no tipo II, o nível pode estar normal ou elevado, mas a função está reduzida. A dosagem de C1q também pode ser útil para diferenciar do angioedema adquirido, onde o C1q está baixo.
Na prática clínica, diante de um paciente com edema de lábios, língua e glote, especialmente com história familiar positiva, a hipótese de AEH deve ser considerada e a investigação laboratorial deve incluir a dosagem de complemento. O tratamento agudo envolve concentrado de C1-INH, icatibanto (antagonista do receptor B2 da bradicinina) ou plasma fresco congelado, e a profilaxia de longo prazo pode ser feita com andrógenos atenuados (danazol) ou antifibrinolíticos.
A pegadinha desta questão está em associar o edema de glote a uma reação alérgica anafilática, o que levaria o candidato a escolher a alternativa A (hemograma com eosinófilos) ou E (teste de provocação). No entanto, o histórico familiar e a ausência de urticária (característica das reações alérgicas mediadas por IgE) apontam para o AEH, que não é mediado por IgE e não responde a anti-histamínicos ou corticoides. O diagnóstico diferencial entre angioedema alérgico e hereditário é crucial, pois o tratamento é completamente diferente.
Guarde a distinção central: angioedema alérgico (mediado por IgE, associado a urticária, responde a anti-histamínicos) versus angioedema hereditário (deficiência de C1-INH, sem urticária, não responde a anti-histamínicos). É exatamente essa fronteira que separa as alternativas corretas das incorretas.
Angioedema hereditário (AEH)
1Causa
Deficiência de C1-INH (tipo I)
Disfunção de C1-INH (tipo II)
2Fisiopatologia
Geração excessiva de bradicinina
Aumento da permeabilidade vascular
3Diagnóstico laboratorial
C4 (triagem, sempre baixo)
C1-INH quantitativo e funcional
C1q (diferencia do adquirido)
4Tratamento
Agudo: concentrado de C1-INH, icatibanto
Profilaxia: danazol, antifibrinolíticos
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O hemograma com contagem de eosinófilos é útil na investigação de doenças alérgicas e parasitárias, mas não é específico para o diagnóstico de angioedema hereditário. A eosinofilia pode estar presente em reações alérgicas, mas o AEH não é mediado por IgE e não cursa com eosinofilia característica. O exame pode ser usado como auxiliar, mas não é o principal para essa condição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pesquisa de autoanticorpos é utilizada no diagnóstico de doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e vasculites. O angioedema hereditário é uma doença genética, não autoimune, e não há autoanticorpos envolvidos em sua patogênese. Essa alternativa confunde o AEH com o angioedema adquirido, que pode estar associado a linfoproliferação e autoanticorpos contra o C1-INH.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os testes de função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas, etc.) avaliam a integridade do fígado e não têm relação com o diagnóstico de angioedema hereditário. Embora o C1-INH seja produzido no fígado, a dosagem de sua função não é feita pelos testes hepáticos convencionais, mas sim por ensaios específicos de atividade do C1-INH.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dosagem de complemento, especificamente do C1-INH (inibidor de C1 esterase) e do C4, é o principal exame laboratorial para o diagnóstico de angioedema hereditário. O C4 está cronicamente baixo, e a dosagem do C1-INH (quantitativa e funcional) confirma o diagnóstico, diferenciando os tipos I e II. Este é o exame que auxilia diretamente no diagnóstico da condição descrita no enunciado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste de provocação é utilizado para diagnosticar alergias mediadas por IgE, como alergia alimentar ou a medicamentos, expondo o paciente ao alérgeno suspeito sob supervisão médica. No angioedema hereditário, o edema é desencadeado por trauma, estresse, infecções ou procedimentos dentários, e não por alérgenos específicos. O teste de provocação não é indicado e seria perigoso, pois poderia desencadear um edema de glote com risco de asfixia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre angioedema alérgico e hereditário. O candidato que associa edema de glote a anafilaxia escolhe a alternativa A (eosinófilos) ou E (teste de provocação). No entanto, o histórico familiar e a ausência de urticária são pistas-chave para o AEH, que exige dosagem de complemento. Lembre-se: AEH não é alergia — é deficiência de C1-INH.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar na prova, use o mnemônico "C4 baixo + C1-INH baixo = AEH". O C4 é o exame de triagem (sempre baixo entre crises), e o C1-INH confirma. Se o C1q também estiver baixo, pense em angioedema adquirido. Essa tríade resolve a maioria das questões sobre o tema.