Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — Avança SP 2024
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
qg081416
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Imobilização Ortopédica
Um paciente idoso foi admitido na emergência após uma queda, apresentando dor intensa no quadril e incapacidade de deambular. A avaliação clínica e os exames de imagem confirmaram um trauma de quadril. O técnico de imobilização ortopédica deve estar ciente da fisiopatologia desse tipo de lesão para proporcionar o cuidado adequado. Indique qual das opções a seguir descreve corretamente a fisiopatologia do trauma de quadril.
AA lesão ocorre predominantemente devido à ruptura dos ligamentos que estabilizam a articulação do quadril, resultando em deslocamento articular.
BO trauma de quadril frequentemente envolve fraturas na região proximal do fêmur, afetando a vascularização e podendo levar à necrose avascular da cabeça femoral.
CA fratura de quadril geralmente resulta em lesão direta dos músculos glúteos, causando incapacidade de extensão do quadril.
DO trauma de quadril afeta principalmente a sínfise púbica, resultando em instabilidade pélvica e dor irradiada para a região inguinal.
EAs fraturas do quadril ocorrem devido a lesões na cápsula articular, causando derrame articular significativo e limitação da mobilidade.
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GabaritoB — O trauma de quadril frequentemente envolve fraturas na região proximal do fêmur, afetando a vascularização e podendo levar à necrose avascular da cabeça femoral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trauma de quadril: fisiopatologia e complicações
Gabarito: letra B. O trauma de quadril no idoso, na grande maioria dos casos, corresponde a uma fratura da região proximal do fêmur, e a complicação mais temida é a necrose avascular da cabeça femoral, decorrente da interrupção do suprimento sanguíneo. As demais alternativas descrevem mecanismos e estruturas que não correspondem à fisiopatologia predominante dessa lesão.
O trauma de quadril é um evento de alta morbimortalidade, especialmente na população idosa, frequentemente associado a quedas da própria altura. A compreensão da fisiopatologia é essencial para o cuidado adequado, pois orienta desde a suspeita diagnóstica até o planejamento cirúrgico e a prevenção de complicações. A lesão clássica é a fratura do fêmur proximal, que pode ocorrer em diferentes regiões: colo do fêmur, região transtrocantérica ou subtrocantérica. Cada uma dessas localizações tem implicações específicas, mas todas compartilham um ponto crítico: a vascularização da cabeça femoral.
A cabeça do fêmur é irrigada predominantemente pelas artérias circunflexas mediais e laterais, que formam um anel vascular na base do colo femoral. Quando ocorre uma fratura do colo do fêmur, especialmente as desviadas, esse suprimento sanguíneo pode ser interrompido, levando à necrose avascular (ou osteonecrose) da cabeça femoral. Essa complicação é uma das mais graves e pode ocorrer em um percentual significativo dos casos, dependendo do tipo e do desvio da fratura. A necrose avascular compromete a viabilidade do osso, podendo levar à colapso da cabeça femoral, dor crônica e necessidade de artroplastia.
É importante distinguir o trauma de quadril de outras condições que afetam a região. A alternativa A menciona a ruptura de ligamentos e deslocamento articular — isso descreve mais apropriadamente uma luxação traumática do quadril, que é uma entidade diferente, embora possa coexistir com fraturas. A alternativa C fala em lesão direta dos músculos glúteos, o que não é o mecanismo principal; a incapacidade de deambular decorre da dor e da instabilidade óssea, não de uma lesão muscular primária. A alternativa D menciona a sínfise púbica, que é uma articulação da pelve, não do quadril propriamente dito; a dor irradiada para a região inguinal é típica da fratura do colo do fêmur, mas a instabilidade pélvica não é a consequência principal. A alternativa E fala em lesão da cápsula articular e derrame articular, que podem ocorrer, mas não são a fisiopatologia central do trauma de quadril.
A alternativa B é a correta porque descreve com precisão o mecanismo fisiopatológico mais relevante: a fratura na região proximal do fêmur e o comprometimento da vascularização, com risco de necrose avascular. Esse é o conhecimento fundamental que o técnico de imobilização ortopédica deve ter para entender a gravidade da lesão e a importância de um manejo adequado, incluindo a analgesia eficaz e a mobilização precoce, conforme discutido no contexto do atendimento de emergência.
Guarde a fronteira entre os mecanismos: fratura do fêmur proximal com comprometimento vascular (a regra no idoso) versus luxação traumática, lesão muscular ou instabilidade pélvica (entidades distintas). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Trauma de quadril no idoso
1Fratura do fêmur proximal (regra)
Colo do fêmur
Transtrocantérica
Subtrocantérica
Risco de necrose avascular
Interrupção do suprimento sanguíneo
Artérias circunflexas mediais e laterais
2Entidades distintas (pegadinhas)
Luxação traumática (ruptura de ligamentos)
Fratura pélvica (sínfise púbica)
Lesão muscular primária (glúteos)
Lesão capsular com derrame
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve a ruptura de ligamentos e o deslocamento articular como mecanismo predominante. Isso caracteriza a luxação traumática do quadril, que é uma entidade distinta da fratura. Embora a luxação possa ocorrer, especialmente em traumas de alta energia, não é a fisiopatologia típica do trauma de quadril no idoso, que geralmente resulta de uma queda de baixa energia e causa fratura, não luxação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a fisiopatologia central: a fratura na região proximal do fêmur (colo, transtrocantérica ou subtrocantérica) e o comprometimento da vascularização da cabeça femoral, com risco de necrose avascular. Esse é o mecanismo mais relevante e a complicação mais temida, pois a irrigação sanguínea da cabeça femoral é interrompida, podendo levar à morte do tecido ósseo e à necessidade de procedimentos cirúrgicos mais complexos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a fratura resulta em lesão direta dos músculos glúteos, causando incapacidade de extensão do quadril. A incapacidade de deambular decorre da dor intensa e da instabilidade óssea causada pela fratura, não de uma lesão muscular primária. Os músculos glúteos podem estar envolvidos secundariamente, mas não são o alvo principal do trauma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Menciona a sínfise púbica como estrutura afetada, o que se refere à pelve, não ao quadril. A dor irradiada para a região inguinal é típica da fratura do colo do fêmur, mas a instabilidade pélvica não é a consequência principal do trauma de quadril. A sínfise púbica está envolvida em fraturas pélvicas, que são entidades distintas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Fala em lesão da cápsula articular e derrame articular significativo. Embora possa haver algum grau de derrame articular, a fisiopatologia central do trauma de quadril é a fratura óssea, não a lesão capsular. O derrame articular é uma consequência secundária e não explica a incapacidade de deambular nem a gravidade da lesão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os mecanismos de lesão. A alternativa A descreve a luxação traumática, a D descreve a fratura pélvica, e a C e E focam em estruturas secundárias. O candidato que não domina a fisiopatologia da fratura do fêmur proximal pode ser atraído por essas descrições plausíveis, mas a chave é reconhecer que a complicação mais temida e característica é a necrose avascular da cabeça femoral.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de trauma de quadril, foque na anatomia vascular da cabeça femoral. Lembre-se: fratura do colo do fêmur = risco de necrose avascular. Essa é a associação mais cobrada e a que diferencia a alternativa correta das demais.