Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2024
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg081286
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista
Um paciente com diagnóstico recente de infecção pelo HIV apresenta febre, sudorese noturna, perda de peso e linfadenopatia generalizada. Qual a fase clínica da infecção pelo HIV neste paciente?
ARetardo na progressão da doença.
BInfecção assintomática.
CSíndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA).
DComplexo Relacionado à AIDS (ARC).
EInfecção aguda pelo HIV.
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GabaritoE — Infecção aguda pelo HIV.
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Infecção aguda pelo HIV e Síndrome Retroviral Aguda (SRA)
Gabarito: letra E. O quadro descrito — febre, sudorese noturna, perda de peso e linfadenopatia generalizada em paciente com diagnóstico recente de HIV — é a clássica apresentação da infecção aguda pelo HIV, também chamada de Síndrome Retroviral Aguda (SRA), que ocorre nas primeiras semanas após o contágio. A alternativa correta é a letra E, pois o enunciado descreve exatamente os sintomas dessa fase inicial, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde.
A infecção pelo HIV tem uma história natural bem definida, que evolui da fase aguda para a fase crônica assintomática e, eventualmente, para a AIDS. A infecção aguda (ou primária) acontece nas primeiras semanas após a exposição ao vírus, quando há replicação viral intensa nos tecidos linfoides. Nesse período, o paciente pode apresentar a Síndrome Retroviral Aguda (SRA), um conjunto de sintomas inespecíficos que lembram uma mononucleose ou uma gripe forte. Os principais achados incluem febre, linfadenopatia (aumento de gânglios), faringite, exantema, mialgia, cefaleia, sudorese noturna e perda de peso. Esses sintomas são autolimitados e costumam desaparecer em três a quatro semanas, mas a linfadenopatia pode persistir por mais tempo.
É importante destacar que a SRA é frequentemente confundida com outras infecções virais, o que leva ao atraso no diagnóstico. O reconhecimento dessa fase é crucial, pois é nela que a carga viral está extremamente elevada, tornando o indivíduo altamente infectante. O diagnóstico precoce permite iniciar a terapia antirretroviral (TARV) o quanto antes, melhorando o prognóstico e reduzindo a transmissão.
A progressão natural da doença, sem tratamento, segue um curso lento e não linear. Após a fase aguda, o paciente entra na fase de latência clínica (assintomática), onde o exame físico costuma ser normal e a contagem de linfócitos T CD4+ permanece acima de 350 células/mm³. Com o passar dos anos, a imunodeficiência se instala, e o aparecimento de infecções oportunistas e neoplasias define a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). O termo ARC (Complexo Relacionado à AIDS) era usado no passado para descrever um estágio intermediário, com sintomas constitucionais, mas sem as infecções oportunistas definidoras de AIDS; hoje, essa nomenclatura caiu em desuso, sendo substituída pela classificação baseada na contagem de CD4 e na presença de doenças oportunistas.
A pegadinha desta questão está em diferenciar a infecção aguda (fase inicial, com sintomas sistêmicos) da AIDS (fase avançada, com imunodeficiência grave e infecções oportunistas). O enunciado deixa claro que o diagnóstico é recente, o que aponta para a fase aguda, e não para a fase tardia. Além disso, a presença de linfadenopatia generalizada e sintomas constitucionais é típica da SRA, enquanto a AIDS se caracteriza por doenças oportunistas específicas (como pneumocistose, toxoplasmose cerebral, tuberculose, etc.).
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao descrever sintomas que também podem aparecer na AIDS (febre, sudorese, perda de peso). A chave é o termo "diagnóstico recente" — isso indica que o paciente está na fase inicial da infecção, não na fase avançada. A AIDS seria a alternativa correta se o paciente já tivesse um diagnóstico antigo, com contagem de CD4 muito baixa e alguma infecção oportunista.
1Infecção aguda (SRA)
2Latência assintomática
3AIDS (imunodeficiência)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Retardo na progressão da doença não é uma fase clínica da infecção pelo HIV. Esse termo se refere a um grupo de pacientes chamados de controladores de elite ou progressores lentos, que mantêm a contagem de CD4 estável por muitos anos sem tratamento. Não se aplica ao quadro descrito, que apresenta sintomas agudos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A infecção assintomática (ou fase de latência clínica) é o período em que o paciente não apresenta sintomas, mesmo estando infectado. O enunciado descreve um paciente sintomático, com febre, sudorese, perda de peso e linfadenopatia, o que exclui essa alternativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS) é a fase avançada da infecção, caracterizada por imunodeficiência grave (CD4 < 200 células/mm³) e presença de infecções oportunistas ou neoplasias definidoras. O paciente do enunciado tem diagnóstico recente, o que indica que ainda não evoluiu para AIDS. Além disso, os sintomas descritos são inespecíficos e não incluem nenhuma doença oportunista.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Complexo Relacionado à AIDS (ARC) era uma classificação antiga para descrever pacientes com sintomas constitucionais (febre, perda de peso, sudorese) e linfadenopatia, mas sem infecções oportunistas. Essa nomenclatura foi abandonada e não corresponde à fase aguda da infecção. O termo correto para o quadro descrito é infecção aguda pelo HIV.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A infecção aguda pelo HIV é a fase inicial da doença, que ocorre nas primeiras semanas após o contágio. O quadro clínico descrito — febre, sudorese noturna, perda de peso e linfadenopatia generalizada — é exatamente a Síndrome Retroviral Aguda (SRA), conforme descrito no Protocolo Clínico do Ministério da Saúde. O diagnóstico recente reforça essa fase, pois é nesse período que os sintomas agudos se manifestam.