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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg081412
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Imobilização Ortopédica
Um paciente foi submetido à aplicação de gesso para imobilização de uma fratura de rádio distal. Após alguns dias, ele retorna à clínica queixando-se de dor intensa, inchaço e formigamento nos dedos. O técnico de imobilização ortopédica deve estar atento às complicações que podem surgir com a imobilização. Indique qual das opções a seguir representa corretamente uma complicação potencial do uso de gesso.
  1. ASíndrome de Desfiladeiro Torácico: Compressão dos vasos sanguíneos e nervos entre a clavícula e a primeira costela.
  2. BTrombose Venosa Profunda: Formação de coágulos sanguíneos nas veias profundas, principalmente nas pernas.
  3. COsteomielite: Infecção do osso que pode ocorrer devido à exposição do osso ao meio ambiente através de uma fratura aberta.
  4. DSíndrome de Desuso: Atrofia muscular decorrente da falta de movimento durante o período de imobilização.
  5. ESíndrome Compartimental: Aumento da pressão no espaço osteofascial fechado, comprometendo a circulação e a função dos tecidos.
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GabaritoE — Síndrome Compartimental: Aumento da pressão no espaço osteofascial fechado, comprometendo a circulação e a função dos tecidos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Compartimental: complicação da imobilização gessada

Gabarito: letra E. A Síndrome Compartimental é a complicação mais temida e diretamente relacionada ao uso de gesso, caracterizada pelo aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado, que compromete a perfusão tecidual e pode levar à necrose muscular e nervosa irreversível. O quadro clínico clássico descrito no enunciado — dor intensa, inchaço e formigamento nos dedos após imobilização — é o alerta máximo para essa emergência ortopédica.

A síndrome compartimental ocorre quando a pressão dentro de um compartimento anatômico fechado (delimitado por ossos e fáscias) excede a pressão de perfusão capilar, geralmente acima de 30 mmHg, levando à isquemia dos tecidos contidos nesse espaço. No contexto de uma fratura de rádio distal imobilizada com gesso, o edema pós-traumático somado à contenção rígida externa cria um ciclo vicioso: o inchaço aumenta a pressão interna, que comprime os vasos, que reduz o fluxo sanguíneo, que aumenta a permeabilidade capilar e gera mais edema. Esse mecanismo explica por que a dor é desproporcional ao esperado, não melhora com analgésicos comuns e se acompanha de parestesia (formigamento) — sinal de sofrimento nervoso por isquemia.

O diagnóstico é essencialmente clínico e os sinais clássicos são conhecidos como os "5 Ps": dor (pain) desproporcional, palidez, ausência de pulso (pulselessness), parestesia e paralisia. É importante destacar que a ausência de pulso é um sinal tardio, pois a pressão compartimental raramente atinge níveis que ocluam completamente a artéria principal — o comprometimento ocorre primeiro nos capilares e vênulas. A dor à mobilização passiva dos dedos é considerada o sinal mais precoce e confiável. Quando há suspeita, a conduta imediata é a abertura do gesso em toda a sua extensão, incluindo o algodão e a malha, e a elevação do membro — medidas que podem reverter o quadro se aplicadas precocemente. A fasciotomia (abertura cirúrgica da fáscia) é o tratamento definitivo quando a pressão não se normaliza ou já há sinais de lesão estabelecida.

A banca explora aqui a associação direta entre o quadro clínico descrito e a complicação mais grave e específica da imobilização gessada. As demais alternativas apresentam complicações que podem ocorrer em outros contextos, mas não são a consequência imediata e característica do gesso em uma fratura fechada de rádio distal. A chave para acertar é reconhecer que dor intensa + edema + parestesia em um membro imobilizado formam a tríade clássica de alerta para síndrome compartimental, uma emergência que exige ação imediata para evitar sequelas permanentes.

