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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — Avança SP 2024

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
qg081506
Banca
Avança SP
Órgão
FUNDAC de Ubatuba - SP
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Agente Administrativo
Solidários na porta


   Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. Usando as mesmas táticas de intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar ou rosnando em vez de morder.

   O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. E provando que não há nada menos civilizado que a civilização. Mas há uma exceção. Uma pequena clareira de solidariedade no jângal. É a porta aberta. Quando o carro ao seu lado emparelha com o seu e alguém põe a cabeça para fora, você se prepara para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!” Mas pode ter uma surpresa.

   — Porta aberta!

   — O quê?

   Você custa a acreditar que nem você nem ninguém da sua família está sendo xingado. Mas não, o inimigo está sinceramente preocupado com a possibilidade da porta se abrir e você cair do carro.

   A porta aberta determina uma espécie de trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima. Mas avisaram. Quer dizer, ainda não voltamos ao estado animal.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar.



O vocábulo “que”, em “(...) é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva (...)”, desempenha o papel gramatical de:
  1. Apronome relativo.
  2. Bconjunção integrante.
  3. Cconjunção causal.
  4. Dpronome interrogativo.
  5. Epronome demonstrativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — pronome relativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do "QUE" em "a vida competitiva que a gente leva"

Gabarito: letra A. O vocábulo "que" é pronome relativo, pois retoma o antecedente "vida competitiva" e introduz a oração subordinada adjetiva "que a gente leva". A prova está na possibilidade de substituição por "a qual": "a vida competitiva a qual a gente leva" — teste clássico que só o pronome relativo admite.

O comando

A questão pede a classificação morfossintática do "que" no trecho destacado. Isso exige identificar a classe gramatical (pronome relativo, conjunção, etc.) e, implicitamente, a função sintática que ele exerce na oração que introduz. Não é uma questão de interpretação de sentido, mas de análise gramatical contextualizada.

O texto e o trecho

No trecho:

"O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva"

O termo "que" está imediatamente após o substantivo "vida competitiva". Esse é o antecedente. A oração "que a gente leva" restringe ou explica qual vida competitiva é essa — a que levamos. O "que" retoma "vida competitiva" e, dentro da oração, exerce a função de objeto direto do verbo "levar" (levamos a vida competitiva).

A técnica que decide

Para distinguir pronome relativo de conjunção integrante, use o teste da substituição:

  • Pronome relativo: pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais". Ex.: "a vida competitiva a qual a gente leva". ✅

  • Conjunção integrante: inicia oração subordinada substantiva e não pode ser substituída por "o qual". Ex.: "Ele disse que viria" → não cabe "o qual". ❌

No trecho, a substituição funciona perfeitamente, confirmando o pronome relativo.

Análise das alternativas

"Que" no trecho
  • 1Pronome relativo (gabarito)
    • Retoma "vida competitiva"
    • Introduz oração subordinada adjetiva
    • Substituível por "a qual"
  • 2Outras funções (não se aplicam)
    • Conjunção integrante (não retoma antecedente)
    • Conjunção causal (sem valor de causa)
    • Pronome interrogativo (sem interrogação)
    • Pronome demonstrativo (sem valor de posição)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pronome relativo. O "que" retoma "vida competitiva" e introduz oração subordinada adjetiva. A substituição por "a qual" comprova: "a vida competitiva a qual a gente leva". Além disso, exerce função sintática (objeto direto) dentro da oração, característica típica do pronome relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conjunção integrante. A conjunção integrante introduz oração subordinada substantiva (ex.: "Espero que você venha") e não retoma termo anterior. No trecho, o "que" retoma "vida competitiva", o que é incompatível com conjunção integrante. A substituição por "a qual" também não seria possível se fosse conjunção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conjunção causal. Conjunção causal estabelece relação de causa (ex.: "Como choveu, a rua alagou"). No trecho, não há relação de causa; o "que" apenas liga a oração adjetiva ao substantivo. Não há valor semântico de causa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Pronome interrogativo. O pronome interrogativo aparece em perguntas diretas ou indiretas (ex.: "Que livro você quer?"). No trecho, não há interrogação; o "que" é um conectivo que retoma antecedente, não uma palavra interrogativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Pronome demonstrativo. O pronome demonstrativo (este, esse, aquele, etc.) indica posição no discurso. O "que" não tem valor demonstrativo; ele é um relativo que retoma um termo já mencionado. Não há equivalência com "este", "esse" etc.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia do "que". A chave é identificar o antecedente e testar a substituição por "o qual". Se funcionar, é pronome relativo; se não, é outra classe.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que o "que" vier logo após um substantivo e puder ser trocado por "o qual/a qual", é pronome relativo. Grave esse teste — ele resolve a maioria das questões.

Conclusão: A única alternativa inteiramente correta é a letra A, pois o "que" é pronome relativo, retomando "vida competitiva" e introduzindo oração subordinada adjetiva.

Gabarito: letra A

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