Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2024
- Código
- qg081280
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FUNBEPE
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Plantonista
- AHemograma.
- BGasometria arterial.
- CUrina tipo 1.
- DCreatinina sérica.
- ECálcio iônico.
GabaritoC — Urina tipo 1.
Gabarito: letra C. Na nefrolitíase, o principal exame laboratorial que confirma o diagnóstico é a Urina tipo 1 (EAS), pois a presença de hematúria (em cerca de 90% dos casos) e a identificação de cristais no sedimento urinário são achados que corroboram fortemente a suspeita clínica e ultrassonográfica de cálculos renais. Embora a TC helicoidal sem contraste seja o exame de imagem padrão-ouro para confirmação, entre as opções laboratoriais apresentadas, a urina tipo 1 é a que oferece evidência direta do processo litiásico.
A nefrolitíase é uma condição caracterizada pela formação de cálculos no trato urinário, que pode se manifestar clinicamente como cólica renal — uma dor intensa e intermitente —, hematúria, náuseas e vômitos. O diagnóstico envolve a combinação de história clínica, exame físico, exames de imagem e exames laboratoriais. A ultrassonografia, citada no enunciado, é um método de imagem útil para detectar cálculos renais, especialmente por ser um exame de alta especificidade, embora com sensibilidade inferior à tomografia computadorizada (TC) sem contraste, que é o exame de imagem de escolha para confirmação diagnóstica.
No que diz respeito aos exames laboratoriais, a urina tipo 1 (ou exame de urina, EAS) desempenha um papel central. Durante um episódio de cólica renal, a hematúria está presente em cerca de 90% dos casos, sendo um forte indicativo de cálculo. Além disso, a análise do sedimento urinário pode revelar cristais característicos, cuja morfologia ajuda a inferir o tipo de cálculo (por exemplo, cristais de oxalato de cálcio em forma de envelope ou halteres, cristais de ácido úrico pleomórficos, cristais de cistina hexagonais). A presença de cristais, embora não seja um achado exclusivo, reforça o diagnóstico e orienta a investigação metabólica.
É importante distinguir o papel de cada exame. O hemograma é útil para avaliar sinais de infecção ou anemia, mas não confirma nefrolitíase. A gasometria arterial avalia o equilíbrio ácido-base, podendo ser relevante em casos de acidose tubular renal, uma causa secundária de litíase, mas não é o exame de confirmação. A creatinina sérica avalia a função renal, sendo importante para detectar disfunção renal aguda, mas não diagnostica cálculos. O cálcio iônico sérico é parte da investigação metabólica, especialmente para rastrear hiperparatireoidismo, mas não confirma a presença de cálculos.
A avaliação metabólica completa, que inclui exames de sangue e urina, é indicada em pacientes com múltiplos cálculos na primeira apresentação, como é o caso do paciente do enunciado. Essa avaliação inclui coleta de urina de 24 horas, exame comum de urina e urocultura, além de dosagens séricas de cálcio, fósforo, albumina, creatinina, bicarbonato e ácido úrico. No entanto, a questão pergunta especificamente sobre o exame laboratorial que confirma o diagnóstico de nefrolitíase, e não sobre a investigação etiológica. Nesse contexto, a urina tipo 1, ao evidenciar hematúria e cristais, é o exame laboratorial que mais diretamente corrobora a presença de cálculos.
A pegadinha desta questão está em confundir o exame que confirma o diagnóstico (urina tipo 1, pela hematúria e cristais) com exames que fazem parte da investigação metabólica ou da avaliação de complicações. O candidato pode ser tentado a escolher o cálcio iônico, por ser um exame relacionado à causa mais comum de cálculo (hipercalciúria), ou a creatinina, por avaliar função renal, mas nenhum deles confirma a presença de cálculos. A chave é lembrar que a confirmação laboratorial da nefrolitíase se dá pela urina tipo 1, que mostra hematúria e cristais.
O hemograma avalia as células sanguíneas (hemácias, leucócitos, plaquetas) e é útil para detectar anemia, infecção ou outras alterações hematológicas. Na nefrolitíase, o hemograma pode ser solicitado em casos de suspeita de infecção associada, mas não apresenta achados específicos que confirmem a presença de cálculos renais. Portanto, não é o principal exame laboratorial para confirmação diagnóstica.
A gasometria arterial avalia o equilíbrio ácido-base e a oxigenação. Na nefrolitíase, a gasometria pode ser útil na investigação de causas secundárias, como a acidose tubular renal (ATR), que predispõe à formação de cálculos. No entanto, não é um exame que confirme a presença de cálculos renais, sendo apenas parte da investigação etiológica em casos selecionados.
A urina tipo 1 (EAS) é o principal exame laboratorial que confirma o diagnóstico de nefrolitíase. Durante um episódio de cólica renal, a hematúria está presente em cerca de 90% dos casos, sendo um achado altamente sugestivo. Além disso, a análise do sedimento urinário pode revelar cristais típicos, cuja morfologia auxilia na identificação do tipo de cálculo. Esses achados, em conjunto com a história clínica e os exames de imagem, confirmam o diagnóstico.
A creatinina sérica é um marcador da função renal, utilizado para avaliar a taxa de filtração glomerular e detectar disfunção renal aguda ou crônica. Na nefrolitíase, a creatinina pode ser solicitada para avaliar complicações, como obstrução urinária ou lesão renal aguda, mas não é um exame que confirme a presença de cálculos. Sua dosagem faz parte da avaliação da função renal, não do diagnóstico de litíase.
O cálcio iônico sérico é um exame importante na investigação metabólica da nefrolitíase, pois a hipercalcemia pode indicar hiperparatireoidismo primário, uma causa comum de cálculos de cálcio. No entanto, não é um exame que confirme a presença de cálculos renais. Ele é solicitado como parte da avaliação etiológica, especialmente quando há suspeita de distúrbios do metabolismo do cálcio.
Gabarito: letra C — a urina tipo 1 é o exame laboratorial que confirma o diagnóstico de nefrolitíase, por evidenciar hematúria e cristais no sedimento urinário.
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