Complicações da imobilização gessada
  • 1Agudas (emergência)
    • Síndrome Compartimental
      • pressão no espaço osteofascial
      • compromete circulação e tecidos
      • 5 Ps: dor, palidez, pulso, parestesia, paralisia
  • 2Crônicas (tardias)
    • Síndrome de Desuso
      • atrofia muscular por falta de movimento
  • 3Outros contextos
    • Síndrome do Desfiladeiro Torácico
      • compressão entre clavícula e 1ª costela
    • Trombose Venosa Profunda
      • coágulos em veias profundas
    • Osteomielite
      • infecção óssea (fratura exposta)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico é uma condição compressiva que ocorre na região do pescoço e ombro, envolvendo o plexo braquial e os vasos subclávios entre a clavícula e a primeira costela. Embora a definição esteja correta, ela não é uma complicação do uso de gesso para fratura de rádio distal — é uma síndrome compressiva crônica, geralmente relacionada a variações anatômicas, traumas locais ou posturas ocupacionais, e não ao edema agudo pós-imobilização. A banca incluiu essa alternativa para testar se o candidato associa corretamente a localização anatômica da complicação ao membro imobilizado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é a formação de coágulos nas veias profundas, mais comumente nos membros inferiores, e pode ocorrer em pacientes imobilizados por longo período devido à estase venosa. No entanto, não é a complicação aguda e característica da imobilização gessada de uma fratura de rádio distal — o risco de TVP em imobilização de membro superior é baixo, e o quadro clínico descrito (dor, inchaço e formigamento nos dedos) não é compatível com TVP, que se manifesta com edema e dor no membro afetado, mas sem parestesia distal típica. A banca usa essa alternativa para confundir com complicações de imobilização prolongada, mas o contexto agudo aponta para outra direção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A Osteomielite é uma infecção óssea que pode ocorrer em fraturas expostas, quando o osso fica em contato com o ambiente externo, permitindo a contaminação bacteriana. Embora a definição esteja correta, o enunciado descreve uma fratura fechada de rádio distal imobilizada com gesso — não há exposição óssea, e a osteomielite não é uma complicação aguda esperada nesse contexto. A infecção óssea se desenvolve ao longo de dias a semanas, com sinais sistêmicos como febre e calor local, e não se manifesta com o quadro agudo de dor, inchaço e formigamento descrito. A banca inclui essa alternativa para testar se o candidato distingue complicações de fraturas expostas das complicações de fraturas fechadas imobilizadas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A Síndrome de Desuso, ou atrofia muscular por desuso, é uma complicação tardia e esperada da imobilização prolongada, caracterizada pela perda de massa e força muscular devido à falta de movimento. Embora seja uma complicação real do uso de gesso, ela não se manifesta com o quadro agudo descrito no enunciado — dor intensa, inchaço e formigamento nos dedos. A atrofia por desuso se desenvolve ao longo de semanas e não apresenta os sinais de alerta de isquemia tecidual. A banca usa essa alternativa para confundir complicações crônicas com agudas, testando se o candidato reconhece a urgência do quadro clínico apresentado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Síndrome Compartimental é exatamente a complicação descrita: aumento da pressão dentro de um espaço osteofascial fechado, que compromete a circulação e a função dos tecidos. No contexto de uma fratura de rádio distal imobilizada com gesso, o edema pós-traumático aumenta a pressão dentro do compartimento, que é limitado pela contenção rígida do gesso, levando à isquemia dos músculos e nervos. Os sintomas de dor intensa, inchaço e formigamento nos dedos são a tríade clássica de alerta, e a conduta imediata é a abertura do gesso para aliviar a pressão. Esta é a complicação mais grave e diretamente relacionada ao uso de gesso, exigindo reconhecimento e intervenção urgentes para evitar necrose irreversível.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre complicações agudas e crônicas da imobilização. A Síndrome de Desuso (D) é uma complicação real, mas tardia e sem os sinais de alerta agudos; a Osteomielite (C) é complicação de fratura exposta, não de fratura fechada imobilizada. O quadro de dor intensa + edema + parestesia em membro gessado é o gatilho clássico para pensar em síndrome compartimental — uma emergência que não pode ser confundida com complicações de evolução lenta.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, decore os "5 Ps" da síndrome compartimental: Dor (desproporcional), Palidez, Pulso ausente (tardio), Parestesia e Paralisia. A dor à mobilização passiva é o sinal mais precoce. Se o enunciado descrever dor intensa + inchaço + formigamento após imobilização gessada, a resposta é síndrome compartimental — e a conduta é abrir o gesso imediatamente.

Gabarito: letra E

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